terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Etanol, o Combustível


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Cláudio Belodi

Não são raras as ocasiões que articulistas derrapam depreciando o Pró-Álcool como um programa que custou bilhões de dólares ao Brasil, em subsídios.

Poucos falam de uma solução originalmente brasileira, de ganhos econômicos e tecnológicos. A ignabilidade de tratar alguns assuntos é própria de quem não se debruça a analisar números e fatos incorporados no patrimônio nacional. Tal desvirtuamento é muito próprio do interesse de políticas corporativistas.

Iniciemos nossa análise com fatos da vida nacional. Segundo o FMI, em 2015 a renda per capita do brasileiro foi de US$ 15,7 mil, em paridade do poder de compra (purchasing power parity). A atividade de produção do etanol gera um milhão de empregos, com carteira assinada. Isso significa que são somados no PIB mais de R$ 45 bilhões anuais, advindos do combustível etanol.

Na existência do etanol ganhou-se patrimônios nacionais como, por exemplo, a desenvolvimento de motores “flex”, o aumento da produção de veículos, revolução nos cultivares da cana, incremento da mecanização agrícola e notáveis avanços na indústria de base. Por sua vez o país não perdeu crescimento.

Os combatentes do nacionalismo enxergam que o programa foi enfiado goela abaixo naquela época dura. E que ao longo de três décadas, o país teria perdido US$ 30 bilhões em subsídios. A afirmação é válida, como válido devem ser avaliados os benefícios à sociedade brasileira em termos de progresso social, econômico e ambiental. Num país com cumplicidade vocacional para a agricultura, certamente não se pode discordar da importância de um combustível renovável que tem na sua genética componente ambiental, mormente socioambiental.

Na análise do seu custo conclui-se que a parcela social custou US$ 30 mil na geração de cada emprego, em 30 anos, uma bagatela de pão e sardela comparada ao custo de investimento em empregos de outras atividades.

O valor movimentado pela cadeia sucroenergética supera US$ 100 bilhões, sendo que acrescenta diretamente no PIB em torno de US$ 43 bilhões anuais. Disso, beira a 35% a contribuição do etanol, ou seja US$ 15 bilhões, mais de R$ 45 bilhões anuais, acima mencionado. O programa do etanol foi criado numa época que o país não possuía reservas, então, antes de comprometer-se com fornecedores de essencialidades optou em compromissos internos que, mesmo com custos sociais altos para o momento econômico, o legado ficaria como acréscimo no patrimônio nacional.

Tomara que outras ondas nacionalistas voltassem a impregnar nossa economia, estimulando a inovação e a produção, contrapondo-se a onda de corporativismo insensato e lerdo na promoção do bem-estar.

Mundialmente, a aposta no etanol se firmará na transformação do lixo e resíduos orgânicos nesse combustível, a fim de resolver a questão da disposição racional dos rejeitos. Notadamente a tecnologia de produção e utilização do etanol brasileiro contribuirá para a evolução desse propósito.

Pode-se afirmar que o etanol é e será um combustível propulsor da economia, sempre que olharmos com mais nacionalismo e menos corporativismo.

Claudio Belodi é Empresário no setor de Tecnologia e Arquitetura Ambiental. 

3 comentários:

Anônimo disse...

"O patriotismo é o último refúgio dos canalhas". Não é diferente de nacionalismo. Prefiro pensar como Samuel Johnson, a pensar como o senhor Claudio Belodi, que está aqui a defender seu terreiro. Se ele abordasse o tema pelo aspecto do empreendedorismo, tudo bem, mas vir com essa balela de "nacionalismo", em um assunto que deveria ser visto apenas analisando o investimento, a tecnologia necessária, empreendedorismo sério. Com toda a certeza, deve estar torcendo para um incentivo do governo, desoneração, grana do BNDES, tudo com o meu, o seu, o nosso suado dinheirinho. Fala sério!

Anônimo disse...

E mais uma vez os produtores de etanol aparecem com a cara "lambida", com ar inocente, justificando mais um aumento do combustível. Agora é a entre safra, ou seja, já colheram tudo, transformaram a maior parte em açúcar que estava mais valorizado e o brasileiro que usa o combustível que pague o pato. O meu carro usa somente gasolina. Já está porre de tanto álcool misturado que acho que não funcionará mais no ano que vem. Para baratear, não bastaria o governo fazer estoques de álcool ou o Lula já tomou todo?

Anônimo disse...

Nacionalismo? Não seria melhor empreendedorismo? Deixar que o mercado, com leis justas de fiscalização, cuidasse do setor? Do que reclama o empresário do setor, autor do artigo? 25% de álcool misturado à gasolina, obrigando-nos a comprar gasolina batizada não é o suficiente para satisfazer a ganância do setor? O tal álcool não contém também um percentual, ainda que mínimo, de água? Não estamos comprando também água, na gasolina que consumimos?
Sou totalmente favorável à tecnologia do motor a álcool e acho sim que o álcool é excelente alternativa. Só não concordo com o argumento.