terça-feira, 27 de junho de 2017

A autodestruição dos “poderosos”


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Pela primeira vez na Historia, um Presidente da República, no exercício do mandato, é denunciado por crime de corrupção. Agora, é grande a chance de que ocorra outro fato inédito: a maioria governista na Câmara dos Deputados pode cometer o despudor de rejeitar a denúncia contra o titular do Palácio do Planalto, impedindo que o “alvo” seja processado no foro privilegiado do Supremo Tribunal Federal.

Por isso, nunca é demais analisar nossa “anormalidade institucional” – problema ignorado por muitos “poderosos” titulares dos poderes brasileiros (nem tão) republicanos. Quando a Política (uma atividade essencial) se torna caso de Polícia, e “judicialização da politicagem” se torna rotina, fica gritante que já passou da hora de reinventarmos o Brasil – terra que tem lei de sobra, variadas interpretações legais e flagrantes desrespeitos a elas.

Os grandes debates, clamando por mudanças, já rolam soltos, de maneira informal e nem sempre orgânica, nas redes sociais. A tecnologia democratiza o acesso a informações (imagens e provas documentais objetivas) que nos levem a conclusões sobre a verdade. Câmaras e microfones revelam tudo: desde o político corrupto levando uma mala de grana, passando pela conversa nada republicana entre um empresário e o Presidente da República, até às cenas que mostram que um motorista - que parecia ser um monstro que perseguiu skatistas em uma via famosa de ao Paulo – na realidade perdeu o controle emocional porque antes fora agredido, violentamentamente, pelas “vítimas” (previamente definidas pela mídia hegemônica).

Enquanto a galera no “Coliseu” comemora a condenação de “poderosos” como Antônio Palocci, Marcelo Odebrecht e João Vaccari (dentre outros menos votados), e aguarda a previsível punição exemplar ao chefão Luiz Inácio Lula da Silva, vale a pena refletir sobre opiniões emitidas ontem por dois ministros do Supremo Tribunal Federal, em um debate sobre reforma política promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Comecemos por Luís Roberto Barroso, avançando para Gilmar Mendes (hoje uma das figuras públicas com imagem mais desgastada no mundo da Internet).   

Fala Barroso: “Um procurador-geral da República que é procurado por alguém que traz a ele informações e provas de delitos cometidos pelas mais altas autoridades da República, possivelmente nos três poderes, e decide investigar e apura que as informações eram verdadeiras, que as malas de dinheiro de fato circulavam e, portanto, instaura inquérito. Alguém acha que isso é abuso do Ministério Público ou que ele está cumprindo seu dever?”

Prossegue Barroso: “Um Estado que pune não é um estado policial. Não estávamos acostumados a um direito penal igualitário. Agora passamos a ver a lei aplicada a todos, pobres e ricos. É o Estado Democrático de Direito contra uma república de bananas que sempre varreu a sujeira para debaixo do tapete”.

Agora, fala Gilmar Mendes: Já trocamos os políticos que buscam votos pelos militares. Alguém pode imaginar que pode agora trazer uma república de promotores ou de juízes. Creio que ficarão decepcionados com o resultado. Até com gestores, nós juízes e promotores não somos lá muito bons. Se nós considerarmos os paradigmas que adotamos na gestão, se nós fossemos administrar o deserto do Saara talvez faltasse areia. Portanto moderação com esse tipo de pretensão, com quem sonha com democracia de juiz, ou com uma ditadura de juiz.

Prossegue Gilmar: Ainda ontem eu conversava com um importante político e ele me dizia: ‘Qual é o limite que se pode estabelecer em relação a avanços que o Judiciário ou o Ministério Público venham a fazer em relação ao estamento ou ao segmento politico?’ Difícil dizer. É fundamental que se saiba quais são as competências (de cada poder), competência é limite de poder por definição. Mas é muito difícil a auto-contenção. É preciso que o próprio estamento, que o próprio parlamento diga: ‘Esse é o limite, não vá além disso, sob pena de estar pervertendo o equilíbrio de poderes e o sistema de checks and balances’ A resistência tem que vir do próprio sistema político a dizer a nós (Judiciário): Isso não está no sistema constitucional, é uma extravagância”.

Conclui Gilmar: “Nesses anos da Constituição de 1988 dois presidentes terminaram o mandato antecipadamente por impeachment. Já é um case no mundo todo. O uso do impeachment inclusive como mecanismo de superação de um quadro de ingovernabilidade. Então não seria hora de voltarmos a discutir, a partir de uma reforma político-eleitoral sensata, que trouxesse cláusula de barreira, a proibição de coligação, que discutisse talvez um sistema eleitoral mais adequado à nossa realidade e com isso, um financiamento adequado de campanha... Chegar a hora de discutirmos o próprio sistema de governo. Será que nós não devemos pensar em resgatar aquelas ideias que estavam tão vivas sobre debate da constituinte de 88, de parlamentarismo ou semipresidencalismo? Será que não seria oportuno voltar a revisitar esses temas?”.

Resumindo o discurso dos dois supremos-ministros: É preciso mudar o modelo estatal brasileiro, cujo custo perdulário da máquina pública, bancado com a extorsão tributária praticada contra pessoas e empresas, é a origem das diferentes crises, principalmente a que gera e sustenta a corrupção. Por isso, a Intervenção Institucional é a saída para acelerar a solução de tanto problema que conduz o Brasil a conflitos que podem gerar nossa fragmentação como Nação.

Definir soluções é urgente. Implantá-las deve ser a prioridade máxima. Só a legítima pressão popular permitirá as mudanças efetivas. A bandidagem organizada prefere que tudo fique do jeitinho como está. Quem vencerá esta guerra que parece perdida?

Releia o artigo: PERCEPÇÃO! - #reelejaninguém!    


Se não delatar, vai se ferrar...


Que droga...


Abandonados


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O Alerta Total tem a missão de praticar um Jornalismo Independente, analítico e provocador de novos valores humanos, pela análise política e estratégica, com conhecimento criativo, informação fidedigna e verdade objetiva. Jorge Serrão é Jornalista, Radialista, Publicitário e Professor. Editor-chefe do blog Alerta Total: www.alertatotal.net. Especialista em Política, Economia, Administração Pública e Assuntos Estratégicos. 

