quarta-feira, 17 de maio de 2017

O Cofre do “Dr Ruy” (Adhemar de Barros)


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

A ex-presidente Dilma Roussef participou, sim, do assalto ao cofre do ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, uma ação armada comandada, em 1969, pelo seu futuro marido, o ex-deputado estadual Carlos Franklin Paixão de Araújo - também ex-militante da VAR-Palmares -, em 1969, numa imponente mansão do bairro Santa Teresa, no Rio.

     A biografia de Dilma Rousseff, no site da campanha presidencial e nos programas de Rádio e TV, omitiu totalmente o seu passado terrorista.

     Quem contou os detalhes do assalto foi o próprio ex-deputado Carlos Araújo, que na época liderava com Dilma Roussef a organização terrorista VAR Palmares, já, então, aliada estratégica da VPR, grupo liderado pelo ex-capitão Carlos Lamarca. O jornal Zero Hora contou essa história, em 5 páginas recheadas de detalhes colhidos pelos repórteres Luiz Antonio Araújo e Mariana Bertolucci, ao longo de oito horas de gravações.

     Posteriormente, foi publicado o livro “O Cofre do dr. Ruy”, de Tom Cardoso, editado em 2011 pela Civilização Brasileira, com detalhes de cada uma das 22 pessoas envolvidas. O texto abaixo foi extraído desse livro. Segundo Tom Cardoso, todos – ou quase todos – os terroristas citados foram “torturados”. Recordo que o comunista Mario Lago, ator, recomendava a seus kamaradas presos, dizerem, sempre, que foram torturados.
  
 
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     Nem todos os envolvidos direta ou indiretamente no roubo realizado na mansão de Santa Teresa, no Rio, foram acometidos da maldição do Cofre de Adhemar. Alguns, como Sônia Eliane Lafoz, jamais foram presos. Outros – como Gustavo Buarque Schiler -, carregaram o estigma até o fim da vida.

     A seguir, em ordem alfabética, o destino de cada um dos envolvidos nesse roubo, que foi denominado de “Ação Grande”. Por que? Porque o cofre continha 2 milhões e 400 mil dólares. Adhemar de Barros – Ex-Governador de São Paulo, cassado em junho de 1965, no ano seguinte partiu para o exílio, em Paris. Afastado da vida pública, deprimido, morreu de enfarte, em março de 1969, aos 68 anos.

     ANA BENCHIMOL CAPRIGLIONE – Proprietária e moradora da casa, em Santa Teresa, RJ, onde se achava o cofre. Três anos depois, passou a residir em uma cobertura duplex, no bairro do Flamengo, onde continuou organizando festas para o higth society. No fim da vida passou a sofrer do Mal de Alzheimer. Morreu em outubro de 2005. na véspera de completar 94 anos. 

     ÂNGELO PEZZUTTI DA SILVA – Preso em 1969, trocado pelo embaixador alemão em 1970, exilou-se no Chile no ano seguinte onde se casou com Maria do Carmo Brito. Foi preso, em Santiago, em 1972, por envolvimento com grupos revolucionários chilenos. Após uma curta passagem pelo Panamá, exilou-se na França, formando-se em Medicina. Morreu em um acidente de motocicleta, em1975, em Paris. 

     ANTONIO EXPEDITO CARVALHO PEREIRA – Preso em 1969, liberado em janeiro de 1971, em troca com a liberdade do embaixador suíço, seqüestrado pela VPR. Em Paris, “nomeado” por Onofre Pinto – na época um dos dirigentes da VPR -, “embaixador da VPR na Europa”. Envolveu-se com grupos terroristas, aproximando-se do venezuelano Ilich Ramirez Sanchez (“Chacal”). Assumiu diversas identidades e foi dado como morto duas vezes, até morrer “oficialmente” na Itália, em 1996, vítima de um câncer.

     CARLOS FRANKLIN PAIXÃO DE ARAUJO (“Max”) – Preso em agosto de 1970; passou por diversas prisões, sendo libertado em 1974. Retornou à advocacia e passou 25 anos casado com a companheira de militância Dilma Rousseff, de quem se separou em 1994. Eleito três vezes deputado estadual no RS, entre os anos de 1980 e 1990, pelo PDT, e derrotado por Olívio Dutra na campanha para prefeito de Porto Alegre em 1988, continua advogando em Porto Alegre, onde mora. 
   
     CARLOS LAMARCA – Caçado durante mais de 2 anos pelos militares, acabou morto, no interior da Bahia, em setembro de 1971. Tinha 33 anos. Em 2007, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça concedeu uma indenização de 100 mil reais à sua viúva, além de uma pensão mensal equivalente ao salário de general de brigada. Em 2010, acatando ação do Clube Militar, a Justiça do Rio de Janeiro suspendeu o pagamento da indenização e da aposentadoria.

