quinta-feira, 6 de abril de 2017

Massas críticas ou meramente reativas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

"(...) as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis", declarou Umberto Eco, por ocasião do lançamento de seu livro "Número Zero".

Há algo curioso nas redes sociais em pleno 2017. Um caso é a propagação de um vídeo em que Alexandre Garcia faz severa crítica à publicação de um livro didático elaborado (de propósito) com erros de português: o Ministério da Educação adquiriu (de propósito) quase meio milhão de exemplares a serem distribuídos a alunos de escolas públicas. Só que o vídeo é antigo (17/05/2011), de quando o ministro da Educação era o petista Fernando Haddad.[1]

Igualmente sem data, outro vídeo mostra, e denuncia, o livro "A diversidade sexual na educação e os direitos da cidadania LGBT na escola", financiado pelo mesmo Ministério da Educação.[2] Expressamente, o livro tem por objetivo "mostrar como o discurso cristão constitui obstáculo à noção de diversidade sexual" - ideologia de gênero.[3]

Em ambos fica a impressão de serem fatos atuais, quando, em verdade, o que se denuncia já é passado, isto é, a estratégia dos governos petistas de subverter a cultura e atacar os valores do cristianismo. Destruição que o governo atual, sem muito senso de urgência, vai revertendo. Questão: a circulação extemporânea dos vídeos servirá para esclarecer ou para banalizar os fatos? Ainda, por que é que pessoas, mesmo com escolaridade, prestam-se a repassar sem reflexão esse tipo de vídeo?

Há consequências. Fruto mais do narcisismo que de uma politização adulta, o hábito de, irrefletidamente, "repassar", "compartilhar", "espalhar" acusações e queixas (no WhatsApp, no Facebook, etc.), em vez de suscitar "massas críticas" (o que seria desejável), faz a manutenção de "massas reativas" (o que é ruim). Ora, apesar de nossas mazelas, no Brasil a opinião pública tem grande importância, afetando a conduta da "classe política". Mas tem um detalhe: o que desacomoda os atores da cena política é o grau de informação e de maturidade crítica do público.

Massas meramente reativas - sem memória, sem apego à verdade, sem análise crítica e, por conseguinte, manipuláveis - metem pouco ou nenhum medo naqueles que usam o poder apenas para proveito próprio. Quem se sentiria ameaçado com o hábito vulgar e catártico de falar mal dos políticos?

Fará sentido repassar de modo inconsequente, acrítico e desinformado essas pseudodenúncias? Não haverá significativa diferença entre, por um lado, a simples queixa e banalização das denúncias e, por outro, o exercício crítico que leva a uma compreensão madura da realidade? Em definitivo, os "caciques" não dão bola para a generalização do mal nem para a banalização das denúncias, o que é conduta típica de massas meramente reativas. Ou melhor, eles adoram, porque A percepção infantil da realidade faz que as massas reativas esperem um "salvador da pátria" que conduza nosso destino: é tudo que os populistas querem!

A "legião de imbecis" de que fala Umberto Eco é, principalmente, composta por gente de má-fé, que usa a facilidade explosiva das redes sociais (não raro escudada no anonimato) para agredir os outros. Mas também existem as pessoas bem intencionadas que, embora agindo de boa-fé, por falta de critério acabam sendo úteis às gangues virtuais. É a essas pessoas, provável maioria, que se recomenda, além do óbvio cuidado em verificar a autenticidade do material, que submetam sua decisão de repassá-lo a um "exame de utilidade".

Pensemos nos tais vídeos. Para quê repassar? Fazê-lo, Ajudará a formar "massas críticas" ou será simples desabafo para as "massas reativas"? Aliás, um critério rigoroso no repassar evita que o compartilhamento caia em descrédito. E, afinal, é uma opção ética: fazer ou não fazer parte de uma "legião de imbecis" é, sim, uma possibilidade de escolha.

[1] Veja comentário de Alexandre Garcia no Bom Dia Brasil de 17/05/2011:


[2] Veja as graves denúncias feitas por Damares Alves, advogada, mestre em Direito de Família, assessora jurídica da Frente Parlamentar Evangélica e pastora da Igreja Batista:


[3]  O Prof. Claudemiro Soares Ferreira mostra o livro com ataque a valores do cristianismo e apologia da ideologia de gênero:



Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

3 comentários:

Loumari disse...

LA ONU Y LA IDEOLOGÍA DE GÉNERO

https://youtu.be/iqi_F2K_CAM

Martim Berto Fuchs disse...

"Mas também existem as pessoas bem intencionadas que, embora agindo de boa-fé, por falta de critério acabam sendo úteis às gangues virtuais."
O que me fez desistir do facebook foi justamente essas pessoas, que numa intervenção pediam a prisão do lularápio, e em outra, replicavam o "Fora Temer" dos blogs da esgotosfera petista, tais como Carta Capital, Brasil.247 e outros tantos.
E se você alerta para o fato, vira saco de pancada. Realmente, não passam de idiotas úteis. E como tem.

Anônimo disse...

Excelente a exposição do encadeamento das abordagens e reações do público manipulável e que se transforma em "inocentes úteis".

Ao lado do Dr. Milton Pires, os textos de Renato Sant'Ana são, disparados, os melhores entre os cronistas independentes. Meu reconhecimento.