sábado, 22 de abril de 2017

Lava Jato, pouco adianta prender o “Sofá”...


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

Confirmar se Luiz Inácio Lula da Silva é o “poderoso chefão”, ou se ele acabará ou não preso no dia 3 de maio, quando sentará na 13ª Vara do juiz Sérgio Moro, é um detalhe de importância apenas simbólica na Lava Jato. Na verdade, os brasileiros deveriam se preocupar com aquilo que a Força Tarefa ainda não apurou e quais mecanismos de controle social precisam ser adotados para inibir a Corrupção Institucionalizada. O sistema de Crime Organizadíssimo, a partir da parceria delitiva entre bandidos de toda espécie e a máquina estatal, continua intocável e se reinventa, a partir das ameaças a sua hegemonia.

A única solução contra o Crime Institucionalizado é a reinvenção do modelo estatal brasileiro. Temos de romper com o Capimunismo – arraigado na cultura dos brasileiros acostumados a serem extremamente dependentes do Estatismo e dos supostos “salvadores da Pátria” invocados e inventados a cada eleição. De imediato, é preciso acabar com a tal “Nova República” – regime que já nasceu morto em 1985. Para isso, é imprescindível uma Intervenção Constitucional para outorgar uma Carta Magna fora da influência criminosa. Dela deve derivar um enxugamento legal que viabilize a Democracia – a Segurança do Direito. Reformas e remendos não resolvem e ainda podem criar novos problemas.

A Lava Jato chamou atenção do Brasil para os males causados pela corrupção sistêmica e pelo Crime Institucionalizado. No entanto, nada adianta apurar e punir algumas centenas de bandidos, sem fechar a “fábrica de criminosos” que é o modelo estatal brasileiro: o Capimunismo rentista, corrupto e improdutivo. O País é dominado pela cultura da especulação financeira. Há décadas, muitas pessoas e empresas se acostumaram a vivem de ganhos de aplicações – e não do bom resultado da atividade produtiva. Outros cidadãos, políticos e empresários, mais “ousados, ambiciosos e gananciosos” decidiram enriquecer pelo caminho do crime – que também lava e esquenta muita grana no ganho financeiro-especulativo.

Até agora, a Lava Jato ainda não chegou à essência deste sistema especulativo – que serve de base para a hegemonia do Crime Institucionalizado. O esquema é viciante e viciado: O Estado rouba a sociedade via impostos que sustentam a gastança perdulária da máquina pública. Incentivados pela cultura da imunidade e do regramento excessivo que a tudo permite, seja certo ou errado, cidadãos e empresários corruptos, em conluio com servidores sem escrúpulos, cometem crimes remunerados pelo dinheiro públicos. As fortunas acumuladas são aplicadas, aqui ou lá fora, nas instituições financeiras que rolam nossa dívida pública (impagável). Os juros estratosféricos remuneram os delinqüentes.

As pessoas que não se beneficiam do Crime Institucionalizado – e são por ele prejudicado - precisam ir muito além da Lava Jato. Sucessos de bilheteria e audiência, como as duas edições do “Tropa de Elite”, já explicaram como funciona o sistema do Crime Institucionalizado. Os brasileiros, dos mais pobres aos mais ricos, não têm direito de alegar que “não sabem de nada”. Sabemos de tudo. Por isso, é hora de a Força Tarefa da Lava Jato partir para cima daqueles que sabem mais ainda.

A figura-chave para desnudar muitos esquemas sofisticados de corrupção chama-se Antônio Palocci Filho. Não se pode cometer o imperdoável erro de tirar dele informações apenas para punir alguns políticos, alguns empresários e até alguns banqueiros. É fundamental usar a delação premiada de Palocci, em fase de negociação, para identificar e compreender como realmente funciona o sofisticado esquema Capimunista brasileiro.

Como ex-Prefeito de uma grande cidade (Ribeirão Preto – SP), como ex-coordenador de arrecadação de campanhas eleitorais, como ex-ministro da Fazenda, como ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras e conselheiro de outras estatais, como ex-ministro-chefe da Casa Civil, e pela vivência como “consultor empresarial”, o médico Palocci sabe de tudo e muito mais sobre a Corrupção Sistêmica no Brasil dominado pelo Crime Institucionalizado.

Nosso maior problema é a reação às mudanças e a conseqüente sabotagem, explícita ou nos bastidores do poder, promovidas por aqueles que ganham muito dinheiro como beneficiários diretos do Capimunismo tupiniquim. Por enquanto, eles têm a hegemonia. Eles querem apenas “reformas”, para que a essência continue a mesma, dentro de um “regime de corrupção tolerável”.

A idealista turma da Lava Jato precisa reunir mais força e apoio da opinião pública para enfrentar esta guerra na qual, como diria o Capitão Nascimento, “o inimigo é o sistema”. Por isso, não dá para perder tempo com Lulas da vida, que são meros fantoches de um complexo sistema que fabrica outras marionetes, sempre que for conveniente, para explorar o Brasil e os brasileiros, obedecendo a ordens de seus controladores externos – que se fingem de “sócios” dos corruptos daqui, quando, na verdade, são os “chefões” deles.

