sábado, 25 de março de 2017

Qual o Marxismo adotado pela Teologia da Libertação


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo, altamente científico,  foi transcrito do livro “O Marxismo na América Latina – Uma Antologia de 1909 aos Dias Atuais”, escrito por Michael Lövy.

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Os teólogos da libertação assumem “certo tipo” de marxismo – e excluem outros de forma implícita, e às vezes explicitamente.
    
Entre os marxismos possíveis existe uma negação unânime do “materialismo dialético”. Nenhum dos teólogos da libertação aceita o materialismo de Engels na Dialética da Natureza, nem o de Lenin, Bukharin ou Stalin, como “filosofia”. Marx é aceito e adotado como crítico social. O próprio acesso a Marx é duplo; por um lado, pelas leituras secundárias; por outro, principalmente no início, por meio do “jovem” Marx – até o Manifesto de 1848 -.

Na primeira geração de teólogos, a influência francesa foi determinante. De J. Maritain passou a E. Mounier, e daí, ao pensamento de Lebret, em Economia e Humanismo. Teilhard de Chardin também inspirou o pensamento dessa época. Mas Marx chega por meio da Revolução Cubana, em 1959, e por isso, a leitura simultânea: o jovem Marx, obras de Che Guevara, Gramsci e Lukacs. Veremos depois essa influência em cada um dos teólogos. Isto é, um Marx “humanista”- de acordo com a denominação da época -, não dogmático, nem economicista e nem materialista ingênuo.

Os padres Cardonel e Blanquart,  franceses, também influem na primeira “recepção” do marxismo na futura Teologia da Libertação. Não houve acesso ao Marx “definitivo” – a partir de 1857 e, como veremos, será pouco freqüente até hoje -.
    
Posições como as de Korsch, Goldmann ou mesmo Trotski – embora indiretamente no caso deste último – não influenciaram a Teologia da Libertação. Em compensação, várias correntes se fizeram presentes desde 1968.
    
Além da de Antonio Gramsci, já indicada – e que crescerá com o tempo, mas presente desde o início -, a primeira linha é a da Escola de Frankfurt, encontrada principalmente no Marcuse “americano”, e utilizada difusamente pelos demais. O pensamento de Bloch também causa impacto global nas questões sobre a utopia e a esperança. E, em particular, a obra de Althusser, traduzido pedagogicamente por Martha  JKarnecker, em suas famosas obras (Conceitos Elementares do Materialismo Dialético, México, 1974, com mais de 50 edições), não influenciará apenas a Teologia da Libertação, mas a totalidade do pensamento marxista latino-americano.
    
Entre os marxistas latino-americanos, além de Che Guevara, Mariátegui e Sanchez Vasquez estarão presentes em algumas obras de nossos teólogos. Naturalmente, o pensamento de Fidel Castro, a partir de 1959, será leitura corrente, principalmente em sua posição sobre a religião - na linha de Rosa de Luxemburgo, que teve influência no Brasil no movimento da Ação Popular -. Junto aos franceses mencionados, Giulio Girardi, teólogo italiano da libertação, também exerce uma clara influência por causa da sua clara postura marxista, no início decididamente “classista”, e depois assumindo o “povo” como sujeito histórico da práxis de libertação.
    
Mas, na verdade, muito mais do que esse marxismo, que poderíamos chamar de “teórico”, o marxismo que marcou a Teologia da Libertação foi o marxismo sociológico e econômico latino-americano da “dependência”, de Orlando Fals Borda até Theotônio dos Santos, Enzo Faletto, Fernando Henrique Cardoso, etc – muitos dos quais, na verdade, não eram e nem são marxistas.

Essa sociologia da “dependência”, em sua crítica ao funcionalismo e ao desenvolvimentismo, permite a ruptura epistemológica da Teologia da Libertação. Por isso, a posição de Gunder Frank – apesar de todas as críticas que possa receber – será determinante na Teologia da Libertação anterior a 1972. Da mesma forma, a postura de F.Hinkelammert – como marxista e teólogo – talvez signifique a única presença do Marx “definitivo”, pois no final da década de 1960, em Santiago, O Capital foi estudado seriamente, em grupo, no Centro de Estudos da Realidade Nacional, o que iria possibilitar um desenvolvimento do marxismo em uma corrente muito criativa da Teologia da Libertação na década de 1980.
    
Toda essa complexa história não foi estudada adequadamente até os dias de hoje, pois tampouco existe uma história do marxismo latino-americano contemporâneo, e menos ainda dentro dos movimentos cristãos. Mas, com base nessa enumeração pode-se concluir quão simplista é a crítica ao movimento conservador contra a Teologia da Libertação, quando a acusa de “marxista”, como imputação ideológica. Ela mesma, com total responsabilidade cristã, teve, muito antes que seus críticos, a lenta tarefa de adotar “certo” marxismo compatível com a fé cristã, dos profetas, de Jesus, e da mais antiga tradição eclesial e ecumênica, naturalmente. O dogmatismo stalinista ou o economicismo de manuais, o marxismo “filosófico” lhe é totalmente alheio.
    
