domingo, 16 de abril de 2017

Usinas de Propinas


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

O Estado Brasileiro foi literal e gigantemente privatizado pela amabilidade dos conchavos, pelo jorrar fácil da corrupção e de enormes, infindáveis obras que se sustentam no sobrepreço. Não fazemos diferente, mas construímos somente usinas de propinas, na última década nos aprimoramos em obras de grande porte, a copa do mundo e jogos olímpicos, usinas e refinarias, transposição do rio São Francisco, ferrovias, rodovias, infraestrutura, mas um trilhao de reais fora sorvido pelo espírito da ladroagem que cativa a todos os partidos e legendas e faz da cidadania um vassalo cujo suserano é aquele que fertilmente distribui o numerário e reverte em proveito da malandragem e da safadeza como de qualquer anônimo que tem covardia de se apresentar e mostrar a cara.

Nosso legado é uma espécie de descalabro entre o fosso institucional e o abismo moral, mas como resolver a maioria dos problemas se o  Supremo Tribunal Federal não foi edificado para dar resultado aos crimes do foro privilegiado? Bastaria instalar uma sessão de julgamento permanente para que os crimes de caixa 2 fossem debelados e levados a julgamento. Os processos seriam colocados num juri único e nele a decisão dos ministros seria apenas de dar o veredcito como num juri popular culpado ou inocente, e daí seria dosada a pena a partir da perda de direitos políticos, o perdimento dos bens e a prisão em regime fechado.

A quadrilha do crime organizado que assaltou cofres públicos agora consiste numa das mais degradantes que se abeberou da República e sitiou o País, colocando em risco a segurança,a liberdade e a própria  condição do status dignitatis. Quem confessasse seu crime  poderia ter uma pena reduzida,mas não ficaria livre de devolver o dinheiro público todos numa só obrigação de honrar ao caixa 2 e nessa toada as grandes obras jamais terminam são feitas as calendas e somente sobrevivem pela propina.

Haveria o parlamento de legislar obrigando que toda obra tivesse um preço de mercado, prazo de início e término e os nomes dos responsáveis, não concluída a obra, imediatamente haveria o deslocamento dela para a seguradora  responsável a qual poderia livremente contratar ou ressarcir ao Erário o prejuizo causado. Não há milagres a população é a vitima primeira da usina das propinas, o voto de cabresto o voto obrigatório, os currais eleitorais,horario eleitoral gratuito e o dinheiro público que financia a imoral classe política a qual se vangloria de fazer nomeações do primeiro ao último escalão com o olho crescendo para ver qual vantagem levará.

O modelo morreu, o Brasil faliu e a dívida pública é impagável. Agora querem sacrificar toda a sociedade civil com reformas megaantipáticas que simplesmente não tocam o dedo na ferida. Esse propinoduto que privatizou o Estado é explicável pela globalização, pela falta de competição e anemia de concorrência. Agigantou-se a empresa, seus tentáculos se espalharam para o exterior e com a mão visível do governo e a mais presente do BNDES tudo fora possível e agora que foram pilhados em flagrante nenhum deles tem a humildade de reconhecer o erro.

Aliás, enquanto num País desenvolvido o sujeito pede renuncia ou se mata, aqui eles matam o povo e até o último suspiram juram inocência. Sem um Tribunal constituído para corrigir esse pecado original de nossa política com sessões diárias e rito sumário de apenas culpado ou inocente não atingiremos nossos objetivos e a prescrição incorrerá na mais veemente e famigerada forma de se punir a sociedade, o homem de bem e fazer triunfar a impunidade.

Que nosso STF desperte para mediante julgamentos em tempo real fazer dissipar as trevas da corrupção e punir rigorosamente aos intrépidos políticos carcomeram a Nação e embalaram no colo a propina que desavergonhadamente é um circulo vicioso, simbiose entre o despudor da representatividade inócua e o capitalismo predatório de macroempresas que se alimentam dessa droga chamada corrupção.

E que na Páscoa matemos essa maldita corrupção e ressuscitemos de verdade a Nação.

Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

2 comentários:

Anônimo disse...

QUEM DERA O DESEMBARGADOR MESMO QUE NO ANONIMATO FOSSE HOMEM DE DENUNCIAR SEUS COMPARSAS NO JUDICIARIO... TUDO O QUE DA ERRADO NO PAIS TEM UM DEDO PODRE DO JUDICIARIO E SE FOR POR NA PONTA DO LAPIS VOCÊS EM UMA LEGALIDADE FORJADA ROUBAM MUITO MAIS DO QUE OS POLITICOS... HOMEM DE FICAR CARA A CARA COM VOCÊ QUALQUER UM É, AGORA SE TIVER QUE ENCARAR SUA MAFIA AI É OUTRA HISTÓRIA, O JUDICIARIO É O RESTO DE UMA DITADURA ASSASSINA E COM ASSASSINOS, TORTURADORES, TRAFICANTES, CONTRABANDISTAS,BICHEIROS, LADRÕES DE TUDO O QUE É NOSSO NÃO SE BRINCA NEM NO ANONIMATO... É PRECISO DE UMA POLICIA ESPECIALIZADA E DA MODIFICAÇÃO NA LEI DA MAGISTRATURA PARA QUEM SABE ENTRE NA CABEÇA OCA DESSES DESGRAÇADOS QUE ELES SÃO SERVIDORES E NÃO OS DONOS DO PAIS... SE POLITICO ROUBOU É PORQUE O JUDICIARIO DEIXOU...

Anônimo disse...

A Odebrech ficou com as obras faraônicas, a Justica com os maços e o setor financeiros com os bancos e especuladores. O Brasil tem jeito e é muito fácil arrumá-lo.