Quem não entender que a banda corrupta toca deste jeitinho vai perder tempo correndo atrás do sofá em cima do qual alguma amante cometeu traição. Jogar o sofá pela janela ou “mandar prendê-lo” não resolve o problema. $talinácio é um sofá... Seria recomendável ouvir o que outras “amantes” – mais ou menos votadas – têm a revelar, no festival de “delações premiadas”. Afinal, no Brasil, trair e roubar é só começar...

Resumindo: se não eliminarmos a o Capimunismo e a mentalidade rentista, pai e mãe do Crime Institucionalizado, todo o trabalho da Lava Jato não passará de um enxugamento de gelo.   

Sabonete


A bem da justiça histórica, cabe reproduzir o editorial de O Globo confirmando quem era realmente o chefão da tal Organização Criminosa:

No escândalo do mensalão, denunciado em 2005, faltou uma peça, o chefe do esquema. No encaminhamento das denúncias pelo MP contra aquela “organização criminosa”, o ex-ministro José Dirceu parecia caminhar para este patíbulo, em silêncio como disciplinado militante, mas, em julgamento de recurso, a responsabilidade de ser o capo do esquema lhe foi tirada, e o espaço ficou vago. Mas apenas nos autos processuais, porque nunca fez sentido tudo aquilo acontecer sem a aprovação e o acompanhamento de alguém centralizador e vertical como Luiz Inácio Lula da Silva.

O surgimento do petrolão — construído paralelamente ao mensalão, com muitos zeros a mais — foi a estridente evidência de que Lula não podia desconhecer aquilo tudo. A leitura benevolente do mensalão era que desfalques no Banco do Brasil, dados pelo militante Henrique Pizzolato, mancomunado com Marcos Valério, se justificavam pela “causa”. O partido tinha um projeto de poder longevo, para “acabar com a pobreza e a miséria”. Não serve de atenuante na Justiça criminal, mas aliviava a culpa moral de petistas, com injeções de ideologia.

O enredo, porém, não fechava. Dirceu voava em jatinhos particulares, morava em condomínio de alto padrão. E este lado “burguês” do lulopetismo — já detectado por Golbery do Couto e Silva, na década de 70, segundo Emílio Odebrecht — precisava ser custeado.

Ficou, então, tudo misturado: dinheiro surrupiado de estatais aparelhadas por companheiros, e drenado por meio de conhecidas empreiteiras e seus contratos superfaturados, parte para campanhas petistas e de aliados, parte desviada para bolsos privados de comissários. A “causa” continuava presente — era preciso manter uma grande bancada no Congresso, como já conseguira a Arena/PDS na década de 70, para sustentar a ditadura com fachada de democracia representativa. Mas, desta vez, havia Lula de ego nas alturas, chamado de “o cara” por Obama, com o desejo de ter sítio em Atibaia, tríplex no Guarujá, um instituto para ajudar países subdesenvolvidos a superar a pobreza, também uma adega bem abastecida etc.

O efeito da videoteca das delações da Odebrecht e da decisão de Léo Pinheiro, da OAS, construtora do prédio do tríplex, de fazer delação premiada na Lava-Jato, foi desmontar o jogo de espelhos que Lula, advogados e militância manipulada ainda tentam jogar, e continuarão insistindo. Só fé de religioso sectário para continuar a acreditar. Virou, há tempos, questão de dogma.

Lula tem quase nada em seu nome. Usufrui do patrimônio de amigos e compadres, o advogado Roberto Teixeira o principal deles. A quem Lula indicou para a Odebrecht, a fim de idealizar uma fraude contratual com a finalidade de esconder que a empreiteira gastara bem mais que R$ 500 mil, o orçamento inicial, na reforma do sítio de Atibaia, a pedido da ainda primeira-dama Marisa Letícia, segundo delação da empreiteira.

O GLOBO revelou o tríplex do Guarujá em 2010. Veio uma contínua avalanche de desmentidos, alguns arrogantes e agressivos. Mesmo com o vídeo em que Léo Pinheiro mostrava o imóvel ao ainda presidente da República. O casal Luiz Inácio e Marisa pediu obras, devidamente executadas. Depois, foi dito que a OAS era a real proprietária do imóvel.

Na verdade, era mesmo de Lula e família, acaba de confirmar Léo Pinheiro, perante o juiz Sérgio Moro. E também coube à OAS parte da reforma do sítio em Atibaia, executada, em maior proporção, pela Odebrecht. As cozinhas modeladas do sítio e do tríplex do Guarujá foram compradas no mesmo lugar.

Tanto a empreiteira multinacional Odebrecht quanto a OAS, ambas fundadas na Bahia, utilizaram o mesmo sistema contábil: o custo de reformas em imóveis para Lula e outras despesas pessoais dele foram debitadas de propinas arrecadadas em estatais, por meio de contratos superfaturados. Ou seja, dinheiro público também elevando o padrão de vida de Lula, família e outros lulopetistas, por certo.
Os depoimentos que foram divulgados nos últimos dias da Odebrecht e agora de Léo Pinheiro não surpreendem pelos fatos em si, muitos deles já ventilados, mas pela dimensão do esquema, pela riqueza de detalhes sórdidos na forma como os governos Lula e Dilma foram corrompidos e também corromperam. Não há inocentes na história. Seja em nome da “causa” ou da boa vida.

