terça-feira, 21 de março de 2017

Teologia da Libertação – uma ferramenta do Kremlin


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O artigo abaixo foi escrito por Ronald Rychlak, e publicado em http://goo.gl/S7TYiX

Em 2007 o Tenente-General Ion Mihai Pacepa, oficial de mais alta patente do bloco soviético a fugir para o Ocidente, disse ao mundo que as agências de inteligência soviéticas cultivaram e desenvolveram a união pró-Comunista entre Marxismo e o Cristianismo, que veio a ser conhecida pelo mundo como Teologia da Libertação. Seis anos depois, o Tenente-General Pacepa documentou a operação em seu livro “Desinformação: Ex-chefe de Espionagem Revela Estratégias Secretas para Solapar a Liberdade, Atacar a Religião e Promover o Terrorismo”.

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A KGB gosta do termo “
libertação.” Em 1964, formou o Exército de Libertação Nacional da Bolívia, (com ajuda do ícone comunista Che Guevara). No mesmo ano, criaram a primeira Organização para Libertação da Palestina (OLP), constituída por representantes escolhidos à dedo pela KGB e aprovados pela Carta Nacional da Palestina. Em 1965, a KGB criou o Exército de Libertação Nacional da Colômbia (com a ajuda de Fidel Castro). Mais tarde a KGB criaria o Front Democrático pela Libertação da Palestina, organização responsável por inúmeros ataques à  bomba, e o Exército Secreto para Libertação da Armênia, que organizou numerosos ataques contra escritórios de companhias aéreas americanas sediadas na Europa Oriental.

Teologia da Libertação foi apresentada ao mundo em 1965 pela Conferência Cristã da Paz (CCP), uma organização religiosa sediada no Bloco Soviético (Praga), financiada secretamente pela KGB e repleta de membros do serviço secreto Soviético (incluindo a Agência de Inteligência comandada por Pacepa). Durante certo período de tempo a CCP foi subordinada ao Conselho Mundial da Paz, o qual, em 1989, admitiu que 90% do seu dinheiro procedia da KGB.

O Padre Peruano Frei Gustavo Gutiérrez, autor do livro “A Theology of Liberation” (edição inglesa, 1973), costuma ser considerado o fundador da Teologia daLibertação. Gutiérrez pediu apoio a Che Guevara, que escreveu o seguinte sobre a Teologia da Libertação “é uma reflexão teológica nascida da experiência de esforços compartilhados para abolir a injusta situação e construir uma sociedade diferente, mais livre e humana… para dar razão à nossa esperança a partir do comprometimento que busca tornar-se mais radical, total, e eficaz.”

Os seguidores da Teologia da Libertação lêem os Evangelhos a partir da perspectiva dos pobres e oprimidos, e desejam uma Igreja que seja política e culturalmente descentralizada. Buscam lutar contra a pobreza e injustiças sociais através de ativismo político, especialmente quando se trata de direitos humanos. Da mesma forma que os Marxistas deificam o proletário, teólogos da libertação colocam os pobres no centro da Teologia. Mártires falecidos, como o Arcebispo Oscar Romero de El Salvador e Doroti Mae Stang, nascida nos Estados Unidos e assassinada no Brasil, são fontes de inspiração para os seguidores da Teologia.

Infelizmente, a Teologia da Libertação não beneficiou os pobres da forma que prometeu. Ao contrário, alinhada com a teoria marxista da luta entre classes, os pobres têm sido utilizados como armas na guerra de classes. Conforme Todd Swathwood Jr. da Liberty University escreveu em seu artigo, “Gustavo Gutiérrez – Teologia daLibertação e Marxismo”: “A Teologia daLibertação parece mais marxismo com roupas espirituais do que qualquer outra coisa. O disfarce sequer precisa ser Cristão; Gutiérrez discute outras “teologias da libertação para diferentes religiões, como sendo do mesmo elevado nível do que o de sua própria denominação Cristã.”

Em “Desinformação”, Pacepa explica que a Teologia da Libertação faz parte de um programa de desinformação altamente secreto do Partido/Estado, aprovado pelo então Presidente da KGB, Aleksandr Shelepin e pelas altas patentes do Politurbo, em 1960. As agências de inteligência do bloco Soviético mantiveram a promoção da Teologia da Libertação em marcha alta até que fosse amplamente reconhecida (se não plenamente abraçada) por muitas comunidades religiosas.

Parte desta campanha aconteceu em 1971, quando a KGB enviou um agente secreto como emissário da Igreja Ortodoxa Russa, sob o codinome “Mikhailov”, para o Conselho Mundial de Igrejas. A missão dele foi instrumentalizar o CMI para espalhar a Teologia daLibertação por toda América Latina. Em 1975, a KGB conseguiu infiltrar Mikhailov no Comitê Central do CMI, onde ele pode contribuir ainda mais para o avanço da causa. Depois disso, não demorou muito para que ele respondesse para a KGB: “agora a agenda do CMI, é também a nossa agenda.”

