segunda-feira, 13 de março de 2017

Prioridade Zero


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por José Padilha

Em minhas duas últimas colunas, escrevi acerca do que chamei de mecanismo. Ao fazê-lo, defendi uma tese: a de que a política e a administração pública brasileiras se organizam em função de uma estrutura de exploração do contribuinte por quadrilhas de políticos e de fornecedores do Estado.

Argumentei que essa estrutura afeta negativamente a economia do país, dado que seu mecanismo de funcionamento é incompatível com princípios básicos da boa administração, tais como a transparência e a eficiência no controle de custos. Além disso, disse que o mecanismo afeta negativamente a qualidade da administração pública, dado que ocupa os cargos-chave da administração com seus operadores e não com profissionais qualificados.

Acrescentei ainda que o fato disso ocorrer em todos os níveis da administração pública explica, pelo menos em parte, a situação falimentar recorrente de quase todos os municípios, estados e do governo federal, além de explicar a baixíssima qualidade da Segurança, da Saúde e da Educação pública. Sugeri ainda que os problemas que o mecanismo traz para a administração pública faz com que o país tenha uma propensão estrutural ao desequilíbrio nas contas públicas e que isso pode estar por trás dos recorrentes ciclos econômicos brasileiros.

Não propus, evidentemente, uma teoria geral dos ciclos econômicos. Me ative apenas aos tais voos de galinha do PIB nacional, fenômeno eminentemente tupiniquim. Finalmente, afirmei que o mecanismo não tem caráter ideológico, operando em todos governos, sejam eles de esquerda ou de direita, do PT, do PSDB, do DEM ou do PMDB.

Pois bem, a minha tese suscitou uma série de comentários em artigos e em posts na internet. Ótimo, um dos meus objetivos é gerar debate. Todavia, muitos comentários me pareceram preocupados com questões marginais, que ao meu ver apenas mistificam a situação grave em que o país se encontra. O fato do mecanismo ter existido em governos anteriores ao de Lula desculpa a corrupção do PT? O fato do PT ter exacerbado o impacto do mecanismo desculpa a corrupção do PSDB? Estas e outras questões de caráter político, ético e moral nada tem haver com a veracidade ou com a falsidade da tese que defendi.

A minha tese é verdadeira se o mecanismo existir e causar os problemas que atribui a ele, e falsa se este não for o caso. Note ainda que se o mecanismo existir, as questões colocadas acima são marginais. Neste caso, a prioridade dos formadores de opinião deveria ser a defesa de medidas que enfraqueçam ao mecanismo mesmo que estas medidas afetem negativamente a seus partidos e políticos preferidos, posto que na vigência do mecanismo não há democracia nem crescimento econômico de fato.

José Padilha é Cineasta.

2 comentários:

Anônimo disse...

Matou a pau. Falou e disse. Sem espaço para tergiversações.
O poder de mudança está com os políticos. Eles não farão leis para se açoitarem.
Esse é o nó gordio.
Tamo fudidos ...
Acordão vem aí ...
Sim, quanto aos ciclos econômicos. Temos tidos várias tentativas de alçar voo, diga-se crescimento sustentátel, o problema é o tipo de ave: G A L I N H A.
NÃO VOA.
SOLUÇÃO: MUDAR DE AVE.
E aí? Quem se candidata?
Se cairmos na armadinha da ... ASSEMBLÉIA NACIONAL CONSTITUINTE!!! Aí teremos o socialismo implantado de fato e de direito. Vide Venezuela. QUE SINA!!!

Anônimo disse...

O artigo só tem um problema: o que o articulista chama de "mecanismo", na verdade, é o que se chama de "comunismo". Em todo país comunista, o estado incha, existe corrupção em todos os setores.

Então, diferente do que Padilha afirma, o "mecanismo" tem viéis ideológico sim.

Se não enfrentarmos o verdadeiro problema, o comunismo e sua inversão de valores, e os culpados pela difusão de tal ideologia doentia (o que inclui todos os partidos políticos brasileiros), não há como resolver o problema. Estaremos perseguindo fantasmas, não culpados "de carne e osso".