segunda-feira, 27 de março de 2017

A Ditadura do Proletariado na Rússia


Aqui no Brasil, Lenine, o cantor, se diz traído pelo PT...

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é um dos capítulos do livro “A Luta de Classes na União Soviética”, escrito porCharles Betelheim, editora Paz e Terra. Charles Bettelheim (20 de Novembro de 1913 - 20 deJulho de 2006) foi um economista e historiador francês. Fundador do CEMI ("Centre pour l'Étude des Modes d'Industrialisation" - Centro para o Estudo de Modos de Industrialização) na Sorbonne;foi também consultor econômico em governos de vários países em desenvolvimento durante a descolonização. Foi muito influente na Nova Esquerda Francesa, e é considerado "um dos mais notáveis marxistas do mundo capitalista" (Le Monde4 de Abril de 1972) em França, mas também em EspanhaItáliaAmérica Latina e Índia.

“A BOSTA DE BOI É MAIS ÚTIL QUE OS DOGMAS. SERVE PARA FAZER ESTRUME” (MAO-TSETUNG)

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Em fins de 1921, ao fazer o balanço da obra proletária da Revolução Russa, Lenin ressaltou que o aspecto central dessa obra foi a instauração da ditadura do proletariado.
    
O meio século transcorrido desde a formulação dessa tese confirma amplamente que a Revolução Russa inaugurou uma nova época na história da humanidade: a época da ditadura do proletariado, das lutas revolucionárias dos povos oprimidos, a época em que o capitalismo e o imperialismo sofrem suas maiores derrotas.
    
Essa tese de Lenin não quer dizer, evidentemente, como acabamos de ver, que a obra proletária da revolução tenha sido concluída na Rússia e nem que as conquistas de Outubro de 1917 sejam “definitivas”. Ao contrário, Lenin insistia constantemente na “fragilidade” e na “imperfeição” da forma de realização da ditadura do proletariado na Rússia. Salientava que a consolidação do Poder Proletário exigia ma estreita ligação com as massas, uma linha política correta e uma revolução profunda no aparelho estatal existente, o qual, segundo ele, deveria ser novamente destruído.
    
Já durante o “comunismo de guerra”, Lenin reconhecera que a forma do Poder Proletário concebida antes de Outubro, não havia sido realizada, e que os Sovietes não eram órgãos animados pelas massas trabalhadoras, mas órgãos que funcionavam para os trabalhadores.
    
E, a 27 de março de 1922, no discurso de abertura do XI Congresso do Partido Bolchevique, volta a essa mesma idéia: 
    
“Talvez nosso aparelho – do Estado – seja mau, mas dizem que a primeira máquina a vapor também era má, e ignora-se mesmo se ela funcionava. Isso não é o essencial. O essencial é que a máquina tenha sido inventada. A primeira máquina a vapor era inútil por causa de sua forma. Que importa! Em compensação, temos agora a locomotiva. Nosso aparelho estatal é francamente mau. Que importa! Ele foi criado, é uma imensa obra histórica, um Estado do tipo proletário foi criado”.
    
Em 1923, no último texto escrito para ser publicado, Lenin vai mais longe: não apenas constata que o aparelho estatal existente não é verdadeiramente socialista, e acrescenta: “O mais prejudicial seria crer... que possuímos um número mais ou menos considerável de elementos para edificar um aparelho verdadeiramente novo, e que mereça, de fato, o nome de aparelho socialista soviético”
    
Após cinco anos de revolução, parece, portanto, que a forma de realização da ditadura do proletariado n Rússia, é quase soviética – no sentido exato – e que o aparelho estatal é quase socialista. Em conseqüência, a natureza proletária do Poder é fundamentalmente determinada pelo caráter proletário do partido dirigente e pelas relações que esse Partido é capaz de desenvolver com os elementos avançados da classe operária e das massas populares.
    
Esse caráter proletário também é frágil. Em virtude do rápido aumento dos seus efetivos e do ingresso de elementos politicamente pouco formados, em suas fileiras, não é mais a composição do Partido que determina seu caráter proletário. Em 1922, Lenin, como vimos, insistia nessa idéia na carta dirigida a Molotov, em 26 de março, com o fim de fazer uma comunicação ao Comitê Central, e na qual afirma: “Nosso Partido é hoje menos educado politicamente em geral e em média – se considerarmos o nível da imensa maioria de seus membros – do que seria necessário a uma direção efetivamente proletária num momento tão difícil...”.
    
E ressalta na carta – convém lembrar – que “a política proletária do Partido é determinada não por seus efetivos, mas pela autoridade imensa e sem restrição desta camada muito reduzida que se pode chamar a velha guarda do Partido”. 
    
O que caracterizou a forma transitória da ditadura do proletariado na Rússia, foi, portanto, o fato de sua existência estar estreitamente ligada à obra revolucionária realizada pelas massas populares russas, sob a liderança do Partido Bolchevique, às relações de confiança que – no correr dos anos – foram assim estabelecidas entre a direção do Partido e os elementos avançados das massas, e à capacidade adquirida por essa direção de enfrentar certos problemas suscitados pela luta contra a burguesia. Essa forma transitória de ditadura do proletariado é, porém, frágil, pois a direção do Partido, pouco numerosa, está dividida e, sobretudo por várias vezes, a maior parte de seus membros deu provas da facilidade com que se deixavam influenciar por idéias oportunistas de direita ou de esquerda, e por tendências nacionalistas.
    
O significado desse elemento de fragilidade não deve, contudo, ser superestimado. A experiência história mostra que, em diversos momentos que, os defensores de uma linha proletária estejam em minoria, mesmo no seio da direção de um partido marxista revolucionário, o essencial é que os elementos revolucionários proletários possam, por fim, fazer prevalecer suas idéias e tomar, ou retomar, a tempo, a direção do Partido.
    
Essa oportunidade existia no Partido Bolchevique, como mostra o fato de que, mesmo estando, de início, em minoria, o ponto de vista de Lenin sempre triunfava.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Anônimo disse...

Mais um traído pelo PT? Como diria o Tiririca: "Bem feito abestado".