     CARLOS MINC BAUNFELD (“Orlando”) – Trocado pela liberdade do embaixador alemão seqüestrado em 1970, cursou Mestrado em Planejamento Urbano e Regional na Universidade Técnica de Lisboa. Voltou ao Brasil em 1979, beneficiado pela Lei da Anistia. Membro-fundador do Partido Verde, foi eleito Deputado Estadual em 1986. Após divergências, deixou o PV e filiou-se ao PT, elegendo-se Deputado Estadual em 1990, 1994, 1998, 2002 e 2006. Em 2008, assumiu o Ministério do Meio Ambiente, no governo Lula. Atualmente é Secretário Estadual do Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

     DARCY RODRIGUES (“Léo”) – Trocado pela liberdade do embaixador alemão, seqüestrado em 1970. Morou em Cuba, onde cursou Economia. De volta ao Brasil, formou-se em Direito. Em 2002 candidatou-se a Deputado Federal pelo PDT, mas não se elegeu. Advogado. Mora em Bauru/SP.

     DILMA VANA ROUSSEFF – Presa em janeiro de 1970, torturada nos porões da Operação Bandeirantes (OBAN). Foi libertada 3 anos depois, em janeiro de 1973. Mudou-se para Porto Alegre, onde ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas da UFRS. Em 1975 passou a trabalhar na Fundação de Economia e Estatística. Entre 1985 e 1988 exerceu o cargo de Secretária Municipal da Fazenda de Porto Alegre, no governo Alceu Collares. Em 2002, já filiada ao PT, foi escolhida para ocupar o cargo de Ministra de Minas e Energia do governo Lula, onde permaneceu até 2005. Nomeada Ministra Chefe da Casa Civil em substituição a José Dirceu, manteve-se no cargo durante o segundo mandato de Lula. Foi chamada pelo presidente de “A Mãe do PAC” – Programa de Aceleração do Crescimento -. Em fevereiro de 2010 foi lançada oficialmente pré-candidata a Presidente. Venceu a disputa com o candidato do PSDB, José Serra, e tornou-se a primeira mulher a assumir a Presidência da República, sendo reeleita 4 anos depois, deixando de concluir esse mandato por ter sofrido um impeachment.

     FERNANDO BORGES DE PAULA FERREIRA (“Fernando Ruivo”, “Felipe”) - foi morto a tiros pela Polícia 12 dias depois da “Ação Grande”. 

     GUSTAVO BUARQUE SCHILLER (“Bicho”) – Após ser preso e torturado pela equipe do delegado Pedro Seelig, em março de 1970, em Porto Alegre, conseguiu deixar o país em 1971, trocado pela liberdade do embaixador suíço, seqüestrado pela VPR. Tentou, sem sucesso, organizar focos de guerrilha no Chile e na Argentina. Mudou-se para Paris em 1974, retornando ao Brasil apenas em 1983. Depois de uma temporada na Ilha de Marajó, no Pará, voltou ao Rio em 1985. Jamais se recuperou dos anos de tortura em Porto Alegre. Suicidou-se no dia 22 de setembro de 1985, atirando-se da janela do quarto onde dormia sua filha, de um ano.

      INÊS ETIENNE ROMEU (“Alda”) – Única sobrevivente da Casa da Morte, centro de torturas do regime militar, em Petrópolis-RJ, condenada à prisão perpétua em 1972, permaneceu na Penitenciária de Bangu até 1979, quando foi colocada em liberdade, beneficiada pela Lei da Anistia. Com o apoio de entidades como a OAB e a ABI e das famílias de desaparecidos, passou a denunciar seus torturadores. No dia 10 de outubro de 2003, foi encontrada caída no chão de sua casa, na rua Maria Antonia, em São Paulo, com um grande ferimento na cabeça, com sinais de traumatismo craniano por golpes múltiplos diversos. Diz que não se recorda do que aconteceu, e hoje, com limitações neurológicas, mora em Niterói, no Rio de Janeiro.  

      JESUS PAREDES SOTO (“Mário”) – Preso em abril de 1974, em S. Bernardo do Campo e anistiado em 1979. Mora no Rio de Janeiro e trabalha no ramo farmacêutico. Foi ele quem abriu o Cofre do Adhemar, com um maçarico.

      JOÃO DOMINGUES DA SILVA (“Elias”) – Preso na perseguição policial que resultou na morte de “Fernando Ruivo” – acima citado -, acabou morto após ser torturado 13 dias seguidos. 

      JOÃO MARQUES DE AGUIAR (“Jeremias”) – Jamais foi preso. Em fevereiro de 1970 conseguiu fugir, por terra, para o Chile. Após a queda de Salvador Allende, deixou Santiago e partiu para Cuba, onde viveu durante a maior parte do exílio. É professor universitário em Belo Horizonte.

     JOSÉ ANSELMO DOS SANTOS (“Cabo Anselmo”) – Depois que ficou clara a sua participação como agente da repressão, passou anos desaparecido, até ser entrevistado pelo jornalista da Isto É, Octavio Ribeiro, o “Pena Branca”, em março de 1984. Reside atualmente em São Paulo e reivindica aposentadoria condizente com o posto que ocuparia hoje na Marinha. 

