quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Abwehr

Almirante Canaris

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O Serviço de Informações é o apanágio dos nobres, se
entregue a outros, desmorona.

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Abwehr (Negócios Estrangeiros / Gabinete de Defesa)
    
A Abwehr era uma organização de inteligência militar alemã que existiu de 1920 a 1945. Apesar do fato de que o Tratado de Versalhes proibia os alemães de estabelecer uma organização de inteligência própria, eles formaram um grupo de espionagem em 1920 dentro de seu Ministério da Defesa, chamando-o Abwehr. 

O objetivo inicial da Abwehr era a defesa contra a espionagem estrangeira - um papel organizacional que mais tarde evoluiu consideravelmente -. Para este fim, a Abwehr reuniu informações domésticas e estrangeiras, a maior parte sob a forma de inteligência humana. Sob a direção do General Kurt von Schleicher, as unidades de Inteligência do Serviço Militar foram combinadas e, em 1929, colocadas sob seu Ministério da Defesa, formando a fundação para a manifestação mais comumente compreendida do Abwehr. 

Cada estação do Abwehr, em toda a Alemanha, foi baseada em Distritos do Exército, e mais escritórios foram abertos em países neutros e nos territórios ocupados, de acordo com a expansão do Reich. Quando Adolf Hitler substituiu o Ministério da Guerra pelo OKW e tornou a organização parte do seu "pessoal de trabalho", em junho de 1938, o Abwehr tornou-se sua Agência de Inteligência e o Vice-Almirante Wilhelm Canaris foi colocado à frente da Organização. Sua sede (HQ) estava localizada em 76/78 Tirpitzufer, Berlim, adjacente aos escritórios do OKW. 
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“Será preciso ativar ao máximo o recrutamento e a formação de agentes operacionais – disse o Almirante Canaris. Os agentes operacionais são os pontas-de-lança de todo Serviço de Informações, digno desse nome. Sem eles, fica-se reduzido a colecionar conversas vazias, a efetuar revisões de imprensa escrita e falada, a esperar, atrás de uma mesa de trabalho, que a informação chegue por si mesma, em bandeja de prata.

Isso dito, meus senhores, os operacionais não representam tudo. São necessários especialistas para armazenar a colheita, separar o joio do trigo. Esses especialistas, que são o cérebro de um Serviço de Informações, devem ser altamente competentes, porque não se trata somente de compreender, analisar, resumir as informações recolhidas, é preciso, sobretudo, que sejam capazes de interrogar, de prever. O que nos falta, na Abwehr, haveis compreendido, são homens, e não máquinas. Precisamos de executores, se possível, inteligentes e íntegros, e chefes capazes de conduzir uma partida de xadrez”.
    
As palavras acima, do Almirante Canaris, fazem pensar nas de “Père River”, o célebre chefe do “2 bis” (Serviço de Informações e Contra-Espionagem do Exército Francês) que, para fazer os neófitos compreenderem o essencial de seu novo ofício, declarava: O mistério do SI não está em seus fins, que se adivinham facilmente, nem nos processos desconcertantes para a inteligência humana. Em seu duplo aspecto, o da busca da informação e o da proteção dessa busca, trata-se de utilizar o homem, com suas qualidades e taras, com sua venalidade sórdida ou sua paixão desinteressada em servir.

Basicamente, há um pacto com aspectos variáveis que liga dois homens: ujm Oficial e um Agente... um condutor do jogo e um executante. Isto nos dá uma infinidade de casos particulares, cada um deles constituindo um apaixonante problema humano. A multiplicidade das fontes, a perfeição sempre buscada na arte de subtraí-las às ameaças, o cuidado incansável empregado em orientá-las no sentido das necessidades do momento... Eis o breviário do oficial executivo – o verdadeiro segredo de um Serviço de Informações”

(Texto extraído do livro “Almirante Canaris – O Príncipe da Espionagem Alemã”, de autoria de André Bissaud, editado em 1978 pela Biblioteca do Exército.
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André Brissaud (nascido em  8 de Novembro de 1920, em EpernayFrança ; falecido em  11 de Abril de  1996, em Paris) é um francês historiadorjornalista e autor. Brissaud estudou História e Filosofia na SorbonneParis. Seus livros sobre temas de História Contemporânea foram traduzidos em vários idiomas. Seus trabalhos mais famosos incluem biografias de Wilhelm CanarisBenito Mussolini e Joseph Stalin.   

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Estéfani JOSÉ Agoston disse...

Já li a obra editada pela Biblioteca do Exército, com excelentes publicações que deveriam ser estudadas em todas as salas de aulas brasileiras, substituindo obras já velhas e defasadas da realidade. Anoto ainda que tive um gerente em uma empresa fabricante de veículos, que para minha surpresa era um sósia perfeito de Canaris; aquele aliás, uma excelente pessoa com o qual poderia ter aprendido mais, não foram minha estúpida ignorância e erros cometidos.