sexta-feira, 3 de março de 2017

A Missão Histórica dos Comunistas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Qual é, em face do processo inscrito na necessidade histórica, e em relação ao proletariado, a missão histórica dos comunistas? Eles limitam-se a estudar os fatos sociais, tentam compreender e verificar suas transformações, e deduzir dialeticamente o sentido e a cadência das mudanças que virão, a mostrar aos trabalhadores desigualmente preparados para a luta, o fim integral a que deve tender o movimento.
    
Qual é, pois, a relação dos comunistas com o proletariado?
    
Segundo ADLER, “O comunismo unifica, no tempo, o esforço proletário por uma energia clarividente”. Clarividente porque, em virtude de uma espécie de revelação, de iluminação mística, embora contendo algo de racional, portadora de um método superior de conhecimento, que permite saber para onde caminha a História. Arthur Koestler, húngaro, nascido em Budapeste em 1905, é autor de ‘O Zero e o Infinito’. Nesse livro, ele põe nos lábios de seu herói, Roubachov, as seguintes palavras: ‘Os outros, que conhecem da História? Ondulações efêmeras, pequenos redemoinhos e vagas que se desfazem.

Admiram-se das formas cambiantes da superfície, não sabendo explicá-las. Nós, porém, descemos das profundezas às massas amorfas e anônimas que, em todos os tempos, constituem a substância da História. Fomos os primeiros a descobrir as leis que lhes regem os movimentos, as leis de sua inércia, as das tantas transformações da sua estrutura molecular e as de suas repentinas erupções. Essa é a grandeza da nossa doutrina”
     
A ética e o realismo comunistas consistem, desde então, em “Colocar o pensamento científico a serviço do proletariado”.
    
Nada impede a um intelectual burguês – um ENGELS, por exemplo – de elevar-se, como diz o Manifesto, “à custa do trabalho (...) até à inteligência teórica do conjunto do movimento histórico”, e de tornar-se comunista. Outrora, parte da nobreza bandeou-se para a burguesia. Hoje, da mesma forma, parte da burguesia passa para o lado do proletariado. A respeito desses “saltos de qualidade”, diz o Manifesto: “Nas épocas em que a luta de classes se aproxima do momento decisivo, o processo de desagregação assume, no interior das classes dominantes, caráter não violento e não brutal, que uma pequena fração dessa classe dominante se desprende para unir-se à classe revolucionária, que tem nas mãos o futuro”.
     
Os comunistas são censurados por quererem destruir a propriedade, a liberdade, a individualidade, a cultura, o Direito, a família, a Pátria, a moral e a religião. Ou seja, a superestrutura. A ciência marxista, todavia, não reconhece verdades eternas, pois o materialismo histórico não afirma que a superestrutura é um mero reflexo da estrutura, ou seja, da vida material? Que à toda mudança na existência social dos homens, corresponde a uma mudança na sua consciência?
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Observação: ALFRED ADLER é filho de judeus húngaros, Formou-se em Medicina, Psicologia e Filosofia pela Universidade de Viena. Praticou clínica geral antes de se dedicar à Psiquiatria. Em1902 foi trabalhar com Sigmund Freud, realizando pesquisas no campo da psicanálise. Mais tarde, desliga-se dele por considerar o fator sexual superestimado por Freud.
    
ADLER é o fundador da Psicologia do Desenvolvimento Individual. Segundo sua teoria, o meio social e a preocupação contínua do indivíduo em alcançar objetivos preestabelecidos são os determinantes básicos do comportamento humano, o que inclui a sede de Poder e a notoriedade. Os complexos de inferioridade, provocados pelo conflito com o envolvimento social, podem traduzir-se numa dinâmica patológica (psicoseneurose), que deve ser tratada de um ponto de vista psicoterapêutico.
    
ADLER também se ocupou da orientação da criança como método preventivo na psicologia médica. Com o apoio do governo austríaco, abriu centros de orientação infantil em escolas de Viena, Berlim e Munique. Entrevistas públicas de orientação familiar, seguidas de discussões, disseminaram seus métodos e teorias, especialmente entre educadores. Realizou inúmeras conferências na Europa e Estados Unidos. Em 1930, seus esforços para divulgar sua doutrina de interesse social diante do totalitarismo europeu, marcaram-no mais como pregador do que como cientista.
    
Morreu quando se encontrava em AberdeenEscócia, ministrando um curso de Psicologia. Merece lugar de destaque no movimento psicanalítico pela importância que deu ao fator da agressividade.
    
Em seu livro intitulado "What Life Should Mean to You", ADLER afirma: "É o indivíduo que não está interessado no seu semelhante quem tem as maiores dificuldades na vida e causa os maiores males aos outros. É entre tais indivíduos que se verificam todos os fracassos humanos.
    
Uma das maiores contribuições de ADLER para a Psicologia foi seu postulado do complexo de inferioridade e de nossa necessidade de compensar nossos sentimentos de inferioridade. No sistema adleriano, o processo de luta por superioridade foi uma significativa reformulação do conceito de vontade de poder de Nietzche.

Os conceitos de metas de vida, estilo de vida e poder criativo do indivíduo são importantes contribuições holísticas à Psicologia. A ênfase de Adler no interesse social, na cooperação e nos efeitos da sociedade sobre as diferenças de gênero, mantém sua teoria enraizada em um contexto social”.  


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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