Mikhailov permaneceu no Comitê Central até 2009, quando assumiu uma posição ainda mais importante: Patriarca de Moscou e de toda Rússia. Nesta nova posição, Mikhailov, agora conhecido como Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa, continuou a colocar políticas de esquerda no topo da agenda. Ele descreveu a “era Putin” como “um milagre de Deus. Quando membros da banda de punk rock Pussy Riot foram presos, eles protestavam contra o forte apoio dado pela Igreja Ortodoxa Russa ao presidente Vladimir Putin (ex-agente da KGB), e suas políticas da era Soviética.

O Vaticano percebeu a rápida proliferação da Teologia da Libertação na América Latina. Em 1979, o Papa João Paulo II disse o seguinte: “A concepção de Cristo como uma figura política, um revolucionário, como subversivo de Nazaré, não talha com o catecismo da Igreja”.  A Congregação para Doutrina da Fé admoestou os seguidores da Teologia da Libertação em 1984, 1986 e em 1999. Foi chamada de uma “heresia especial” e “ameaça fundamental” para a Igreja. Como Clérigo Apostólico da Doutrina da Fé, o Cardeal Joseph Ratzinger, que mais tarde seria o Papa Benedito XVI, proibiu que certos elementos da Teologia da Libertação fossem ensinados em nome da Igreja Católica.

Com a ascendência de um Papa Sul-Americano, a uma vez restrita doutrina da Teologia da Libertação começou a ressurgir. Os nomes dos ícones da teoria da Teologia daLibertação, como Oscar Romero e Miguel d’Escoto Brockmann, raramente mencionados desde 1980, estão de volta aos círculos religiosos. Algumas pessoas chegaram a comentar que o próprio Papa Francisco abraçara a doutrina, embora como Cardeal, “tenha lutado contra aTeologia da Libertação com unhas e dentes”.

Quando Pacepa repetiu sua afirmação do papel Soviético na promoção da Teologia da Libertação numa coluna do National Review Online, atraiu criticas dos teólogos da libertação e de seus apoiadores, que negaram sua conexão com o Marxismo e revoluções violentas. 

José Azenl, do Instituto para Estudos Cubanos e Cubano-Americanos, da Universidade de Miami, apontou que a Teologia da Libertação é estranha à Igreja e aos valores democráticos. Provando o ponto de Pacepa que aTeologia da Libertação é um ramo do Marxismo Soviético, Azel diz que “a iconografia da Teologia daLibertação muitas vezes inclui a imagem de Jesus carregando uma arma soviética”. Após ver isso, Pacepa disse: “Fascinante”. 

A promessa da Teologia da Libertação, como a promessa do Marxismo, é atrativa. Boas pessoas foram atraídas por ambas doutrinas. Infelizmente, os líderes soviéticos reconheceram isso anos atrás, e as usam para fazer avançar suas agendas políticas. O seqüestro da fé para fins políticos é um enorme perigo que impacta os pobres tanto quanto os ricos. A manipulação da Religião Islâmica no atual Antiamericanismo e Terrorismo Internacional é uma assustadora ilustração da realidade.
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O Professor Ronald Rychlak é membro da University of Mississippi School of Law, e o livro “Desinformação“, publicado pela WND, será adaptado para os cinemas.

Tradução: Hélio Costa Jr
Revisão: Israel Pestana
Fonte: http://goo.gl/S7TYiX

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Anônimo disse...

Tenho para mim que o verdadeiro esqueleto da Teologia da Libertação na sua versão latino americana teria sido desenhado pelo pedagogo brasileiro Paulo Freire,que em 1968 escreveu no Chile,onde estava exilado,"Pedagogia do Oprimido",mas como esse livro tinha sido proibido no Brasil,por aqui só saiu em 1974. Nunca cheguei a ver alguém fazer essa "associação",porém tenho quase certeza da sua influência na referida doutrina. Nos anos 70 fiz um posgraduação em sociologia, na PUC/RS,e os "chodós" do curso eram exatamente Paulo Freire,Frei Gutierrez,que em 1973 escreveu "Theology of Liberation",e os brasileiros Frei Leonardo Boff e Frei Beto. É neste sentido que estou convencido que a Teologia da Libertação latino-americana se trata antes de tudo de uma adaptação à doutrina cristã da "pedagogia do oprimido" de Paulo Freire.Esse seria um bom tema a ser estudado e esmiuçado pelos pesquisadores.Sérgio A.Oliveira.