quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Trump é a salvação da Democracia?


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Os que tiverem os neurônios funcionando regularmente, com certeza já perceberam que alguma coisa de muito errado está acontecendo com a chamada democracia em todo o mundo, mais fortemente no Brasil, onde todos os seus vícios concorreram para consolidar talvez a pior delas. E isso não seria nenhuma novidade, visto o Brasil já liderar diversos outros “rankings” mundiais em “conquistas” negativas. Sempre é o primeiro ou um dos primeiros em tudo que é ruim para um povo.

Para que se chegue a essa conclusão, será de imensa utilidade  algumas considerações sobre a história da democracia. Nessa “viagem” se verá que a propalada democracia com que os contumazes delinquentes da política enchem a boca para justificar suas ascensões ao poder não é, nunca foi, e jamais será uma verdadeira democracia. Essa pretensa democracia da qual  “eles” tanto se gabam e elogiam é a democracia deturpada, degenerada, corrompida. Deixa de ser democracia, portanto.  Não faz mais jus a esse título.

Aristóteles (385 a.C-323 a.C)  classificava as formas de governo em duas espécies: as PURAS e as IMPURAS. As primeiras (as puras) seriam a MONARQUIA (governo de um só), a ARISTOCRACIA (governo dos melhores) e a DEMOCRACIA (governo do povo). Já as segundas (as impuras),se resumiriam na TIRANIA, na OLIGARQUIA e na DEMAGOGIA, as quais significariam para o filósofo, respectivamente, a corrupção de cada uma  das formas puras de governo. Assim, a monarquia seria corrompida pela tirania; a aristocracia  pela oligarquia; e finalmente a democracia pela demagogia.

Todavia Aristóteles somente abriu caminho para outros pensadores do  futuro  desenvolverem mais essa classificação. E foi com Políbio, quase dois séculos após, (203 a.C-120 a.C), grande historiador  e geógrafo da Grécia Antiga, que ela deu mais um gigantesco  salto. Políbio manteve a classificação aristotélica, ressalvada a forma impura antes chamada de DEMAGOGIA, substituindo-a por OCLOCRACIA. Apesar de ambas se referirem à degeneração da democracia, sem dúvida a de Políbio foi mais completa. A OCLOCRACIA estaria incluindo a demagogia, que são aqueles artifícios empregados pelos políticos safados somente para agradar e conquistar voto.

Mas além da demagogia, a oclocracia incluiria outros vícios da democracia, especialmente as baixas virtudes dos eleitos e do seu respectivo eleitorado, “atraindo-se” reciprocamente.  Portanto ,mediante esse pequeno  reparo, a classificação do historiador grego ficaria mais completa. Políbio viveu bom tempo em Roma. Com base nos estudos que ali fez sobre a estrutura política de Roma ,e em virtude da própria experiência, Políbio concluiu que o melhor sistema de governo seria uma COMBINAÇÃO entre as três formas puras de governo (monarquia, aristocracia  e democracia).

No que consistiria a OCLOCRACIA preconizada por Políbio? Resumidamente pode ser dito que a oclocracia seria uma democracia meramente formal, desprovida de qualquer substância, mesmo sem essência, praticando-a a massa carente de consciência política, ignorante, despolitizada, alienada das causas da sua própria desgraça. Essa massa seria presa fácil para os trapaceiros da política com boa capacidade de convencimento. A “política” praticada nesse sistema corrompido sempre é acionada mais pela língua e pelos ouvidos do que pelo cérebro. O pior é que não foi somente a política que foi contaminada por essa deturpação da inteligência. Muitas religiões seguem o mesmo ritmo. Todos se aproveitam da boa-fé, ingenuidade e ignorância do povo.

Também se deve à Aristóteles (Tratado de Política) a assertiva segundo a qual “não importa a forma de governo, o importante é a virtude no seu exercício”. Outra sentença importante do pensador: “São os costumes democráticos que fazem a democracia ,e os costumes oligárquicos que fazem a oligarquia. Quanto melhores os costumes, melhor também é o governo”. A bem da verdade, parece que os antigos entendiam  bem mais de política do que os “modernos”.

Sem dúvida a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos conflita radicalmente com a democracia degenerada (oclocracia) que se pratica no mundo moderno, e que também era praticada por lá.  A surpresa está em que  o rompimento com a oclocracia tenha se dado exatamente no país que serve como “norte” da democracia (?)  para o mundo ,mas que até a eleição de Trump escolhia os seus presidentes como se fossem artigos  de consumo muito desejados na sociedade capitalista ,produzidos com muita competência pelos marqueteiros.