Antecipando as conclusões finais, podemos indicar que, como se pode observar, a Teologia da Libertação usa um certo marxismo de uma certa maneira, nunca incompatível com os fundamentos da fé. Alguns têm uma posição mais claramente “classista”, outros, mais “populista”; alguns usam apenas o instrumento da crítica ideológica, outros o social e mesmo o propriamente econômico. Outros se contrapõem globalmente ao marxismo, embora seja defini-los como membros do movimento teológico. Alguns se inspiram numa corrente mais francesa do marxismo. Outros na italiana ou na alemã e, na maioria dos casos, em várias delas simultaneamente.

Todos, porém, adotam as teses latino-americanas da dependência, definidas com muito cuidado, conscientes das críticas levantadas nesse aspecto. Pode-se afirmar, então, que é o primeiro movimento teológico que assume o marxismo – levando em conta todas as limitações indicadas – na história mundial da teologia cristã (e nisto se antecipa às demais religiões universais).

CONCLUSÕES:

A Teologia da Libertação nasce, e aprende disciplinadamente, da praxis do povo latino-americano, das comunidades cristãs de base, dos pobres e oprimidos. Justifica primeiro o compromisso político dos cristãos militantes, para depois fazer o mesmo com toa a práxis do povo latino-americano empobrecido.

Portanto, é um discurso teológico crítico, que situa as questões tradicionais (pecado, salvação, Igreja, cristologia, sacramentos, etc) em um nível concreto permanente. Não nega o abstrato (o pecado em si, por exemplo), porém o situa na realidade histórica concreta (o pecado da dependência, por exemplo).

Por uma exigência de reflexão teológica crítico-concreta a partir dos pobres e oprimidos é que o instrumental das ciências humanas, particularmente do marxismo, tornou-se necessário. É a primeira teologia que utiliza esse instrumental analítico na história, e o adota a partir das exigências da fé, evitando o economicismo, o materialismo dialético ingênuo, o dogmatismo abstrato. Pode, então, criticar o capital e a dependência como pecado, etc.

Não estabelece alternativas políticas – pois essa não é uma função da teologia -, mas evita cair no “terceirismo” (nem capitalismo, nem socialismo, mas uma solução cristã política). Não deixa por isso de ser uma teologia ortodoxa (que surge da ortopraxia) tradicional (em seu sentido forte).

Entra missionariamente em diálogo com o marxismo (dos partidos ou movimentos políticos latino-americanos e mesmo dos países do socialismo real, pois seu discurso é compreensível para eles).

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

4 comentários:

Cavallier Bus disse...

Mas eles se beneficiarem do capital confiscado não​ é pecado.

Anônimo disse...

Um grande lero-lero este texto: Não é isto nem é aquilo, mas muito pelo contrário...

A realidade é que a teologia da libertação conseguiu confundir a maioria dos cristãos, a ponto de termos um papa companheiro que segue à risca a pregação "marxista-cristã" e que muita gente o ache um papa fofinho.

A melhor síntese dos tempos atuais é a cara de bunda de Jorge Mario Bergoglio, ao receber o crucifixo na foice e no martelo das mãos de Evo Morales.

Que os teóricos da TL se ferrem com seus amiguinhos marxistas e sejamos livres dos seus delírios.

Anônimo disse...

Um grande lero-lero este texto: Não é isto nem é aquilo, mas muito pelo contrário...

A realidade é que a teologia da libertação conseguiu confundir a maioria dos cristãos, a ponto de termos um papa companheiro que segue à risca a pregação "marxista-cristã" e que muita gente o ache um papa fofinho.

A melhor síntese dos tempos atuais é a cara de bunda de Jorge Mario Bergoglio, ao receber o crucifixo na foice e no martelo das mãos de Evo Morales.

Que os teóricos da TL se ferrem com seus amiguinhos marxistas e sejamos livres dos seus delírios.

Anônimo disse...

