domingo, 16 de abril de 2017

19 de Abril

Duque de Caxias

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Aileda de Mattos Oliveira

Dia do Exército. Comemorações restritas aos quartéis, infelizmente.
Mas, nesta mesma data, está lá no calendário, comemora-se o Dia do Índio. As homenagens que prestam a esse brasileiro ainda alijado da sociedade, e quando são prestadas, somente acontecem em escolas mais atentas a esses ‘pequenos detalhes’ da cultura nacional. Só que algumas crianças do Ensino Fundamental, mal-orientadas, fazem a festa, vestidas de apaches. Índio brasileiro não seduz, evidentemente, alguns professores.

No entanto, Exército e Índio, os centros das homenagens desta coincidente data, têm muito em comum, numa simbiose que vem de longes tempos, embora nada deixe entrever, de imediato, a verdade desta afirmação.

O Índio, visto pelo governo como um mero traço no conjunto populacional, foi tutelado por impostoras organizações alienígenas e ‘missionários’ mistificadores que o mantêm numa segunda colonização, impedindo-o de integrar-se à sociedade como brasileiro que é. O objetivo escuso e nada secreto é terem o domínio das riquíssimas terras que o silvícola ocupa, na realidade, não pertencentes particularmente a nenhuma tribo, mas a toda Nação brasileira.

Da mesma forma, o Exército não recebe as boas graças governamentais nem do repelente antro político. Apenas é lembrado e desviado de suas funções por essa facção cevada nos bens públicos, acorrentada a interesses pessoais, nos momentos em que deseja satisfazer, demagogicamente, o clamor da população sem espírito de luta e de governos estaduais incapacitados de impor segurança a seus estados pela incompetência de seus secretários e decomposição de suas estruturas administrativas. A essa trupe de irresponsáveis juntam-se os jornalistas-hienas ansiando por um erro estratégico da Força Terrestre.

No entanto, Índio e Exército se irmanam muito mais do que supõem os governos apátridas que vêm se substituindo como uma dinastia de ratos.
Em 1648, portanto, há trezentos e sessenta e nove anos, o índio Poti já fazia parte do embrião do Exército ainda na condição de terço luso-brasileiro, como Capitão-Mor dos Índios. Muitos anos antes, convertera-se ao catolicismo e recebera em batismo o nome de Antônio Felipe Camarão. Foi dele uma das respostas, enfática e simultaneamente irônica, ao edital dos holandeses que impunha a rendição do miscigenado contingente de “patriotas”, como seus participantes se consideravam em razão do sentimento já desabrochado de amor a terra.

“Não temos para que haver mister papéis, salvo cartuchos de nossas armas, que os meus soldados tratam mais delas que de escrituras... Saiam já a esta campanha, que a descoberto os esperamos nela.”(1)

Junto a Camarão, indígena, toda a escala étnica resultante da miscigenação, que compunha a população colonial da época, brancos, negros, caboclos, mulatos, caburés, curibocas e outras gradações mestiças, estava presente nos combates de Guararapes.

Não se esqueceu o Exército de seus antigos aliados. Contingentes indígenas fazem parte, atualmente, das forças de selva. São bilíngues, e o português que falam, que destaca a sua brasilidade, deve-se à convivência com os militares; o dialeto de origem, por serem guardiões da própria cultura tribal, é indispensável, portanto.

O sentimento cívico de honra à terra, que expressam ao receberem na Corporação os valores mais caros da nacionalidade e do respeito aos seus símbolos representativos, não faz parte da educação da maioria significativa dos membros das desacreditadas Casas do Congresso e do desabonado STF. Mais uma vez os índios integram-se à Força Terrestre, primeiro e último baluarte da Nação, e participa como guerreiros de selva, a salvaguardar a floresta, porta de entrada de ambiciosos piratas, favorecidos pelo desleixo às leis de segurança nacional, traiçoeiramente desprezadas pelos políticos aventureiros desta caricata República.

Não se satisfaz a Força Terrestre: acolhe outros índios, abandonados pelo poder público, em contrapartida, muito generoso com aqueles que praticam o infamante jogo da prevaricação e do peculato, fiéis membros que são de uma mesma e dissoluta confraria.

É aos quartéis que vão se achegando os esquecidos de Brasília, índios e não índios, em busca de solidariedade humana, de saúde, de alimentos e da língua para integrarem-se ao universo nacional.

Enquanto os governos, agarrados às vantagens materiais e alienados às necessidades do país incitam à desagregação, estimulam a discriminação, o Exército, silencioso, faz o seu trabalho rotineiro de consolidação da unidade nacional, recebendo em suas fileiras, há mais de três séculos, os oriundos de todas as etnias.

Não existiria Brasil se não houvesse o seu contraforte, Exército, a sustentá-lo nas agudas crises morais sempre desencadeadas pela vilania que domina, há muito, os poderes da enxovalhada República.

Mas, nas solenidades deste dia 19 de Abril, no momento da rememoração dos fatos históricos ocorridos num passado longínquo, certamente perpassará por todos uma aura suave como um sutil agradecimento dos primeiros Comandantes.

(1) SOUZA Junior, Antônio. Do Recôncavo aos Guararapes, p. 179.


Aileda de Mattos oliveira é Dr.ª em Língua Portuguesa. Acadêmica Fundadora da ABD. Membro do CEBRES.

Um comentário:

Anônimo disse...

EXERCITO E INDIO, OS DOIS JÁ FORAM EXTINTOS E SERVEM APENAS PARA POLEMICAS... PARA SER INDIO VOCÊ PRECISA IR ATÉ ITABUNA E SE CADASTRAR NA FUNAI E DELA VOCÊ SAI UM INDIO AUTENTICO NÃO IMPORTANDO SE ES LOURO, JAPONÊS, OU AFRODESCENDENTE, PARA SER DO EXERCITO BASTA SER PARENTE OU AFILIADO DE ALGUÉM DA RESERVA...