quarta-feira, 3 de maio de 2017

Manual Soviético de Economia Política


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja                    

O texto abaixo é o resumo de um dos capítulos do livro “A NOMENKLATURA – Como Vivem as Classes Privilegiadas na União Soviética”, de autoria de MICHAEL S. VOSLENSKY, considerado no Ocidente um dos mais eminentes especialistas em política soviética. Foi professor de História na Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba, em Moscou, e membro da Academia de Ciências Sociais junto ao Comitê Central do PCUS. O livro foi editado no Brasil pela Editora Record.
    
NOMENKLATURA, uma palavra praticamente desconhecida pela maioria dos brasileiros, exceto por alguns especialistas, merece tornar-se tão célebre quanto o termo GULAG. Designa a classe dos novos privilegiados, essa aristocracia vermelha que dispõe de um poder sem precedentes na História, já que ela é o próprio Estado. Atribui, a si mesma, imensos e inalienáveis privilégios – dachas e moradias luxuosas, limusines, restaurantes, lojas, clínicas, centros de repouso especiais e quase gratuitos -. 
           
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No Manual Soviético de Economia Política está escrito que o salário por tarefa, no regime capitalista, provoca um aumento crescente nas cadências no trabalho. Ao mesmo tempo, facilita, para o empresário, a vigilância sobre os trabalhadores. O rendimento do trabalho é controlado pelo subterfúgio da quantidade e da qualidade dos produtos que o trabalhador deve fornecer para obter os meios de vida necessários. Ele é obrigado a produzir mais, a trabalhar mais intensivamente.

Assim que uma parcela, em número variável, atinge um nível superior de produtividade, o capitalista baixa os preços por unidade, e o trabalhador procura conservar seu salário trabalhando mais, ou fazendo mais horas de serviço, ou produzido mais por hora. O resultado é que quanto mais ele trabalha menos ganha (Karl Marx, Trabalho, Salário, Lucro). Eis aí a particularidade essencial do trabalho por tarefa no capitalismo.
    
Em 1975, de acordo com as estatísticas do Escritório Central da URSS, 56,2% dos trabalhadores da indústria e da construção foram pagos por tarefa, e somente 43,8% por hora. Atualmente, o trabalho por empreitada é apresentado como uma “forma progressista de retribuição do trabalho”. A Nomenklatura resolveu essa contradição com um dogma explicando tranqüilamente que. no sistema socialista, os trabalhadores produzem para eles próprios.
    
Exigindo que a produtividade aumente sem alta de salário, a Nomenklatura parte, visivelmente, da idéia de que ninguém, na URSS, abre O Capital. Se se traduzir a teses da Nomenklatura em termos marxistas, vê-se que, no socialismo, o valor produzido pelos trabalhadores, inclusive, pois, a mais-valia, deve aumentar comparativamente aos salários. Ora, essa proporção entre mais-valia e salários, expressa em percentagem, corresponde, segundo Marx, à “taxa de exploração” dos trabalhadores. E essa taxa tende a aumentar.
    
Quais são as perspectivas de normalização das relações salariais na URSS? O Plano Quinqüenal, promulgado pelo XXV Congresso, prometeu elevar, em 1980, o salário-médio dos trabalhadores e dos empregados para 170 rublos por mês (1.110 francos). Em 1980, o trabalhador médio recebia, pois, três vezes menos do que o trabalhador francês médio, e duas vezes menos do que o desempregado francês médio.
   
Tal é, no campo salarial, o resultado de 60 anos de conquistas socialistas na URSS.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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