domingo, 5 de março de 2017

Uma Nação Perdida


Contribuir para a defesa da Democracia e da liberdade, traduzindo um País com projeção de poder e soberano, deve ser o nosso NORTE!

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Marco Antonio Felício da Silva

Repito, aqui, o que já enfatizei em artigos anteriores: Autoritarismo, paternalismo, patrimonialismo e cartorialismo são algumas das características que permeiam, na sociedade brasileira, desde a sua formação, as elites dominantes. Estas jamais diferenciaram a coisa pública da privada para perpetuar a dominação exercida. Herança colonial, origem do fisiologismo e do clientelismo, praticados largamente pela classe política republicana.

Entretanto, tal situação agravou-se com o advento da Nova República e principalmente com a ascensão ao poder de uma esquerda que se dizia ideológica, mas que objetivava apenas o poder pelo poder. A corrupção sistematizada e institucionalizada por altas autoridades de governo, mancomunadas com lideranças da iniciativa privada, tornou-se o principal meio garantidor da continuidade no poder, comprando partidos e cooptando integrantes, financiando campanhas milionárias e possibilitando, impunemente, o enriquecimento ilícito de políticos, agentes do Estado, empresas e respectivos donos e dirigentes. Assim, arruinaram o País.

Como moldura desse contexto, temos um Estado dito Democrático e de Direito, falido e leniente. Não o é Democrático nem de Direito. Poderes constituídos que se degladiam ou se unem na defesa dos seus interesses, incluso na busca da impunidade criminosa. A Nação entregue a sua própria sorte, imersa em crises, insegurança e violência crescentes. Os interesses nacionais relegados a segundo plano.

A desfaçatez dos atores principais é tamanha que, apesar das notícias difundidas pelos meios de comunicação e de pontos fora da curva existentes, ainda, no Poder Judiciário e nos demais poderes, os conchavos, ferindo as leis, são feitos às claras e aprovados até mesmo na escuridão das noites.

As crises política e econômica, agravadas pela instabilidade social e pelas crises ética e moral, a corrupção generalizada, os exemplos de bandidos travestidos de governantes em todos os poderes e a precariedade do Sistema de Saúde e do Sistema Educacional contribuem para gerar uma multidão de ignorantes, doentes e de drogados bem como numerosa população, incluso de jovens, sem oportunidades de empregos, destituída de valores, de sentimento patriótico e de consciência cívica, pronta para situações de violência e sem perspectivas de vida decente. O grave ocorrido no Espírito Santo é exemplo inquestionável. Há que enfatizar que este Estado tem pequena população o que mostra a gravidade de possível problema, atual ou futuro, ao se considerar todo o País.

Com relação à Democracia que vivemos, não adianta difundir bordões ultrapassados - “a nossa democracia é ainda uma criança em crescimento”- qdo o País  enfrenta um processo de desenvolvimento com retrocessos seguidos, mantendo-o atrasado, mais e mais, em relação aos países já desenvolvidos por falta de governantes com visão política-estratégica, de planejamento e de implantação de políticas sérias. A maior parte de nossa indústria não trabalha com tecnologias de ponta aqui desenvolvidas. O desenvolvimento científico-tecnológico, gerador de conhecimentos, de recursos financeiros e de poder, não é prioridade de tais governantes despreparados e corruptos.

A Democracia Ocidental se baseia em princípios consagrados, porém, não pode ser reproduzida da mesma forma em nações com formação histórica e social e com graus de desenvolvimento e de cultura tão diversos e diferentes. O nosso povo necessita de uma democracia com os mesmos princípios, porém, aplicados com regras consentâneas com a maneira de ser e de sentir do povo. Em sua maioria, sem consciência cívico-patriótica, corrompido moralmente, sem educação formal, amante da liberdade em excesso, consciente de seus direitos e indisciplinado quando se trata de cumprir deveres.

A fragilidade do nosso regime democrático aceita, passivamente, governo sem legitimidade, ilegalidades, poderes desarmônicos e ineficientes, justiça leniente e bandidos impondo regras, pois nos governam, ocupando os mais altos cargos da República. Precisamos de uma Democracia com tolerância zero para com a corrupção, o crime organizado, o trafico de drogas e de armas, para com os crimes hediondos e para com a gestão e ações criminosas dos agentes públicos em todos os níveis. A pena de morte há que ser considerada como possível punição destes crimes.

A verdade, já reconhecida por autoridades responsáveis, é que temos um País completamente à deriva. E com possibilidades de que nele se instale o caos social, político e econômico sem que, os ainda responsáveis pela sobrevivência da Nação, perdida em seus caminhos, cumpram com o dever de evitá-lo.


Marco Antonio Felício da Silva é General de Divisão na reserva.

2 comentários:

Durval disse...

Perfeito Gaj., o país completamente a deriva, com grandes possibilidades de despencar nos caos social, porem tudo garantido pelas FFAA, que deveriam evita-lo, cumprindo seu dever de oficio. Onde entra patriotismo nessa garantia, sobre a qual debocham os três poderes apodrecidos??

Anônimo disse...

Não creio que a esquerda tenha desviado de seu caminho revolucionário, mas que busca consolidar seu poder para assegurar a implantação de seu projeto ideológico. E a destruição recorrente é parte do processo.