A transcrição ou copia dos textos publicados neste blog é livre. Em nome da ética democrática, solicitamos que a origem e a data original da publicação sejam identificadas. Nada custa um aviso sobre a livre publicação, para nosso simples conhecimento.

© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 27 de Junho de 2017.

Funções


“País Canalha é o que não paga precatórios”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Há muitos anos, o palestrante num breve curso sobre Análise de Valor, disse algo precioso:

Primeiro mostrou-nos uma caneta esferográfica de plástico transparente; em seguida perguntou qual era sua função principal.
A resposta unânime foi: “escrever!”.

Ele sorriu e disse: “Estão enganados. A função principal é soltar tinta de maneira regular. Se vou escrever, fazer uma caricatura ou rabisco é outra questão”.

A função principal de um escritor é despertar emoções em seus leitores.

Fazê-los rir, chorar ou indignar-se são aspectos acessórios.

Na presente Era da Instantaneidade , se alguém escrever mais que uma página não será lido.

Pouco importa o valor do conteúdo do texto.

Podemos concluir dizendo que a função principal de nosso Exército é garantir a unidade nacional (o que aliás vem fazendo há séculos).

A “mão amiga” é função acessória para ajudar o povo em situações difíceis.

Nosso Exército é o próprio povo.

Feliz o país que tem um exército como o brasileiro.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

STF, PGR e “pós-verdade”


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Hélio Duque

“A República investigada e a metralhadora de Joesley” era a manchete de importante jornal brasileiro. Em Salvador, o advogado Antonio Pessoa Cardoso, diante da “declaração premiada” de Joesley Batista, foi certeiro: “Não se pode aceitar como delator, criminosos confessos que obtém a permissão de autoridades para esmiuçar a vida de seus semelhantes e “fabricar” provas com gravações e outras artimanhas com o fito exclusivo de livrar-se de processos e da cadeia. A prova preparada com o objetivo de obter o perdão não condiz com o sistema da delação. A sensação de tornar-se herói no mar de lama que vivemos permite o uso de todos os recursos”.

No mesmo diapasão, o colunista Alcelmo Gois, em “O Globo” (15-6-2017), adverte: “Para justificar as regalias recebidas, Joesley diz ter  denunciado 1.893 agentes políticos contra 70 dedurados por Marcelo Odebrecht, 50 por Ricardo Pessoa, 32 por Otávio Azevedo e 31 por Sérgio Machado. Ora, se ele corrompeu mais gente merece punição maior, certo?”.

Na “Folha de S.Paulo” (19-06-2017), o jornalista Vinicius Mota, registra: “Quando não há limites para a delação, o conjunto de incentivos que deveria levar ao bem maior para a sociedade entra em parafuso. A esperteza de criminosos confessos, entretanto, vão alargando as fronteiras do instituto no Brasil. Se delinquir, delate” O empresário Flávio Rocha, presidente do Grupo Riachuelo, vai mais longe alertando sobre a cumplicidade de Janot com o Friboi Joesley.

Já o editor de livros Carlos Andreazza (O Globo, 20-6-2017), recorre à história: “Escolhido por Dilma Rousseff e reconduzido ao cargo por ela, Janot é hoje o homem mais poderoso do Brasil, trabalhador incansável por fazer justiça, guerreiro cujo entusiasmo por acusar poderosos é outro desde que o PT saiu do Planalto. Eis aí um patriota a quem o impeachment liberou”.

As citações demonstram que os benefícios exagerados concedidos pela PGR e, agora, homologados parcialmente pelo STF, não é matéria consensual na sociedade. Alguns ministros da corte votaram pelo respeito legal ao princípio das delações, mas destacaram que no caso JBS, se sólidas provas factuais não se sustentarem, a anulação dos benefícios pessoais obtidos poderá acontecer.

A rigor, na vida republicana brasileira, a corrupção sistêmica alastrou-se pelas artérias da nação. E tem na sua estrutura de poder, em todos os níveis, o principal responsável. É muito mais ampla do que os fatos até agora investigados vem comprovando. A aliança de corruptores o corruptos no Brasil não mais é fato recente, mas na dimensão transoceânica que vicejou na última década e meia, é inédita. O dinheiro público foi drenado e assaltado em velocidade de “fórmula 1”. Grupos oportunistas apelidados de campeões nacionais do desenvolvimento deitaram e rolaram. Quem se lembra de Eike Batista, que queria ser o homem mais rico do mundo? Suas empresas viraram pó e atualmente cumpre prisão domiciliar.

Os outros Batista, os irmãos Joesley e Wesley, montaram a maior empresa do mundo em proteína animal, com dinheiro público. De média empresa em 2003, a JBS em 2006 já faturava R$ 4 bilhões. Graças ao financiamento público em escala incontrolável e sociedade com o BNDES, que detém 22% do seu capital e a Caixa Econômica, com 5%, totaliza 27% de dinheiro do contribuinte na empresa. O que impediu a transferência da sede JBS para a Irlanda. Os seus controladores são donos de 44% das suas ações e os acionistas minoritários ficam com 29%. A sua dívida bruta é de R$ 58,6 bilhões com vencimento de 31% nos próximos 12 meses.

Para a sua expansão internacional comprou, nos EUA, o grupo Swift, por 2,7 bilhões de dólares, com recursos integrais do BNDES. Na compra do grupo Alpargatas, no valor de R$ 2,3 bilhões, o dinheiro foi da Caixa Econômica Federal. Na fábrica de celulose Eldorado, os recursos foram do Fundo de Investimento do FGTS (patrimônio dos trabalhadores) e dos Fundos de Pensão Petros(Petrobrás); Previ (Banco do Brasil); e Funcef (Caixa Econômica).

