quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Quem deve dirigir a Revolução Burguesa no Século XX


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é de autoria de Leo Figueres. 

Figueres Leopold (Leo), nascido 27 de Março de 1918, em Perpignan (Pirineus Orientais); morreu em 1 de Agosto de 2011. Foi um político francês  e uma grande figura da Resistência ao Nazismo e do Partido Comunista Francês.
_____________________
    
A esta questão, os mencheviques respondiam em substância: uma vez que admitir que a revolução tem um caráter burguês, é necessário deixar à burguesia o cuidado de a conduzir para os seus fins, e fazer apenas com que o proletariado vigie, de modo que ela se faça conseqüentemente. Alguns chegaram ao ponto de dizer que nada podia ser feito pelo proletariado que pudesse causar medo à burguesia e levá-la a desviar-se da revolução.
    
A resposta de Lenin é bem diferente:
    
“A situação da burguesia como classe na sociedade capitalista, gera inevitavelmente a sua falta de perseverança na revolução democrática. A própria situação do proletariado como classe obriga-o a ser democrata com perseverança. A burguesia olha para trás, temendo o progresso democrático que ameaça reforçar o proletariado. Este nada tem a perder senão as cadeias; tem um mundo a ganhar com a democracia. Também, quanto mais conseqüente fora a revolução burguesa nas suas transformações democráticas, menos se limitará às que têm vantagens apenas para a burguesia. Quanto mais conseqüente for a revolução burguesa, tanto mais vantagens ela assegurará ao proletariado e ao campesinato na revolução democrática.
    
O marxismo ensina aos proletários a não se afastarem da revolução burguesa, a não se mostrarem indiferentes em relação a ela, a não abandonarem a sua direção à burguesia, mas, pelo contrário, a participar dela de maneira mais enérgica, a travar mais resolutamente a luta pela revolução proletária conseqüente, por levar a revolução até ao fim. Não podemos nos evadir do quadro democrático burguês da revolução russa, mas podemos alargá-lo em proporções enormes; podemos e devemos, nesse quadro, combater pelos interesses do proletariado, por suas necessidades imediatas, e por assegurar as condições em que ele poderá preparar-se para a vitória total”.
    
O proletariado deve assumir, portanto, a direção da revolução democrático-burguesa, mas, para assegurar a vitória da revolução, deve unir a si as massas fundamentais do campesinato. Ora, só o pode conseguir apoiando, fazendo suas toda uma série de aspirações do campesinato, e, em primeiro lugar, a posse da terra, que, por si próprias, têm caráter democrático-burguês, não socialista.

O campesinato é, decerto, politicamente instável, explicava Lenin, pelo fato de que encerra muitos elementos nõ proletários. Mas, a sua instabilidade é bem diferente da burguesia, porquanto se esta está pronta a aliar-se ao czarismo para salvaguardar a propriedade capitallsta, o campesinato, esse, está interessado menos na conservação da propriedade privada do que na confiscação das terras senhoriais que é, portanto, uma de suas formas.
    
É precisamente por isso que, se a burguesia é incapaz de tomar parte na revolução democrática até o seu termo, o campesinato é capaz de fazê-lo, e a classe operária deve ajudá-lo com todas as suas forças.
    
Evidentemente, o campesinato não se manterá sempre, e na sua totalidade, um aliado seguro da classe operária quando estiverem realizadas as tarefas da primeira etapa da revolução. Operar-se-á, rapidamente, uma diferenciação em suas fileiras, e apenas os semi-proletários dos campos e os camponeses pobres serão conquistados paa os objetivos socialistas.  


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Nenhum comentário: