segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Mulher nas alturas – 2

Capitã Carla Borges

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ans

Apesar de pouca divulgação na mídia, muitos brasileiros puderam sentir uma espécie de "orgulho compartilhado" quando, em 22/12/2016, Carla Borges, capitã da Força Aérea, se tornou a primeira mulher a pilotar o avião presidencial. Por ironia da história (e nada além disso), o fato não se deu quando o país era governado por uma mulher (que tinha a tola pretensão de personificar o protagonismo feminino), senão agora, quando o chefe da nação é uma figura masculina.

O que vale mesmo, porém, é que a capitã Carla Borges não chegou lá de improviso nem, muito menos, de favor. Chegou, isto sim, pelo esforço consciente na busca de excelência. Ela integrou a primeira turma de mulheres no curso de formação de oficiais aviadores da Academia da Força Aérea (AFA) em 2003. Posteriormente, havendo obtido especialização em Natal (RN), foi a primeira mulher a integrar o Esquadrão Escorpião (1º/3º GAV), sediado em Boa Vista (RR), que emprega o A-29 Super Tucano na defesa das fronteiras.

Em 2011 realizou o "voo solo" (sem instrutor, preparada para dominar a complexidade tecnológica da aeronave) no A-1, avião de caça usado em missões de ataque ar-solo. E foi inovadora ao alcançar a primeira linha da aviação de caça, condição que nenhuma mulher alcançara antes. Ali, ela foi testada, decolando sozinha com a aeronave armada para as missões de ataque e interceptação. E em pouco mais de dez anos de carreira, acumulou mais de 1,5 mil horas de voo no comando de nove modelos diferentes de aeronaves.

Celebremos. Mas sem o elogio vulgar que trata como se fosse "apesar de ser mulher" que ela venceu. Não! Só se salienta ser ela mulher porque, para ela, houve a exigência adicional (que não há para homens) de suplantar preconceitos em relação ao feminino, o que requer da mulher modificar crenças acerca de si mesma.

Ela venceu por acreditar no próprio potencial! Ao contrário das "celebridades" que andam por aí, Carla Borges serve de exemplo pela busca de excelência, pelo aprimoramento que só vem com muito esforço e disciplina e pelo empenho em alcançar metas. Acaso alguém conseguiria mudar dignamente a própria vida por outro meio? O Brasil (nossa inquietação permanente) poderá melhorar sem trabalho disciplinado com ênfase na excelência? Sem superdimensioná-lo, a capitã é um exemplo de que a nação necessita.

Leia o primeiro texto da série em:

http://www.alertatotal.net/2016/12/mulher-nas-alturas-1.html


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

3 comentários:

Anônimo disse...

E as Forças Armadas continuam a perder valores inestimáveis. A primeira "caçadora" já se foi. Está lá em Brasília, acho que na CGU. Certamente ganhando mais que general.

Anônimo disse...

.

acp

INexiste capitã, assim como INexiste caba, sargenta, majora ou tenenta-brigadeira.

É CapitÃO Carla!

acp

.

Anônimo disse...

Capitã, capitão ou capitoa!