A dívida total da Eldorado é de R$ 8,5 bilhões. O Banco Original do JBS tem dívida de R$ 3,5 bilhões junto ao FGC (Fundo Garantidor de Crédito). E o seu patrimônio líquido é de R$ 2,7 bilhões. Nas linhas de crédito para o exterior que oxigena os negócios o Banco do Brasil garante R$ 5 bilhões; a Caixa Econômica, R$ 10 bilhões; o Santander R$ 4,5 bilhões; o Bradesco, R$ 3,2 bilhões; e o Itaú, R$ 1,5 bilhões.

Foi vivendo essa realidade de sufoco financeiro, além de 5 operações da Polícia Federal de combate à corrupção, que Joesley Batista procurou a PGR, em Brasília, para fazer a “declaração premiada”. O presidente da República, Michel Temer, conhecedor e partícipe dessa realidade como vice-presidente de Dilma Rousseff, recebeu na calada da noite o empresário malfeitor no Palácio do Jaburu, sendo gravado em conversas imorais e antirrepublicanas.

Na outra ponta, o candidato presidencial do PSDB, Aécio Neves, igualmente gravado buscando vantagens financeiras. Levando o Brasil a viver a presente crise. A PGR e o STF, vivendo em tempo de “pós-verdade”, apesar dos ilícitos do empresário marginal, garantiu ao réu anistia ampla, geral e irrestrita. Inacreditável.


Hélio Duque é doutor em Ciências, área econômica, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Foi Deputado Federal (1978-1991). É autor de vários livros sobre a economia brasileira.

Como distinguir Liberalismo de Democratismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi publicado no livro “A Cultura Ocidental - O Cinema a Serviço da Cultura”, escrito por Antonio Paim, Leonardo Prota e Ricardo Velez Rodriguez

Os ministérios se compõem de dois grupos. Um formado por gente incapaz, e outro por gente capaz de tudo” (Getulio Vargas)

O democratismo corresponde a uma corrente política que em muitos casos tem sido confundida com o liberalismo. A confusão advém do fato de que, no momento em que o democratismo fez sua aparição, durante a Revolução Francesa, a experiência liberal estava circunscrita à Inglaterra, e não tinha propósitos democratizantes. Em sua primeira fase, o liberalismo tratou e consolidar o governo representativo, em oposição à monarquia absoluta.

Estabelecia, então, como condição essencial para tornar-se eleitor – ou representante -, a posse de certos bens que assegurassem uma posição independente em relação ao Estado. A luta em prol de um sistema que se regesse segundo leis de todos conhecidas exigiu grande tenacidade de parte da liderança liberal e impôs um sem número de sacrifícios. A elite proprietária estava disposta a correr tais riscos, livrando-se, em troca, da ameaça de tudo perder pelo simples arbítrio do monarca.

O governo representativo configurou-se durante uma prática prolongada. A experiência é que sugeriu a separação e a autonomia dos diversos poderes. O relacionamento entre o Parlamento e o Governo foi fixado após a alternância de muitos governantes, o que deu base à identificação daquilo que independia dessa ou daquela personalidade. As questões consideradas eram muito concretas, como, por exemplo, a imposição de que os impostos seriam votados anualmente, a fim de consolidar a praxe de reunir-se o Parlamento; mandatos curtos para os representantes, obrigando-os a prestar contas periodicamente aos eleitores, submetendo-os, desse modo, ao seu controle e vigilância, com o propósito de dificultar acordos espúrios com o absolutismo monárquico, e assim por diante. O espaço da liberdade frente à onipotência estatal foi sendo conquistado paulatina e sucessivamente.

Enquanto isso, no continente europeu, no mesmo período, Isto é, no século XVIII, havia, sobretudo, teorizações deduzidas de circunstâncias inteiramente idealizadas. Veicularam-se doutrinas de nítido cunho romântico, difundindo a crença de que o homem era bom por sua própria natureza. Estragava-o a sociedade, sobretudo a falta de liberdade. Formulação mais ou menos acabada de tais idealizações seria da lavra de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Coube-lhe estabelecer o denominado princípio da vontade geral, isto é, a tese de que o homem se chegasse a encontrar uma sociedade onde estivesse a salvo de toda arbitrariedade, a vontade que daí emergisse seria eminentemente moral e digna da melhor acolhida.

Na sociedade idealizada por Rousseau, a vontade geral é interpretada por um homem sábio, que esteja acima das paixões e dos egoísmos. As leis tenderiam a alcançar uma espécie de perfeição absoluta. Ao governo não caberia legislar, mas expedir os decretos requeridos pela execução das leis. Nesse sistema não há nem democracia direta e nem Poderes Executivo e Legislativo autônomos.

No sistema de Rousseau tampouco há lugar para o indivíduo. Enquanto o governo representativo tratava de disputar ao Estado um lugar cada vez mais amplo para os indivíduos, o projeto de Rosseau consistia em sufocar essa dimensão.
    
A sociedade real de que o liberalismo queria dar conta estava dividida em grupos e interesses conflitantes. A apresentação era reconhecida como sendo de interesses. O máximo que estes poderiam chegar em matéria de pacto comum consistia no reconhecimento da legitimidade dos diversos interesses, fixando a premissa requerida para a negociação armado, que submetia as nações européias em formação a constantes guerras civis.
    
Francisco Martins de Souza, no livro “Evolução Histórica do Liberalismo”, julga que tal reconhecimento constitui o germe da futura democratização da idéia liberal, mas partindo de uma circunstância estabelecida concretamente e não de modo abstrato. Eis o que escreve no texto citado:
    
“Kant vai lançar a idéia de que os interesses são extensivos a todos, independentemente do valor desses interesses, e assim entende-se o início da democratização da idéia liberal sem cair no democratismo”.
    
Na hipótese de Rousseau, não havendo conflito real, mas apenas dificuldade em encontrar a formulação adequada da vontade geral, a democracia é dada como absoluta.
    
Finalmente, no Estado de Rousseau não há lugar para tolerância. Devem ser fixados is dogmas indispensáveis à vida civil, e os que não se submetam podem ser banidos ou desterrados.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

PERCEPÇÃO! - #reelejaninguém!