CAFUNDINDO, CAFUNDINDO, CAFUNDINDO E O QUE TODOS QUEREM. INCLUSIVE OS PSEUDO INTELECTUAIS DO CU DO MUNDO SALVADOR. ELES VIERAM PARA O RIO DE JANEIRO, SE INSTALARAM DENTRO DE PLIM, PLIM, E VIVEM CAGANDO SENTENÇA PARA O PAIS. E MEIA DUZIA DE IDIOTAS QUE ADOTARAM A RELIGIAO QUE OS ESCRAVOS DA AFRICA TROUXERAM PARA O PAIS. LOGO EM SEGUIDA PARA NAO SEREM PERSEGUIDOS ENTRONISARAM A RELIGIAO DELES COM OS SANTOS DA IGREJA CATOLICA PARA FUGIR DA PERSIGUIÇAO DOS SENHORES DE ENGENHO E ASSIM PROCESSAREM SUA RELIGIAO AFRICANA SEM EMBARAÇOS. ESSES PSEUDO FILOSOFOS, PSEUDO INTELECTUAIS QUE SAO UNS MERDAS NA REALIDADE PORQUE NUNCA FORAM EXCEPCIONAIS EM NADA SO QUEREM E DIZER QUE O PAIS E LAICO. LAICO E A PQP. O BRASILEIRO E CATOLICO. ELES SAO BATIZADOS, FAZEM PRIMEIRA COMUNHAO, SAO CRISMADOS, CASAM NA RELIGIAO CATOLICA. SOMOS CATOLICOS POR HERANÇA DE PORTUGAL. PORTANTO ESSE EMBROLIO QUE OS VAGABUNDOS DA BAHIA QUE GOSTAM DE ESFREGAR A MACUMBA COMO SENDO A RELIGIAO BRASILEIRA E PURA INVENCIONICE DA MALANDRAGEM VERMELHA. SABEM POR QUE? A MALANDRAGEM VERMELHA E CHEGADA A UM CHEIRINHO DA LOLO, E CHEGADA A UM BASEADO, E CHEGADA A VIADAGEM E A SAPATONAGEM E CHEGADA A QUERER ENSINAR AO PAIS SEUS PRINCIPIOS PORCOS TRAZIDOS DA AFRICA. NOS TEMOS NOSSOS PROPRIOS PRINCIPIOS E NAO ESTAMOS INTERESSADOS NOS PRINCIPIOS E VALORES DELES. OS PRINCIPIOS E VALORES DELES JA FORAM INICIADOS INCLUSIVE NO VELHO TESTAMENTO, ANTES DE RECEBERMOS A TABOA DOS DEZ MANDAMENTOS. NAQUELE TEMPO JA EXISTIA A DEVASSIDAO QUE NAO FOI DESCOBERTA AGORA. HAVIA VIADOS, PUTAS, SAPATONAS E SEMPRE TIVERAM E VIVERAM SUAS VIDAS COMO QUERIAM VIVER AGORA QUERER ENFIAR ISSO NAS NOSSAS CACHOLAS DIZENDO QUE E NORMAL. VA DE RETRO SATANAZ, DEEM SEUS RABOS, BANQUEM OS HOMENS FAÇAM O QUE QUIZEREM MAS TEM QUE OBEDECER A LEI. A LEI TEM QUE SER PARA TODOS NAO INTERESSA SE O CIDADAO E PÉQUENO OU COLARINHO GRANDE, NAO INTERESSA OPÇAO SOCIAL, NAO INTERESSA CREDO, COR, A LEI TEM QUE SER UNANIME PARA TODOS O PAU QUE DA EM FRANCISCO TAMBEM DA EM CHICO. CHEGA DE EMBROMAÇAO MEQUETREFE DE MINORIAS QUERENDO ESFREGAR EM NOSSAS CARAS SUAS MANEIRAS PORCAS E CHULAS DE VIVER OU SEJA A MARGEM DA LEI. POR ISSO TANTA CONTESTAÇAO. NINGUEM QUER LEI TODOS QUEREM FAZER DO MUNDO UMA ESBORNIA QUE E O QUE SE TORNOU NOSSO BELO PAIS POR CAUSA DOS VARGABUNDOS DO PODER DE VARGAS PARA CA. TEMOS QUE CONTER A TURBA DE VAGABUNDOS QUE FATIARAM O PAIS PARA SE BENEFICIAR. AS CARNES ESTAO PODRES MESMO. QUEM NAO PODE TOMAR CONTA DO PAIS PORQUE VIVE NO MEIO DA MARGINALIDADE DE SEU PAIS QUE E UM REDUTO FECAL NAO PODE TOMAR CONTA DAS CARNES QUE ESTAO EM CONTEINERS ESPERANDO DEZ ANOS PARA SAIR DO PAIS PARA OS PAISES QUE CONTRATARAM A MERDA. ELES ESTAO REALMENTE COMENDO MERDA. O PAIS NAO TEM VERGONHA NA PUTA DA CARA DE MENTIR DESCARADAMENTE PARA O POVO QUE VIVE NO EXTERIOR. DEVERIAM ENFIAR A CARA NO ESTERCO QUE E O LUGAR DE TODOS OS SERES PODRES DO MUNDO. CHIQUEIRO E O QUE NOSSO BELO PAIS SE TORNOU. GRAÇAS AO COMANDO VERMELHO QUE SE APOSSOU DOS TRES PODERES DE MERDA. AÇAO NADEGAS, NADEGAS, NADEGAS, SO DIARREIA MENTAL E INTELECTUAL.