O desnudamento de Lula em carne e osso, em praça pública, com os pecados da baixa política brasileira, parece apenas começar. Afinal, não se pode admitir que tudo o que foi falado até agora por Marcelo, Emílio Odebrecht e seus executivos, sobre o toma lá dá de cá com o presidente e ex-presidente, não tenha sustentação em provas documentais. O mesmo vale para Léo Pinheiro. Empreiteiros não só sabem fazer contas, como são precavidos. Mas os simples testemunhos já são arrasadores.

Outra grave ameaça a Lula é o depoimento de Léo Pinheiro de que o ainda presidente mandou-o eliminar provas de remessas de dinheiro ilegal para João Vaccari, tesoureiro do PT, há algum tempo na carceragem de Curitiba. Será a segunda denúncia de tentativa de obstrução da Justiça, depois da sua participação, segundo Delcídio Amaral, na manobra para calar Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobras, um dos dutos do desvio de dinheiro da estatal para o lulopetismo e aliados.

Completando o cerco a Lula, há o ex-ministro Antonio Palocci, também preso em Curitiba, e que estaria negociando um acordo de delação premiada. Seria uma espécie de mãe de todas as delações. Ou uma dessas mães. Foi ministro da Fazenda de Lula, homem de confiança do ex-presidente, escalado por ele para tentar gerenciar a imprevisível Dilma Rousseff. Mas as “consultorias” de Palloci o derrubaram.

Importante é que Palocci surge nas delações da Odebrecht como homem-chave no relacionamento financeiro entre a empreiteira e o ex-presidente. Gratos, os Odebrecht abriram um crédito de R$ 40 milhões para Lula, a serem movimentados por meio de Palocci. Assim, seu cacife aumentou bastante como arquivo de preciosas informações. Mas nada garante que as fornecerá, mesmo que esteja sendo insinuado pelo lulopetismo, como forma de salvar o chefe, que o ex-ministro embolsou dinheiro pedido em nome de Lula.

Emerge desta história a constatação de que os projetos de poder e pessoais do PT e de outros partidos esbarraram em instituições que continuam a funcionar por sobre a maior crise econômica do Brasil República, com sérios desdobramentos políticos. Incluindo um impeachment, justificado pelo atropelamento voluntarioso da Lei de Responsabilidade Fiscal, de mesma inspiração ideológica do aparelhamento de estatais e assaltos realizados em associação com empresários privados. A ordem jurídica se fortalece.

Sem defesa


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© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 22 de Abril de 2017.

4 comentários:

Anônimo disse...

Agora lembrei daquela imagem, onde Lula com o dedo médio fazia de conta que coçava o bigode, no sinal de desrespeito, olhando para as câmeras com ar de riso. Agora o Palocci lhe oferece a vaselina para ele escolher onde colocar o dedo, quando estiver na cela em Curitiba. Todos os dias os brasileiros são surpreendidos pela cinismo extremo dos parlamentares que defendem seus crimes e acusam a Lava Jato.

Manoel Meirinho disse...

se faz necessario urgencia. os movimentos sociais precizam se unir e preparar-se para impedir que este senhor barbudo, com seu discurso agressivo de discordia e divisao, enrolado em seu pano vermelho, venha sem duvida se apresentar novamente como 'salvador da Patria'. mesmo com a 'Lava jato', que teimam em negar e chamar de 'golpe', eles se aproveitarão dos infelizes comprados pelas migalhas que lhes sao oferecidas, e irá com certeza ser colocado novamente no poder. os movimentos sociais nao podem deixar esquecer as conversas telefonicas que graças a Deus, foram reveladas, onde ouvindo-se atentamente iremos reconhecer a vibora peçonhenta que se esconde atraz daquela voz rouquenha. a cobra primeiro hipnotiza, envenena, depois devora. precisa-se encontrar uma maneira de realmente nao 'prender apenas o Sofa' e conseguirmos eliminarmos ao maximo estas viboras que estao devorando nossa Naçao.

Joma Bastos G P disse...

"A única solução contra o Crime Institucionalizado é a reinvenção do modelo estatal brasileiro. Temos de romper com o Capimunismo – arraigado na cultura dos brasileiros acostumados a serem extremamente dependentes do Estatismo e dos supostos “salvadores da Pátria” invocados e inventados a cada eleição."

"Resumindo: se não eliminarmos a o Capimunismo e a mentalidade rentista, pai e mãe do Crime Institucionalizado, todo o trabalho da Lava Jato não passará de um enxugamento de gelo."

Um dos melhores artigos sobre sobre o Crime Institucionalizado! Parabéns!

Anônimo disse...

O jararaca é puro veneno, é falso, é mentiroso é traíra. Usou a própria mulher como laranja para pedir dinheiro e depois dizer que não foi ele? Que tipo de ser "humano"é esse?