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Poucas pessoas sequer imaginam que grandes fatos e momentos históricos vividos pela humanidade aconteceram ou ocorreram apenas pela PERCEPÇÃO que os seres humanos envolvidos tiveram sobre os fatos que motivaram as reações iniciais e as reações em cadeia que culminaram naqueles fatos históricos. Parece complicado. Mas não é. É bem simples de entender.

Em 28 de junho de 1914, o jovem Gavrilo Princip, membro de um movimento nacionalista sérvio, cometeu um atentado que culminou com a morte do Príncipe Herdeiro do Império Austro-Húngaro. Os executores e mentores conhecidos do atentado foram presos, julgados, condenados e executados. Mas a PERCEPÇÃO da existência de uma trama maior envolvendo outras potencias europeias, fez deflagrar, apenas um mês depois, a PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.

Essa guerra mobilizou mais de 70 milhões de militares e cerca de 11 milhões de seres humanos morreram. Nunca, repito, NUNCA se provou que havia uma conspiração internacional por trás do atentado. Mas as populações foram levadas à PERCEPÇÃO que sim, o que possibilitou às elites interessadas no conflito promoverem as declarações de guerra. Se os autores do atentado tivessem conhecimento dos acontecimentos que seus atos viriam a desencadear, eles ainda cometeriam o famigerado atentado? Faltou a eles, uma mais ampla noção de contexto e informações realmente qualificadas para a interpretação correta do que fazer.

A partir da miséria instalada na Rússia pela Primeira Guerra Mundial (oportunizada pelo atentado executado pelo jovem Gavrilo Princip), os opositores do regime absolutista do Czar Nicolau II aproveitaram-se da PERCEPÇÃO de que o regime era o responsável pelo envolvimento na guerra e pela miséria e mobilizaram a população contra o regime. A população tinha ou foi induzida à PERCEPÇÃO de que mudando o Regime de Governo a vida delas melhoraria. E assim apoiaram a Revolução Russa de 1917.

Em abril de 2017, Vladimir Iliitch Ulianov, mais conhecido como Lenin, então um Russo exilado na Suíça, recebe apoio logístico e financeiro para retornar ao seu país, a Rússia, para organizar movimentos que desestabilizassem o regime do Czar Nicolau II. Os alemães forneceram aproximadamente 40 milhões de goldmark (moeda financeira utilizada na Alemanha naquela época) para Lenin. Foi a Revolução Comunista financiada pelo “Capitalismo”...

Se os alemães imaginassem que esse apoio logístico e milhões de dinheiros ajudariam a colocar, mais adiante, Josef Stalin no poder, eles ainda agiriam da mesma forma? Faltou a eles, os alemães, uma mais ampla noção de contexto e informações realmente qualificadas.

Por motivos que não nos caberá aqui detalhar, o novo regime que se instalou, na busca de desenvolver um novo homem socialista e na tentativa de aperfeiçoar as ferramentas da “Ditadura do Proletariado”, políticas de Estado da Era Stalin, coletivas e massificadoras, causaram direta e indiretamente a morte de mais de 23 milhões de russos. Faltou a eles, os russos – camponeses e trabalhadores urbanos - informações realmente qualificadas, relevantes e alguma noção de contexto histórico.

O povo alemão tinha a PERCEPÇÃO de que ao eleger o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP), mais conhecido como Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores para comandar a Alemanha não imaginaria que seu líder Adolf Hitler os conduziria a uma nova Guerra Mundial, onde mais de 60 milhões de seres humanos morreriam, sendo que mais de 5 milhões eram alemães.

Novamente, a PERCEPÇÃO de que o Partido Nazista era a solução para uma crise que o povo alemão não suportava mais, foi a responsável pela mais terrível das atrocidades humanas: uma guerra sem limites que inaugurou a era atômica. Se a população e os eleitores alemães imaginassem o que sua PERCEPÇÃO dos fatos causaria ao seu país e ao resto do mundo, será que eles teriam feito as mesmas escolhas? Faltou a eles, os alemães, uma mais ampla noção de contexto e informações realmente qualificadas.

Poderíamos aqui expor a mesma lógica para os genocídios do Khmer Vermelho (na Ásia), a Guerra Civil Angolana que durou 27 anos e ceifou a vida de mais de 500 mil pessoas, dentre outras. Todas foram resultados de alguma PERCEPÇÃO que falhou na correta e verdadeira interpretação da realidade.

A PERCEPÇÃO elegeu Barack Obama. Seu slogan atacava a sensação de impotência do eleitorado, provocando-os a entenderem que “SIM, ELES PODIAM”. A PERCEPÇÃO também foi principal arma eleitoral de Donald Trump. Ele acusou os políticos profissionais de Washington de terem esquecido a verdadeira América. Por isto o seu slogan principal era “A América Primeiro”.

Sim, caríssimos leitores, todos os incautos ou ignorantes que desconhecem ou menosprezam o poder revolucionário da PERCEPÇÃO, ajudaram ou ajudam a construir situações políticas e econômicas imprevisíveis, descontroladas e, às vezes, CATASTRÓFICAS.

A SENSAÇÃO de impunidade que a população brasileira sente que é reservada à Elite Política e à Burocracia Estatal dominante, é o combustível nuclear que alimenta diariamente o imaginário de um povo que já não crê nas instituições e no Estado brasileiro. Milhões e Milhões de brasileiros foram às ruas deixar claro que não suportam mais um Poder Público Corrupto, Cruel, Sanguinário e partilhado por quadrilhas de bandidos – tudo fruto de um modelo estatal interventor que tutela e explora a sociedade.

Nessa linha de raciocínio, cabem várias perguntas cujas respostas podem nos ajudar a não repetir tantos erros (principalmente de avaliação) já cometidos:

Qual a PERCEPÇÃO do povo brasileiro ao assistir as cenas gravadas pela Polícia Federal do “amigo do Presidente” correndo com a mala de dinheiro?

Qual a PERCEPÇÃO do povo brasileiro ao ouvir a conversa gravada pelos donos da JBS na qual o senador e presidente do PSDB afirma que eles deveriam usar um operador que pudessem “matar” antes que ele os delatasse?

