quarta-feira, 26 de abril de 2017

Teoria Marxista da Revolução Proletária


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja                    

Este é um tema que pode ser abordado de várias maneiras. A seguir uma síntese das idéias que se combinam na teoria marxista da revolução.
Inicialmente, o caráter opressor da sociedade capitalista, assentada, segundo Marx, em uma economia baseada na exploração do homem pelo homem, sujeita a crises cíclicas e cm tendência ao declínio, é uma economia que deve ser suprimida.

Em segundo lugar, a definição de que a luta de classes é o motor da História, pois a História, desde os primórdios da civilização nada mais tem sido do que o relato da luta de classes; que o sujeito revolucionário fundamental, o proletariado, não obterá uma melhoria global e definitiva de suas condições de vida e trabalho a não ser pela supressão do capitalismo.

Pelos seus interesses históricos objetivos e pela sua força social, a classe operária foi definida por Marx como o sujeito revolucionário fundamental, capaz de emancipar-se e a toda a humanidade.

Outro aspecto da teoria marxista revolucionária é o que se refere ao Estado na sociedade capitalista, que Marx definiu como um aparato a serviço da burguesia, que não pode ser reformado, transformado ou utilizado pelo proletariado. Tem que ser destruído pela revolução proletária, que construirá outros organismos – administração pública, órgãos policiais, Forças Armadas e aparelhos ideológicos do Estado – que permitam o exercício do Poder pelos trabalhadores e conduzam à passagem do capitalismo ao socialismo. Esse novo Estado foi definido por Marx como uma ditadura revolucionária do proletariado, do mesmo modo que no capitalismo o Estado é uma ditadura da burguesia.

Uma questão central na teoria marxista da revolução proletária é a necessidade da construção de um partido revolucionário que introduza, desde fora, no proletariado, a consciência de classe.

Eis a concepção de Marx do que seria a sociedade comunista: uma sociedade sem classes, sem Estado, sem divisão social do trabalho, onde este deixaria de ser um meio de ganhar a vida para tornar-se fonte de realização dos indivíduos.

Resumindo: a teoria marxista da revolução proletária define como necessidade objetiva a supressão da sociedade capitalista, a ser realizada por uma revolução proletária, dirigida por um partido revolucionário, que dará origem a um Estado de novo tipo e iniciará a construção da sociedade socialista.

Após mais de um século da publicação do Manifesto Comunista, nenhuma revolução socialista tornou-se vitoriosa nos países capitalistas. E mais: nesses países, o modo capitalista de produção foi sedimentado e a classe operária – o sujeito revolucionário fundamental, de Marx – obteve constantes e sensíveis melhorias em suas condições de vida e trabalho, está organizada em sindicatos e não tem perspectivas revolucionárias.

Porém, o fato mais inquietante e questionador das idéias de Marx, é o de que, onde quer que o capitalismo tenha sido suprimido – sempre pela força das armas, como ocorreu em Cuba, e não pela força dos argumentos da doutrina -, não se seguiu a chamada democracia operária, imaginada por Marx, e nem, pelo menos, um processo de construção do socialismo que avançasse em direção a ela.

O tal partido revolucionário do proletariado expropriou o proletariado do poder político, a burocracia apoderou-se do partido do proletariado e dos meios de produção, e passou a impedir qualquer progresso no sentido do socialismo.

Em lugar da liberdade e da fonte de realização dos indivíduos, estamos diante da terrível realidade dos Gulags e dos hospitais psiquiátricos.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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