segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Resposta à Ameaça Terrorista

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

A matéria abaixo foi transcrita do livro “Assustadora História do Terrorismo”, escrito por CALEB CARR, norte-americano; professor, comentarista, escritor, novelista e roteirista; autor de 3 livros de não-ficção.
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Uma resposta bem-sucedida a uma ameaça terrorista não está em repetidas análises dos movimentos terroristas contemporâneos tomados individualmente, nem em tentativas legalista de condenar seu comportamento em tribunais internacionais, nem em políticas e medidas reacionárias que punem as populações civis quanto os terroristas que operam em seu meio.

Em vez disso, está na formulação de uma estratégia abrangente e progressiva que possa tratar todas as ameaças terroristas com as únicas medidas coercitivas capazes de afetar ou moderar o comportamento terrorista: ofensivas militares preventivas destinadas a fazer com que nem só os terroristas, mas também os Estados que os obrigam, provêem e de alguma forma ajudam esses indivíduos, experimentem a mesma insegurança constante que tentam impor às suas vítimas. Claro que os métodos devem ser diferentes, pois, terror não deve ser retribuído com terror, mas guerra só pode ser retribuída com guerra, e cabe a nós criar um estilo de guerra mais imaginativo, mais decisivo e, no entanto, mais humano do que qualquer coisa que os terroristas possam planejar. De fato, tal estratégia não existe; mas não poderá ser delineada sem antes traçarmos tanto a longa história de operações de guerra contra civis, que gerou o atual problema do terrorismo, quanto a saga dos esforços realizados, no passado, para lidar com essa traição selvagem e restringi-la.
    
Em outras palavras, a história militar pode, por si só, nos ensinar as lições que resolverão o dilema do moderno terrorismo internacional. Essas lições não são necessariamente novas; em muitos casos foram evidentes durante séculos, e para muitas gerações anteriores de líderes perspicazes. A maioria desses líderes, todavia, foi incapaz de resistir à tentação de travar guerras contra civis, não importando quão ameaçadora a seus interesses essa indulgência se mostrasse, pois o fascínio do terror como uma solução rápida e gratificante é bem forte.

Este livro, portanto, não sustenta que atingimos um momento da história em que as operações de guerra contra civis possam, de repente, tornar-se moral e militarmente obsoletas. Tampouco esta visão geral afirma que a tática do terror possa ser derrotada facilmente: via de regra, o processo necessário para vencê-los envolve gerações e tem um amplo alcance. O que este estudo pode afirmar é que toda vez e em toda parte que essas táticas foram cultivadas, seu destino acabou sendo, e ainda será o fracasso: essa é a lição fundamental que devemos aprender, e a principal causa da esperança a ser extraída da história, freqüentemente perturbadora que preenche as páginas seguintes.   
    
Uma nota final: quando, meia década atrás, apresentei pela primeira vez a essência dessas idéias, muitos especialistas em terrorismo, cujo trabalho há muito tenho respeitado, disseram que eu superestimava a dimensão da ameaça que se aproximava ao defender “o uso liberal da força militar” e “elucidar um paradigma de guerra”.

Sempre reconheci uma precária compreensão do significado dessa última frase, mas se a inferência era que eu recomendava aos americanos fazer o que há muito os inimigos vinham fazendo – a guerra com todos os recursos disponíveis -, então aceito a crítica e sugiro que foram os terroristas os primeiros a “elucidar” tal “paradigma”. De qualquer forma, que os perigos do terrorismo continuam crescendo, isto sustento como irrefutável no momento. Apesar de nossos atuais esforços militares, as principais ameaças terroristas – biológica, química e até mesmo a guerra nuclear, atentados a bomba e ataques suicidas, e ainda mais seqüestros de aviões, além de complexos programas de patrocínio estatal, necessários para efetivar tais ações – continuam intocados em suas raízes internacionais, qualquer que tenha sido nosso sucesso contra grupos específicos ou indivíduos.

Durante mutos anos ignoramos esses perigos, ou, pior, tentamos reagir voltando-nos para as motivações, os objetivos e o comportamento de seus agentes. Hoje, porém, dar uma resposta ao terrorismo não é uma questão de estudo sociológico ou de negociação. Os terroristas não mais apontam armas para as nossas cabeças, fazendo exigências.

Estão puxando o gatilho sem discussão ou aviso. Uma ação militar constante, e muito provavelmente cada vez maior, será o único remédio para esse problema. O terrorismo será erradicado não quando chegarmos a algum tipo de acordo com seus agentes, nem quando eles forem fisicamente destruídos, mas quando passar a ser entendido como uma estratégia e um comportamento que nada produz, salvo a derrota final para as causas que o inspiram.

Afinal de contas, mesmo os terroristas suicidas, embora não se importem com a própria vida e nem com a vida dos outros, veneram a causa que defendem. A História guarda a chave que transformará esse crucial flagelo do mundo em uma relíquia tática e comportamental. E, portanto, é para a História que nos voltaremos então.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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