Qual a PERCEPÇÃO do povo brasileiro quando o Conselho de Ética do Senado, apressada e açodadamente, inocenta o mesmo senador gravado usando a criminosa expressão “matar o operador antes que ele possa nos delatar”?

Qual a PERCEPÇÃO do povo brasileiro, vivendo a maior crise de desemprego da nossa história, sendo diariamente acuado por funcionários públicos corruptos lhes negando segurança, saúde, educação e negando-lhes o direito legítimo de proteger suas famílias e seus filhos?

Qual a PERCEPÇÃO da sociedade brasileira ao saber que o Brasil tem o maior número absoluto de homicídios no mundo? Um em cada 10 seres humanos assassinados no mundo a cada ano são brasileiros proibidos de nos defender. Por aqui, mais de 60 mil mortes violentas por ano...

Qual a PERCEPÇÃO dos empresários brasileiros vendo tanta bandalheira e roubalheira no poder público brasileiro e mesmo assim sendo processados criminalmente por não conseguirem pagar essa descomunal carga fiscal e tributária, que só serve para financiar a corrupção sistêmica?

Qual a PERCEPÇÃO da sociedade brasileira sobre JUSTIÇA ao assistir diariamente na TV, nas Redes Sociais todas estas informações? Qual a PERCEPÇÃO das pessoas sobre os magistrados – depois dos políticos, a categoria mais bem remunerada da burocracia estatal?

A tecnologia retirou da elite corrupta - que tomou de assalto o poder público no Brasil (Executivo, Legislativo e Judiciário), em todas as esferas (federal, estaduais e municipais) - a primazia de controlar a PERCEPÇÃO da sociedade sobre os fatos.

O Brasil é:

O 2º maior usuário de WhatsApp no Mundo. São 86% de todos os usuários de smartphones se comunicando via este aplicativo. São 42 BILHÕES de mensagens trocadas no mundo todo através do WhatsApp, e nós, brasileiros, estamos em 2º lugar. Pelo menos 8 em cada 10 brasileiros têm uma conta no facebook.

O Brasil vive um momento de intensa e incontrolável efervescência política e moral. É notícia diária políticos corruptos controlando estatais e órgãos corrompidos, promovendo criminosamente o enriquecimento de quadrilhas formadas por funcionários públicos, empresários desonestos e todos sendo “fantasiosamente” fiscalizados por milionários Conselheiros dos Tribunais de Contas, por seletivas devassas fiscais promovidas por Controladorias Públicas (CVM, COAF, Confaz, etc) e Receita Federal.

Possivelmente os principais atores deste momento não têm a menor PERCEPÇÃO do contexto e do momento histórico em que vivemos. Com certeza, estão considerando em suas decisões apenas as informações que lhes são convenientes. Naturalmente, são informações de pouca ou nenhuma qualidade.

Funcionários públicos aposentados ganhando “legalmente” mais de 300 mil reais por mês não estão nem um pouco preocupados com a PERCEPÇÃO da sociedade brasileira. Com certeza nunca ouviram falar do perdulário e rico homem russo Grigori RASPUTIN, do milionário homem público haitiano “Baby Doc” ou do megalomaníaco Bernard Madoff.

Um verdadeiro tsunami social, visando à transformação de Estado brasileiro está em curso. É a Revolução Brasileira em andamento. O poder público será submetido a uma completa esterilização e descontaminação. O modelo em vigor não é mais tolerado. Milhões e milhões de mensagens indignadas circulam diariamente pelos aplicativos pessoais e redes sociais.

Na República, o Poder emana do Povo, e é exercido Pelo Povo e Para o Povo. Ele, e só ele, detém o legítimo Poder Instituinte. O povo é soberano. Assim, pouca ou nenhuma importância tem se algum Ministro se sinta Supremo. De nada importa a afirmação do homem do PMDB no Planalto, informando à Nação de que está decidido a ficar no cargo.

A PERCEPÇÃO generalizada na sociedade brasileira é a de que NADA pode ficar como está atualmente. Essa PERCEPÇÃO fez com que milhões de seres humanos perdessem suas vidas, através de fatos e acontecimentos em cadeia que promoveram Convulsões Sociais, Revoluções e Guerras. Agora é a vez do Brasil.

A sociedade brasileira está determinada a implantar um outro Estado. Ela quer um outro poder público. O brasileiro quer fazer parte e ser respeitado pelo Estado. Deseja um poder público que sirva à sociedade e não mais se sirva dela. Capimunismo Rentista não dá mais! Intervenção Legítima é isto. O resto é golpe!

Aqueles que se opuserem a esta PERCEPÇÃO - e aos atos, fatos e acontecimentos que ela vai desencadear - terão o mesmo destino de todos aqueles que, historicamente, não queriam e nem desejavam as mudanças e transformações que se impuseram.

As próximas mobilizações populares poderão desencadear no Brasil um conjunto de fatos incontroláveis. Quem viver verá... Quem não perceber tem tudo para perecer... PERCEPÇÃO é tudo!

Releia o artigo de domingo: Campanha 2018: #reelejaninguém!    


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 26 de Junho de 2017.

Salpicão


“País Canalha é o que não paga precatórios”

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Maurício Mantiqueira

Há três coisas essenciais à vida humana: o sal, o pi (3,1415...) e o cão.

A maioria das pessoas pensa que é um tipo de salada russa.

Na verdade é um estado de espírito.

Quando a honra de alguém é salpicada por uma calúnia, a mancha torna-se indelével, a menos que seja lavada com sangue.

É a lei do cão.

Por mais salgado que seja o preço a pagar pelavendetta, ela é doce e talvez a única coisa que venha a restar ao humilhado injustamente.

Lembremo-nos do ditado: “Posso perdoar quem me rouba a bolsa; ser-lhe-á útil para alguma coisa. Não quem rouba minha honra, pois isso nada lhe aproveita e para mim é o bem mais caro”.

Mais indecifrável que a quadratura do círculo é a Bucha.

Como um vulcão dormente há séculos e tido como extinto, explode de repente.

