terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Timbre de Estadista


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Ao anunciar oficialmente a realização do Concílio Vaticano II, em 25 de janeiro de 1959, o Papa João XXIII foi questionado quanto ao sentido daquele evento tão trabalhoso e previsivelmente longo. Que esperava fazer ele aos 77 anos? O "papa bom" (como era conhecido por sua singeleza, alegria e generosidade) respondeu com um gesto simples e cheio de simbolismo. Sorridente e pausado, o papa abriu as janelas de seu gabinete e disse: "Eis aqui: é para isto!"

Pouco mais de meio século depois, o cristão Michel Temer, aos 75 anos, assumiu a presidência do Brasil. Sendo católico, poderia ter, em João XXIII, um cânone para seu mandato, inclusive porque o "papa bom" foi canonizado em 2014. Encontrará Temer inspiração na figura daquele grande estadista?

João XXIII, nos breves anos de sua liderança, reiteradas vezes voltou à metáfora das janelas. Para ele, o Concílio (síntese de seu pontificado) devia servir para arejar a Igreja, permitindo que uma brisa fresca lhe renovasse o ar viciado: "Abri as janelas para que os ventos da História soprassem a poeira do Trono de Pedro", disse. Conseguiu. Ciente da força do papado (instituição que ele personificava), imprimiu modificações significativas na Igreja.

Michel Temer poderia ter iniciado o mandato adotando medidas que, a um tempo, concretas e carregadas de simbolismo, fixassem um novo padrão e provocassem uma guinada na história do país. Teria exaltado o dístico da Bandeira Nacional, "Ordem e Progresso", que pretende ser lema de sua administração, se, por exemplo, como um dos primeiros atos de governo, houvesse acabado com os indecorosos cartões corporativos, proibindo exorbitâncias com o "dinheiro público". Ou fará sentido que membros do governo disponham de cartão de crédito para, às ocultas, gastar sem limite, sendo a fatura paga pelo contribuinte?

Agora vejam. Os gastos com o cartão corporativo da Presidência não passam por licitação. E cerca de 90% do "consumo" são mantidos sob sigilo, sem detalhamento, protegidos por lei "por motivos de segurança" (sem prestação de conta!). Até quando?

Conforme o site Diário do Poder, Dilma Rousseff, em quatro meses e 12 dias de 2016 (até sair), torrou R$ 2,1 milhões no cartão da Presidência.
Veio Temer e, nos primeiros cinco meses, gastou os mesmos R$2,1 milhões. É verdade, os números de 2017 mostram-se menores do que a obscenidade precedente. Mas não basta. Lula, em seus oito anos de governo, gastou R$ 102,3 milhões com o cartão corporativo. Dilma, em cinco anos e quatro meses, gastou R$ 95,9 milhões. Entre 2003 e 2010 (Lula), a média de gastos foi de R$13 milhões/ano. Já de 2011 até o impeachment (em 12/05/2016), Dilma gastou em média R$ 18 milhões/ano. Na comparação com seu padrinho, ela aumentou em 46,3%. (Mas lembremos que também existem os cartões nas mãos dos ministros - e já tivemos 39 ministérios!).

Para Michel Temer, acabar com os cartões corporativos teria sido um gol de placa, um ato moralizador e carregado de simbolismo que ganharia a confiança da população, um sinal de austeridade no uso do dinheiro do contribuinte que marcaria uma pauta de mudança inclusive para os demais poderes. No entanto, nesse ponto, até agora nada mudou. Seguimos vendo bestificados, aliás, não apenas a orgia dos cartões corporativos, mas condutas perdulárias em todas as esferas da Federação, abrangendo os três poderes.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

4 comentários:

Loumari disse...

Se enredam na vossa ignorância. Por que comparar o incomparável? Não é isso ignóbil?

E que concórdia há entre CRISTO e Beliar? (2 CORÍNTIOS 6:15)

Loumari disse...

Que incrível é isto que a gente gosta muito de ovacionar gentes que contam besteiras!!! Desta mesma gente cuja a Bíblia diz: Julgando-se sábios estando já loucos.
Como também surgiu neste mundo um homem que é considerado como o homem pai da evolução da ciência, que convenceu ao mundo de que o homem descendeu do macaco. O homem é o macaco que evoluir durante os tempos. Se o homem é o macaco que evoluiu, que nos explique, como é isto que ainda há macacos que permaneceram no estado de macaco e não evoluíram todos para a condição humana?

Categoria de gentes que dizem ao Criador que criou tudo isto: obrigado. Agora retira-te que a gente agora toma conta. Somos nós que fixamos as leis e as limitações.
A esta praga Deus, o Criador lhes diz:

E separarei de entre vós os rebeldes, e os que prevaricaram contra MIM; da terra das suas peregrinações os tirarei, mas à terra de Israel não voltarão; e sabereis que EU SOU O SENHOR.
(EZEQUIEL 20:38)


Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma?
(MATEUS 16:26)


OS FALOS PROFETAS

AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de DEUS, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.
Nisto conhecereis o Espírito de DEUS: Todo o espírito que confessa que JESUS CRISTO veio em carne é de DEUS;
E todo o espírito que não confessa que JESUS CRISTO veio em carne não é de DEUS; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há-de vir, e eis que já está no mundo. (aqueles que matam em nome de seu deus o tal de allah e os da maçonaria.)
Filhinhos, sois de DEUS, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.
Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve.
Nós somos de DEUS; aquele que conhece a DEUS ouve-nos; aquele que não é de DEUS não nos ouve.
Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do ERRO.
(1 JOÃO 4 )


E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de Fogo e enxofre, onde está a BESTA E O FALSO PROFETA; e, de dia e de noite, serão atormentados, para todo o sempre.
(APOCALIPSE 20:10)


Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão.
(FILIPENSES 3:2)

Anônimo disse...

Qual o pior? Os que estão presos e sabemos que são marginais ou os que estão eleitos e se fazem de honrados representantes do povo?

Anônimo disse...

Sinais do Reino - Principal - Artigos: (11/01/2017) A vontade de Deus no conclave católico e no "outro" ///// (08/01/2017) A intransigência objetiva e a docilidade pessoal.