domingo, 9 de abril de 2017

Evolução Meridional


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Um catarinense fazia uma gozação que era paródia do que, uns 20 anos antes, eu vira um paraguaio fazer com os argentinos. "Sabe qual é o negócio mais rentável do mundo?", perguntava o gozador. E respondia ele mesmo: "É comprar um gaúcho pelo preço que ele vale e, de pois, vender pelo preço que ele acha que vale..." De mau gosto. Nascido no RS, não gostei. Naturalmente.

Pensemos noutra coisa. Nas rádios de Porto Alegre, repete-se com insistência uma propaganda do Sindicato dos Bancários, que aposta na incapacidade de o público pensar. Os abnegados (como o são quaisquer sindicalistas do Brasil...) conclamam o povo gaúcho a se levantar, reagir, e defender o Banrisul (que é banco estatal) contra a privatização que, segundo as entrelinhas, é pretendida pelo governo atual. Só que o governador Ivo Sartori, reiteradamente, afirma que não cogita privatizar o banco!

"Ah, isso ele diz! Mas a intenção..." Tá bem. Além de abnegados, os nossos sindicalistas têm a faculdade de ler pensamentos: eles conhecem intenções de Ivo Sartori que ninguém sequer suspeita. (Prefiro a gozação do catarina.)

É verdade que o todo poderoso Henrique Meirelles (Ministro da Fazenda) declarou ao jornal Valor Econômico que a venda do banco está incluída na mesa de negociações da dívida do RS com a União. Pressão há, pois. Mas Sartori sabe que o Banrisul é a estatal mais rentável do RS: só no primeiro semestre de 2016, teve um lucro líquido de R$ 389,6 milhões (14,6% acima do mesmo período do ano anterior). E, apesar da situação nacional, Fechou 2016 com lucro líquido de R$ 659,7 milhões.

Vá saber se, no íntimo, o governador terá o desejo de privatizar o banco. Tudo indica que não. Porque, diferente das estrovengas estatais de que ele quer livrar OS GAÚCHOS, a manutenção do Banrisul convém ao Estado. Mas não há como afirmar que não vá ocorrer no futuro. O que, sim, fica patente é que o movimento sindical, ao colar na figura do governador a ideia da privatização, não tem nenhum compromisso com a verdade, subestimando a inteligência dos gaúchos: sua meta tosca e mal dissimuladamente ideológica é usar o aparelho do sindicato para fazer oposição a um governo que, apesar das debilidades, tem a virtude de não seguir as diretrizes do nefasto Foro de São Paulo (conflitando com os dogmas do sindicalismo).

Querem saber? Os sindicatos - como o SindBancários, o Cpers e outros da mesma laia - atacam o governo de Ivo Sartori não por seus gritantes defeitos, mas por suas qualidades. É a velha guerra ideológica, a busca predatória de hegemonia que visa a estatizar tudo e concentrar o poder nas mãos de uma elite burocrática e muito incompetente, projeto macabro que progrediu na era petista cujas consequências estamos todos amargando, sobretudo os mais pobres (a maior recessão da história).

Será que vamos reincidir no erro de dar crédito a esse tipo de gente? A questão é ver se os gaúchos são os "patetas" que o sindicalismo insinua ser, e os "convencidos" da gozação do catarinense. Tenho a impressão positiva de que não. Por um lado, há sinais de que o povo rio-grandense já não cai, como antigamente, na lábia dos populistas (fato auspicioso). De quebra, por outro lado, a piada do catarinense ficou "démodé": a ridícula exaltação gauchesca (por ele ironizada) está em desuso. É que, nos últimos tempos, ficamos um pouco menos provincianos e mais cosmopolitas. Sim, tudo pode evoluir - até mesmo os gaúchos...

Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

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