Então, abre-se a porta do Inferno bem guardada por um cão.

Os que caluniaram entrarão primeiro, após lerem a advertência dantesca:

“ Lasciate ogni speranza ó voi che entrate”.


Carlos Maurício Mantiqueira é um livre pensador.

Momento Decisivo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Antônio José Ribas Paiva

As instituições brasileiras estão em estado terminal, por falta de mecanismos de fiscalização do exercício do poder, pelos cidadãos.

Essa realidade massacra o povo, porque o Estado tornou-se a máquina do crime.

Falar em eleições como panaceia é não só idiota como antipatriótico. É chamar o ladrão em defesa da vítima!

O Brasil é muito importante para o mundo, para ficar sob o domínio do crime. Ou a sociedade intervém militarmente no processo político nacional ou o Brasil sofrerá intervenção internacional, porque a segurança alimentar, política e o desenvolvimento econômico do mundo dependem da estabilidade política no Brasil.

Chegou o momento histórico do Brasil. Nós, brasileiros, precisamos fazer a lição de casa ou certamente perderemos a soberania, com risco real e próximo de fragmentação territorial.

As hienas estão próximas e o cordeiro balindo.

ACORDA BRASIL!!!


Antônio José Ribas Paiva, Jurista, é Presidente do Nacional Club e reassume a presidência da União Nacionalista Democrática (UND).

Deserto Político e Fertilidade da Corrupção


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laureli

O Brasil necessita, mais do que nunca, de ser sacudido e levado ao ponto de equilíbrio entre as anomalias do desgoverno e luta entre classes sectárias que radicalizam o momento inoportuno. Um deserto político revestido de uma fertilidade banhada pela corrupção, e um gravíssimo caso a envolver o presidente da república a desaguar numa provável denúncia junto ao supremo tribunal federal.

Não podemos nos esquecer que sempre há um grupo contrário e refratário às reformas e que tenta desestabilizar qualquer chance de se melhorar o nível institucional do País. As notícias ruins fazem o cotidiano da perversa mídia a qual tenta levar à sociedade civil o que há de mais desagradável tanto em termos de violência, mas principalmente dados estatísticos de desemprego, miséria e da economia sem crescimento.

Fato verdadeiro e inescondível a presidente deposta em seis anos conseguiu levar o Brasil para o caos total intervindo em setores de óleo, gaz, petróleo, eletricidade, e tantos outros e mais acabou o poder aquisitivo da população. O fundo de garantia não será capaz de colocar em relevo o mercado e demonstrar a grita geral de empresários,do comércio,da indústria e do setor de prestação de serviços.

O agronegócio que nadava de braçada a partir a operação carne fraca, delação premiada e com o boicote americana amargará elevados prejuízos. A concentração em mãos de poucos expressou uma falta de controle e mostrou a insaciável pequenez de entidades governamentais criarem gigantes que se tornarão nanicos nos próximos capítulos dessa enrolada novela que tem terá final feliz, por certo.

O Brasil perdeu o foco por três motivos  essenciais, o deserto de política em prol da cidadania, o desabrido descontrole da corrupção e por último medidas governamentais que não contiveram ondas anticiclicas,para combater a recessão. E passaremos ainda pelo menos dois anos de descontrole e falta de apatia já que os mercados internacionais nos ignoram completamente e as eleições de 2018 já começaram a cerrar fileiras em torno de nomes e candidaturas.

Nem esquerda, muito menos direita, um candidato tipo Macron seria o sucesso perfeito e completo. A sociedade civil precisa desmontar a bomba relógio da radicalização, de candidatos profissionais, mediante o fim do alistamento e filiação, do término dos fundos partidários, dos partidos nanicos e fundamental da reforma a ser feita já no segundo semestre antes do pleito de 2018.

Minguada a hipótese de renuncia será muito difícil manter no cargo alguém denunciado pelo ministério público federal,fato inédito em mais de um século e meio republicano. Nessa circunstância adversa as alternativas somente poderão ser buscadas com apoio consciente e responsável dos cidadãos de bem, não nos interessa polemizar e muito menos depreciar o que tem sido feito em vários ângulos da economia que está dominada pela grave crise fiscal e  um estado generalizado de torpor e descrédito.

A sociedade precisa sacudir o congresso. A cidadania precisa mostrar
a cara, as marchas não podem ser por migalhas porém para o empoderamento do bem comum em completa revogação dos malfeitos praticados pelos governantes. O fim da reeleição é fundamental, prestação de contas a cada dois anos e o modelo de recall, acaso o político eleito por meio do voto distrital não agradasse as bases estaria revogado o mandato.

O fim do profissionalismo político no máximo poderia permancer até dez anos computados todos os exercícios fixos ou alternados. Dessa forma se daria oportunidade aos mais jovens e se acabaria com o curral eleitoral. Agregar e aglutinar os estados do nordeste em apenas 3 seria essencial rever o número de municípíos de 5200 para apenas 2700 e transformar os demais em distritos em muito nos ajudaria e o numero de deputados e senadores, a partir do unicameralismo, assim o Brasil teria 350 representantes do povo no congresso além do que órgãos importantes, como as cortes superiores funcionariam distante de Brasilia para evitar pressão e aumento de barulho das reivindicações feitas a torto e a direita.

O Brasil precisa ser sacudido e mostrar a revolta generalizada de norte a sul. O fogo que tomou Portugal e agora a Espanha precisa embeber o cidadão brasileiro para dar um basta e definitivamente matar a má política e substituí-la pela identidade com a lei maior a qual, próxima do
seu aniversário de 30 anos, dentro em breve precisa passar por uma nova assembléia nacional constituinte cuja participação dos políticos haverá de ser a minoria e não a totalidade que infelizmente prevaleceu no passado.

O Brasil não tem muitas alternativas: ou a cidadania encontra seu respaldo na sociedade civil para sair da escravidão da corrupção ou o buraco negro do futuro será salpicado de trevas.


Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laureli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

É fácil! É claro! É óbvio!


