domingo, 19 de março de 2017

O fim da hipocrisia


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Paulo Nogueira Batista Júnior

‘A hipocrisia é a homenagem do vício à virtude”, dizia La Rochefoucauld. Bem, a hipocrisia certamente não figura entre os defeitos do novo presidente dos EUA, Donald Trump. Em contraste com muitos dos seus antecessores e vários líderes do mundo ocidental, Trump se destaca pela clareza e pela sinceridade. Para bem e para mal, ele desconhece o valor e a utilidade da hipocrisia.

A sua declaração, no discurso de posse, de que em seu governo o lema seria “America first”, foi recebida com uivos de indignação em diversos países e mesmo dentro dos EUA. Ora, ora, em que Trump é diferente dos seus antecessores nesse particular? Para os americanos, o lema sempre foi “America first”. E, por isso, aliás, chegaram aonde chegaram. A única diferença é que Trump proclama esse princípio em alto e bom som.

Outra declaração típica: “Os EUA estão outra vez preparados para liderar” (no primeiro discurso de Trump ao Congresso). Nada de novo. Todos os presidentes americanos, inclusive Obama, sempre repetiram esse mantra. Faz parte da psicologia básica dos líderes políticos americanos a necessidade, diria, compulsiva, de declarar liderança — quando, evidentemente, a liderança tem que ser reconhecida e aceita pelos candidatos a liderados, e não anunciada urbi et orbi pelo candidato a líder...

Mas, enfim, Trump tem toda a razão quando diz ao Congresso: “A minha tarefa não é representar o mundo. A minha tarefa é representar os Estados Unidos da América”. Em todo o planeta, inclusive aí no Brasil, sempre existiu um grande número de iludidos que olhavam para o governo dos EUA como referência e fonte de orientação. A esses, Trump explica: “A América respeita o direito de todas as nações de definir o próprio caminho”. Em outras palavras: cuidem dos seus próprios interesses; eu fui eleito para cuidar dos interesses dos Estados Unidos. No discurso de posse, ele foi ainda mais longe ao reconhecer que “é direito de todas as nações colocar os seus interesses em primeiro lugar”.

Isso tudo é de uma obviedade constrangedora, eu sei, mas o fato é que durante décadas fomos alimentados pela ideia de que, num mundo “globalizado”, as nações estariam desaparecendo e que todos seríamos, de alguma forma, participantes de uma “sociedade mundial”. Os Estados Unidos sempre foram grandes propagadores dessas ilusões. Posso imaginar a desorientação dos que acreditaram na hipocrisia anterior.

Não quero aqui discutir se a franqueza de Trump serve aos interesses dos EUA como grande potência. A hipocrisia tem as suas funções, afinal. Não é por acaso que o vício homenageia a virtude. Mas os americanos que cuidem dos seus interesses. O Brasil é que nos interessa, em primeiro lugar.

Aos brasileiros caberia, no meu entender, observar bem o que está acontecendo no resto do mundo. E, sem cair na xenofobia, na aversão ao estrangeiro e na hostilidade irracional para com outros países, reconstruir o sentimento de nação — sentimento que vem sendo profundamente abalado pela polarização cretina que tomou conta do nosso país nos anos recentes.

Desculpe, leitor, se resvalei para uma linguagem agressiva. É que, mesmo estando aqui do outro lado do mundo, é difícil não se exasperar com o rumo que o Brasil vem tomando de uns tempos para cá.

Paulo Nogueira Batista Jr. é vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, sediado em Xangai, mas expressa seus pontos de vista em caráter pessoal. Originalmente publicado em O Globo em 17 de março de 2017.

3 comentários:

Anônimo disse...

A reclamação de Trump dirigida a Temer,conforme a ilustração, sobre a "porra de carne' vendida pelo Brasil aos EUA,tem antecedentes muito "interessantes",envolvendo o seu "amigo" Obama,o polêmico "ex". Não faz muito tempo a então Presidente Dilma pegou a Airbus Presidencial e viajou aos "States",cumprindo uma agenda que incluia (creio que foi a principal) a venda de carne brasileira para os americanos comerem (ou se envenenarem?). Na oportunidade escrevi aqui para o "Alerta" o texto "Carne de Museu",onde abordo essa viagem presidencial,cujo maior interessado seria também o maior exportador de carnes do Brasil,a tal FRIBOI,que dizem as "más línguas" seria propriedade maquiada da Família "Da Silva". Tudo fecha direitinho,não? Sérgio A.Oliveira.

Loumari disse...

Cento e noventa e cinco (195) anos depois, ESTE É O PAÍS. ESTE É O PAÍS.

Anônimo disse...

PIOR DO QUE ISSO E DOIS ISSO. O MEQUETREFE APOIADOR, DIVULGADOR E ESCONDEDOR DOS VAGABUNDOS DELINQUENTES DE SEU PARTIDO PORQUE ESTAO TODOS CAPITANEADOS POR ELE PARA PODER PASSAR TUDO QUANTO E PODRE ATRAVEZ DO CONGRESSO. NAO SE DEU AO TRABALHO DE FELICITAR O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS QUANDO GANHOU AS ELEIÇOES. FOI INTERPELADO PELO MESMO PORQUE DEVIDO A FALTA DE EDUCAÇAO DO NOSSO O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS MOSTROU QUE ESTA ATENTO A TUDO QUANDO E PUTARIA E SEM VERGONHICE PATROCINADA PELA RAÇA VAGABUNDA VERMELHA DOS TRES PODERES. ELE NAO SO DEFENDERA SEU PAIS COMO JAMAIS DEIXARA NOSSO PAIS CAIR NAS MAOS DOS VAGABUNDOS VENDILHOES DA PATRIA DOS TRES PODERES QUE QUEREM VENDER O RESTO PARA QUALQUER UM. APOSTO QUE AGORA COM ESSA MUTRETADA TODO UNCLE SAM VAI FICAR EM ALERTA VERMELHO CONTRA A CAFAGESTAGEM POLITICA BRASILEIRA VINTE E QUATRO HORAS POR DIA. TOMARA, TOMARA MESMO QUE ELE MANDE OS MARINES BOTAR O NOSSO PAIS EM ORDEM. ESSA SERIA UMA SAIDA MAIS DO QUE EXCELENTE PARA O BRASIL. O PRESIDENTE AMERICANO PODERIA MUITO BEM OLHAR PELO BRASIL.NOS NAO TEMOS NINGUEM ALEM DOS JUIZES DE CARREIRA MORO PARA OLHAR POR NOS E DEUS. PORTANTO SE DEUS E BRASILEIRO COMO DISSE NAO ESTE PAPA DA AMERDICA DO SUL MAS O PAPA QUE ERA A CARA DO PAIS JOAO DE DEUS ELE, DEUS VAI AJUDAR O PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS PARA OLHAR POR NOS PARA QUE A FAVELA BRASIL NAO SE DESCLASSIFIQUE MAIS A DEPENDER DA VAGABUNDAGEM VERMELHA.