Donald Trump é exatamente o oposto do padrão de consumo  exigido nas oclocracias. Todas as acusações que os “democratas” do mundo inteiro estão  lançando  sobre ele após  a sua vitória  são procedentes. Mas aí é que reside o seu mérito democrático.  Nos Estados Unidos não lhe deram nem uma semana para governar e já começaram os “tiroteios” sobre ele. Mas o que é certo é que esse “titoteio” parte justamente daqueles que contaminaram a democracia americana com tanta estupidez que a transformaram  em oclocracia, a exemplo de tantas outras partes do mundo também impregnadas desses vícios.

Trump, sem dúvida, não é simpático. Nem é bom de discurso. Não diz só  o que os eleitores gostam ou querem ouvir. Não é o tradicional “bonitão”. Não costuma dar “tapinhas nos ombros” dos eleitores”. Não ri tão “solto” como aquele a quem sucedeu. E  por aí vai. Bem a contragosto da oclocracia, Trump diz o que realmente pensa, faz o que deve ser feito e tem coragem para denunciar  o que acha que o seu país e o mundo têm hoje de errado. Gostem ou não.

Nesse ponto não poupa nem mesmo a “sagrada” Organização das Nações Unidas-ONU, impregnada de elementos com todos os vícios (procedentes)  que ele aponta, e hoje a maior responsável pela tragédia vivida por alguns países especialmente  da Europa frente à invasão muçulmana, feita exatamente à luz da “democracia”, das “liberdades” e dos “direitos humanos” estúpidos defendidos nessa organização. Nesse ponto a ONU consagra a desordem e mesma a “bagunça” que anda pelo mundo, retirando dos diversos povos o sagrado direito de definir o que mais lhes convém, particularmente na política de migrações externas.

É claro que os Estados Unidos não deverão nem poderão  prejudicar os direitos dos outros países, mas Trump tem razão em priorizar  os direitos do povo americano  frente aos outros. Isso ele deixou claro no seu discurso de posse. Todos deveriam fazer o mesmo. Nenhuma anormalidade existe nessa atitude. Em suma, essa postura é uma obrigação que ele tem frente a seu povo.
Fruto da política externa dos Estados Unidos, banhada de muita demagogia e irresponsabilidade com o povo americano, ao lado de muito  assistencialismo exacerbado  demagógico, andou sendo distribuído pelo  mundo, às custas do seu povo, muitas benesses indevidas. A eventual alegação de que por muito tempo os Estados Unidos “exploraram” outros países com seus negócios (o “famigerado” imperialismo), não teria grande fundamento porque  esse tipo de procedimento se faz normalmente até entre as próprias empresas e mesmo pessoas naturais dentro de um mesmo país.

A “competição” é praticada  hoje em todo o mundo. As pessoas competem, os países competem. Bondades, altruísmo e filantropias “internacionais”  demasiadas ,além das possibilidades, sempre levam empresas e países à inevitável  falência. Trump viu essa realidade e com ela não concordou. Essa política não só deixava de beneficiar o povo americano, como o estava prejudicando seriamente. O destino dos Estados Unidos seria a inevitável falência, jogando fora tudo o que aquela sociedade nacional construiu durante séculos de muito trabalho ,esforço e competência. Seria  justo prosseguir essa distorção na política externa americana, prejudicando a interna?

Oxalá o grito de independência dado pelo povo americano em relação à oclocracia que o dominava até 20 de janeiro de 2017, e ainda domina outras partes do mundo, surta algum efeito no sentido de incentivar outros gritos de independência. No Brasil a oclocracia é muito mais intensa que nos Estados Unidos. Aqui são levados a legislar e a governar justamente a pior escória da sociedade. E a sociedade brasileira somente se livrará dessa corja a partir do momento em que também sepultar a sua própria oclocracia.


Sérgio Alves de Oliveira é Advogado e Sociólogo.

2 comentários:

Loumari disse...

Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.
(1 TESSALONICENSES 5:3)

Anônimo disse...

"Trump é a salvação da Democracia?"

Isso é irrelevante, o importante mesmo é a guerra ...que fatalmente virá... Ele (e todos o que ainda possuem um cérebro) já percebeu isso...
A civilização ocidental, a raça humana na face da terra, liberdade (entenda-se aqui liberdade em todo o seu sentido, não apenas a de expressão)... Os EUA é o único país no mundo, que saberá o que fazer, quando a guerra começar, não se trata de política, nem de "pequenos direitos" (dos tolos), mas algo que foi muito bem montado e arquitetado, e, que em breve vai acontecer...
O dinheiro e a riqueza instantânea não são os únicos interesses...
Ladrões (de galinha) como o Lula, e doentes mentais como a Dilma, não possuem a menor noção, daquilo que "eles" (lá fora) querem realmente...
Trump está preparando os EUA (e os americanos), para o inevitável...
Mas a maioria (que dorme) ainda não entendeu isso...