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Taboada

Parem tudo! Parem todas as “soluções” encontradas até agora para a crise brasileira. Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, Reforma Tributária e reformas em geral. Parem imediatamente! Depois retomamos essas iniciativas discutindo melhor cada uma delas, mas agora...

Parem, que a verdadeira solução é outra! O nome dela é “Dinheiro!” O que o Brasil precisa agora é de muito dinheiro! Bilhões de dólares para investir na geração de emprego, na saúde, na educação, na infraestrutura, no custeio da máquina pública, incentivo e financiamento para pequenas e médias indústrias e empresas em geral, além do apoio aos projetos sérios de grandes exportadoras do agronegócio.

É fácil! É simples! É óbvio! Com dinheiro na mão a gente bota a "locomotiva pra andar" impactando extraordinariamente nossa economia, gerando prosperidade em série e resultados sociais de envergadura que vão assombrar o mundo com um novo "Milagre Econômico Brasileiro!"

Mas, como e onde conseguir tanto dinheiro? Onde encontrar o mapa do tesouro? Ele apontará uma ilha perdida nos mares do sul? Não, não apontará! Esqueçam quaisquer viagens por “mares nunca d'antes navegados.” A situação é mais simples e objetiva. Essa “dinheirama” toda está aqui mesmo no Brasil a palmos dos nossos narizes! Está em rubricas secretas de todas as dotações orçamentárias dos vários níveis da administração pública federal, estadual e municipal. Insisto! São bilhões de dólares, aqui, bem perto, pra gente botar a mão e investir no Brasil.

Rubricas secretas? Previstas na Constituição? Será um mecanismo emergencial para momentos de crise e desemprego? Não, não é isso! Esse dinheiro existe, é nosso, é de grande monta e apenas precisa de determinadas providências administrativas e legais para ser utilizado plenamente. Vamos ver primeiro como é sua contabilidade para entendermos melhor o mecanismo.

Orçamento Paralelo da União nas Últimas Décadas
(Valores ilustrativos)
Conta da Corrupção em Geral 
6.1 Corrupção área da construção civil e empreiteiras – R$ 300 bilhões
6.2 Corrupção área do sistema financeiro S/A – R$ 350 bilhões
6.3 Corrupção área frigoríficos – R$ 150 bilhões
6.4 Corrupção área estatal
(Petrobras, Furnas, BB, CEF, Correios, etc) - R$ 350 bilhões
6.5 Corrupção empresas de todos os tipos – R$ 300 bilhões
6.6.1 Caixa 2 PSDB – R$ 7 bilhões
6.6.2 Caixa 2 PT – R$ 7 bilhões
6.6.3 Caixa 2 PMDB – R$ 7 bilhões
6.6.4 Caixa 2 vários partidos – R$ 7 bilhões
6.7.1 Propina para presidentes - R$ 2 bilhões
6.7.2 Propina para Senadores – R$ 3 bilhões
6.7.3 Propina para deputados – R$ 5 bilhões
6.7.4 Propina para membros do Judiciário – R$ 4 bilhões
6.8.1 Propina para prefeitos – R$ 10 bilhões
6.8.2 Propina para vereadores – R$ 15 bilhões
6.8.3 Propina para governadores – R$ 10 bilhões
6.8.4 Propina para deputados estaduais – R$ 18 bilhões
6.100.1000 "Pequenas" corrupções - 150 bilhões
TOTAL - ( estimativa nas últimas 3 décadas)    -     (4 TRILHÕES)

Viram? Nós temos o dinheiro que o Brasil precisa! Apenas está em mãos e contas erradas. É o dinheiro que financia a corrupção! Para utilizá-lo basta deixar de aceitar passivamente, a partir de agora, sua contabilidade subterrânea, apoiando e cobrando investigações até as últimas consequências e defendendo a “Operação Lava Jato” que verdadeiramente ameaça os corruptos. Seus resultados práticos, rompendo pela primeira vez no Brasil de forma contundente a barreira da impunidade para criminosos de colarinho branco, abriram precedentes de grandes significados que ameaçam o futuro da corrupção em nosso país. Por isso a histeria e artimanhas de bandidos bem vestidos, larápios e “cafetões da corrupção” contra Moro, Dallagnol, Janot, Fachin, a Polícia Federal e outros agentes públicos e instituições responsáveis pelas apurações.

Mas, não são só as verbas da corrupção que podem ter suas finalidades originais restabelecidas. A essa grandiosa "rubrica da corrupção" precisamos somar as dívidas que grandes bancos e empresas têm com o Estado Brasileiro. Essa é a "rubrica do calote!" Só na Previdência o valor é de R$ 426 bilhões de reais, enquanto a "rubrica da sonegação" ultrapassa 600 bilhões em impostos por ano. Em todos os níveis o país é roubado descaradamente, cotidianamente. Freneticamente! 

São muitas as fontes de dinheiro para o país que podem ser identificadas. Elas estão aí saltando aos nossos olhos. As chamadas “pequenas corrupções cotidianas” praticadas pela população também geram grandes prejuízos. A depredação de bens públicos ocasiona a perda de recursos, enquanto a falta de educação e a impunidade resultam em prejuízos financeiros e humanos, no trânsito, nas escolas, nas ruas e bairros de periferia. Tem também a "rubrica do desperdício," "dos privilégios,” “dos..." Eu poderia ficar citando aqui dezenas de práticas que se forem interrompidas ou diminuídas tornarão os gastos públicos mais eficientes e qualificados garantido os resultados previstos para a população. 

Como se vê há vários "baús" escondidos cheios de moedas de ouro e dólares por aí! Essa diversidade de fontes de recursos para financiar nosso desenvolvimento deveria levar confiança ao "Mercado.” Aliás, um "Mercado" robusto, forte economicamente e moderno, mas de pensamento medíocre, tacanho e pueril, que faz vistas grossas para a roubalheira e subestima a importância para a economia, e consequentemente para seus lucros, de se ter um país estável politicamente, organizado, com instituições consolidadas, baixos níveis de corrupção e uma população produtiva, educada e motivada. 

