sábado, 15 de abril de 2017

O Discurso de Rui Barbosa no Senado em 1914


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja                    

Um texto histórico que vale a pena reler – como se fosse uma peça atualíssima:

A falta de justiça, Srs. Senadores, é o grande mal da nossa terra, o mal dos males, a origem de todas as nossas infelicidades, a fonte de todo nosso descrédito, é a miséria suprema desta pobre nação.

A sua grande vergonha diante do estrangeiro, é aquilo que nos afasta os homens, os auxílios, os capitais.

A injustiça, Senhores, desanima o trabalho, a honestidade, o bem; cresta em flor os espíritos dos moços, semeia no coração das gerações que vêm nascendo a semente da podridão, habitua os homens a não acreditar senão na estrela, na fortuna, no acaso, na loteria da sorte, promove a desonestidade, promove a venalidade, promove a relaxação, insufla a cortesania, a baixeza, sob todas as suas formas.

De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.

Essa foi a obra da República nos últimos anos. No outro regime, o homem que tinha certa nódoa em sua vida era um homem perdido para todo o sempre, as carreiras políticas lhe estavam fechadas. Havia uma sentinela vigilante, de cuja severidade todos se temiam e que, acesa no alto, guardava a redondeza, como um farol que não se apaga, em proveito da honra, da justiça e da moralidade gerais.

Na República os tarados são os tarudos. Na República todos os grupos se alhearam do movimento dos partidos, da ação dos Governos, da prática das instituições. Contentamo-nos, hoje, com as fórmulas e aparência, porque estas mesmo vão se dissipando pouco a pouco, delas quase nada nos restando.

Apenas temos os nomes, apenas temos a reminiscência, apenas temos a fantasmagoria de uma coisa que existiu, de uma coisa que se deseja ver reerguida, mas que, na realidade, se foi inteiramente.

E nessa destruição geral de nossas instituições, a maior de todas as ruínas, Senhores, é a ruína da justiça, colaborada pela ação dos homens públicos, pelo interesse dos nossos partidos, pela influência constante dos nossos Governos. E nesse esboroamento da justiça, a mais grave de todas as ruínas é a falta de penalidade aos criminosos confessos, é a falta de punição quando se aponta um crime que envolve um nome poderoso, apontado, indicado, que todos conhecem ..."

Fonte: Rui Barbosa – Discursos Parlamentares – Obras Completas – Vol. XLI – 1914 – TOMO III – pág. 86/87.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

3 comentários:

Anônimo disse...

EM 1914 O JUDICIARIO, A MAÇONARIA E OS POLITICOS JÁ ROUBAVAM PRA CARALHO E ATÉ HOJE NINGUÉM CONSEGUIU DETELOS... OS SALARIOS E PREVILÉGIOS DESSES DESGRAÇADOS DEVERIAM SEREM CAÇADOS E REDUZIDOS PARA UM TETO MAXIMO, SEM ESTE TÉTO, SEM UMA CORREGEDORIA E SEM A MODIFICAÇÃO NA LEI DA MAGISTRATURA O ROUBO CONTINURA ARROMBANDO COM TUDO...

Marilda Oliveira disse...

A Burschenschaften do Largo do São Francisco em São Paulo que formou os advogados que tramaram a República em 1889 não permitindo até hoje ela funcionar, mudou-se para Brasília. Atua no idp a Escola de Direito de Brasília do Instituto Brasiliense de Direito Público(construída com recursos públicos), de propriedade do ministro do STF Gilmar Mendes foi a instituição privada que mais aprovou no exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Todos bucheiros! falsos nacionalistas, juramentados à se calar sobre a entrega do Brasil a não nacionais.

Anônimo disse...

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acp

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Parabéns!

Faz-se mister o discurso inteiro divulgar!

Ruy viu que errou ao ser republicano.

Pessoas só repetem o trecho "de tanto..." quando o antes e o depois são mais importantes.

Parabéns!

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acp

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