quinta-feira, 9 de março de 2017

O Culto da Personalidade


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

 Mais um trecho da obra de Michael S. Voslensky: “A Nomenklatura - Como Vivem as Classes Privilegiadas na União Soviética”. Editora Record – 4ª edição, 1980.

“O CONTRIBUINTE É O ÚNICO QUE TRABALHA PARA O GOVERNO SEM TER QUE PRESTAR CONCURSO” (Ronald Reagan)

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O culto da personalidade do Secretário-Geral é uma manifestação exterior da segunda fase da concentração do Poder em suas mãos. Esse culto é o privilégio exclusivo do chefe supremo da classe dos nomenklaturistas.

Existe, bem entendido, uma tendência ao culto dos Primeiros-Secretários das repúblicas federadas, das regiões, das cidades e dos distritos: são feitas apreciações lisonjeiras sobre os talentos do dirigente local da Nomenklatura, mas este evitará deixar-se levar por essa onda impetuosa de admiração fingida, pois isso é o apanágio do Secretário-Geral.

Seu direito exclusivo ao culto da personalidade se reforça com o passar dos anos. Na década de 40, era ainda comum fazer menção dos Primeiros-Secretários das repúblicas federadas, das regiões, das cidades e dos distritos em termos elogiosos nos documentos oficiais das instâncias correspondentes do Partido, mas, em nossos dias, isso seria inconcebível. Para os nomeklaturistras, o culto de Lenin serve de referência, toma, por vezes, dimensões grotescas, e torna-se objeto, na União Soviética, até de brincadeiras muito engraçadas.

A despeito disso, cada Secretário-Geral se esmera, na sua qualidade de chefe supremo da classe dos nomenklaturistas, em promover o culto de sua própria pessoa. Na situação ideal, atingida somente por Stalin, faz-se dele o par de Lenin. No livro, cheio de ingenuidades, que dedicou a Stalin, Henry Barbusse recorreu a uma expressão feliz para apresentar o fenômeno: “Stalin, é Lenin hoje”. 
    
No caso de escola, o culto do líder vivo substitui o do falecido.. Desaparecidos Marx e Engels, Lenin passou a figurar como o verdadeiro deus-vivo do marxismo. Mas, por sua morte, era preciso encontrar alguém para tomar o seu lugar. Mas quem, então? Evidentemente o nomenklaturista número um, o Secretário-Gral do Comitê Central do Partido. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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