O "Mercado," aqui no Brasil, age como um "politico do baixo clero," um “mercadinho de segunda categoria" em um país periférico dominado por políticos venais subjugados aos seus interesses à base de propina. Na crise, banqueiros e megaempresários se agarram em reformas inoportunas e mal elaboradas, desde que sobrem alguns trocados para seus negócios. Abrem mão de melhores possibilidades. Agem como se desconhecessem que investimentos produtivos estrangeiros, por exemplo, preferem as nações com economias sólidas e modernas social e politicamente. 

Mas, o que fazer agora que descobrimos onde está o dinheiro necessário para debelar a crise em nosso país? Como já citei anteriormente, o combate à corrupção com efetividade é a mais importante condição para viabilizar a utilização desses recursos. Lógica simples demais. Óbvio ululante como diria Nélson Rodrigues. Dinheiro não se evapora no ar. Se não for roubado será aplicado. Se não for aplicado sobrará no caixa do estado até alguém utilizá-lo devidamente ou remanejá-lo para outra área. Esse combate á corrupção precisa ser ampliado através de uma política de estado, com participação da sociedade, incluindo instituições como o Ministério Público, a Polícia Federal, a Justiça, a Receita Federal, entidades empresariais, sociais e sindicais, ong's e a população em geral. O próximo governo brasileiro, eleito, poderá jogar papel fundamental nessa questão.

Campanhas educativas deverão ser realizadas através, e com a participação, da grande imprensa, assim como as redes sociais poderão ser estimuladas a cumprir importante papel. As tecnologias da informação jogarão papel decisivo no controle e fiscalização por parte da sociedade. As pessoas deverão se unir independentemente de suas convicções filosóficas, religiosas ou ideológicas.

Devemos, também, nos mobilizar para mudar hábitos cotidianos. A propina e o desvio de recursos públicos no Brasil envolvem políticos, magistrados, presidentes da república, servidores públicos, empresários, médicos, guardas de trânsito, fiscais de renda, beneficiários de programas sociais, pessoas pobres, da classe média, ricos, bilionários, brancos, índios, negros, descendentes de imigrantes... de norte a sul, de leste a oeste.

A situação é de urgência! Precisamos estancar a sangria imediatamente! É hora de socorrer os milhões de desempregados, gerando empregos. É hora de acolher os doentes nos hospitais, de investir em segurança para defender a população da violência, de reaver o dinheiro roubado e colocar os responsáveis na cadeia. Chega de perder dinheiro para esses "ladrões respeitáveis e bem sucedidos!"

Medidas iniciais, além das ações em curso, precisam ser tomadas pelo poder público e órgãos de controle, mas nós, o povo, não devemos esperar. Podemos criar um conjunto de ações simples mas eficazes para orientar os cidadãos. Se o povo se tornar mais honesto e consciente o ambiente social para os corruptos diminuirá drasticamente. Criar documentos, textos, manuais e aplicativos de celular com orientações e ações que ajudem as famílias brasileiras a cultivarem a honestidade como principio e a resistirem aos apelos da corrupção sistemática que toma conta da vida social. Levar o debate sobre o tema para as crianças, adolescentes e adultos, nas escolas e locais de trabalho. UNIÃO E MUTIRÃO CONTRA A CORRUPÇÃO! Muitos dos males que vemos hoje começaram dentro das casas, no ambiente familiar, nas escolas ou no trabalho.

Deve-se mostrar a todos: ricos, pobres, intelectuais, trabalhadores e à população em geral que a união contra a corrupção nos tornará uma nação mais soberana, mais justa e mais desenvolvida. Os ricos ficarão mais ricos, a classe média fortalecida, os trabalhadores melhor remunerados, os pobres poderão sair da indigência, as empresas serão mais lucrativas, a economia mais sólida, os serviços públicos mais eficientes, os políticos mais respeitados e a população como um todo viverá num país mais seguro em todos os sentidos. Haverá mais educação, mais prosperidade e mais tranquilidade.

Após a realização dessa grande tarefa coletiva o blá blá blá não vai cessar. O debate não vai parar. Além de necessário faz parte da democracia. Haverá esforços para fazê-lo em outro nível. O debate político e ideológico se realizará fora do pântano da corrupção. Temas como modelo de estado, formas de governo, reformas e outras questões candentes poderão ser discutidas com argumentos, ideias e objetivos transparentes. E logo após a crise passar e o Brasil der os primeiros sinais de retomada do crescimento veremos capitalistas e liberais comemorando os resultados econômicos e financeiros como se fossem seus, enquanto socialistas e esquerdistas destacarão os resultados sociais, também como se frutos das suas propostas. Uns dirão, cheios de razão, que o futuro chegou. Os outros, também cheios de convicção, falarão que o melhor ainda estará por vir. Talvez ambos terão razão, não sei. O fundamental nisso tudo é que viveremos num Brasil mais confiante com uma população menos aflita e cheia de esperança.

Sim, outros povos puderam! E nós também podemos! Podemos mudar o Brasil se cada um fizer a sua parte! Eu convido vocês que lêem esse texto a começar já! Não dá para esperar! Não sabem como? Vai aqui uma ideia. Chamem seus filhos, seus irmãos, seus amigos, seus cônjuges ou colegas de trabalho e discutam o mal que os diversos tipos de corrupção fazem a todos nós. O esclarecimento sobre isso já é um bom começo. Será que nosso comportamento não favorece e incentiva a corrupção? E vamos pensar juntos o que podemos fazer em todo o país. Vamos agir! Coloquem sua iniciativas nas redes sociais. Juntem pessoas. Não esperem! A luta contra a corrupção não tem mentores, nem donos. Ela é responsabilidade de todos nós!

Sérgio Taboada: Sou Servidor do Ministério Público Federal.
Não tenho partido, já tive, não quero mais!
Não tenho religião e não terei. Tenho fé!
Escrevo, componho canções, canto mais ou menos e danço muito mal.
Casado, três filhos e três cachorros.
Apartamento e carro financiados.
Apenas um brasileiro preocupado com seu país!

E acreditando, até por obrigação, que vamos vencer!