     JOSÉ ARAUJO DA NÓBREGA (“Alberto”) – Preso em abril de 1970 no Vale da Ribeira. deixou o Brasil após ser trocado pela liberdade do embaixador alemão, seqüestrado pela VPR. Depois de uma temporada na Argélia asilou-se na Suécia. Mora atualmente em Jacupiranga/SP, onde trabalha como produtor rural. Conseguiu, na Justiça, sua aposentadoria como Oficial do Exército.

     JUAREZ GUIMARÃES DE BRITO (“Juvenal”) – Cercado pela Polícia no dia 18 de abril de 1970, no Rio de Janeiro, atirou na própria cabeça.

     MARIA DO CARMO BRITO (“Lia”) – Cercada no dia 18 de abril de 1970, ao lado do marido, Juarez Guimarães de Brito, entregou-se à Polícia logo após o suicídio de seu companheiro. Partiu para o exílio, na Argélia, após ser trocada pelo embaixador alemão, seqüestrado pela VPR. Casou-se, no Chile, com Ângelo Pezzuti, dirigente da VPR. Entre 1973 e 1983 residiu na Argentina, na Espanha e no México. Está casada, atualmente, com o ex-militante da VPR Chizuo Osava (“Mário Japa”). Reside no bairro de Laranjeiras, no Rio. 

     ONOFRE PINTO (“Augusto”) – Preso em São Paulo em março de 1969, foi libertado em troca do embaixador dos EUA no Brasil, seqüestrado pela VPR, em setembro de 1969. Reassumiu o comando da nova VPR, após o racha da VAR-Palmares. Decidiu continuar na luta após a extinção da VPR, em 1973. Ao entrar no Paraná, procedente da Argentina, com seu grupo de militantes, em julho de 1974, acabou executado pelos militares, após ser traído por um informante. 

     REINALDO JOSÉ DE MELO (“Maurício”) – Preso em outubro de 1969, deixou o Brasil rumo ao Chile, em troca da liberdade do embaixador suíço, seqüestrado pela VPR, em janeiro de 1971. Vi eu no Chile, na França e na Alemanha. Passou 15 anos em Moçambique, trabalhando na área educacional e de comércio exterior. Voltou ao Brasil em 1992 e reside em Brasília, onde exerce a função de diretor-geral de uma empresa binacional.

     SONIA ELIANE LAFOZ (“Mariana”) – Nunca foi presa. Em abril de 1971, grávida de 8 meses, conseguiu fugir para o Chile. Posteriormente exilou-se na França, aonde chegou a ser vereadora na pequena cidade de Villetaneuse. Reside em Curitiba, onde trabalha em projetos de saúde pública.

     WELLINGTON MOREIRA DINIZ (“Justino”) – Preso em abril de 1970, quando “abriu” o contato, dia 18 de abril, com Juarez Guimarães de Brito. Passou boa parte do exílio na Itália. Depois, chegou a participar da guerra pela independência de Angola. Reside em Belo Horizonte, onde passou a trabalhar com acupuntura e terapias orientais.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

5 comentários:

Mauricio disse...

Percebo um certo "encanto" do historiador com os terroristas...

Anônimo disse...

Esses lutaram para implantação da "democracia deles" no Brasil pois como se vê hoje, na realidade não era democracia e sim a de Cuba e países bolivarianos.

Anônimo disse...

Incrível como todos eles se deram bem após a anistia. O mesmo talvez não possa ser dito daqueles que os combateram para impedi-los de instaurar uma ditadura comunista no Brasil. Lamentável que essa "Comessão" da Anistia tenha tido poderes e a Justiça Federal tenha acatado o pedido desses facínoras, concedendo-lhes indenizações milionárias, pensões e patentes militares, mesmo sendo eles traidores da Pátria.
Surpreendente a passividade das Forças Armadas, aceitando sem contestação esses absurdos, como no caso do terrorista JOSÉ ARAUJO DA NÓBREGA (“Alberto”),que hoje vive confortavelmente como dono de propriedade rural em Jacupiranga/SP e ainda podendo esfregar na nossa cara uma identidade de Oficial do Exército e recebendo um bom soldo, pago com o meu, o seu, o nosso dinheirinho.

Almanakut Notícias - São Paulo - SP - Brasil disse...

Caminhão com carga de maconha e arsenal é apreendido em Teodoro Sampaio/SP - 17/05/2017

Pistolas, fuzis e metralhadoras de calibre .50 estavam em um fundo falso do veículo. Produtos seriam levados para o Rio de Janeiro (RJ).

http://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-regiao/noticia/caminhao-com-carga-de-maconha-e-arsenal-e-apreendido-em-teodoro-sampaio.ghtml

Assentados e sem-terra de Teodoro Sampaio falam sobre problemas na região

Estadão - 02/02/2013

https://www.youtube.com/watch?v=DEeTVPqPBEE

Anônimo disse...

"No tempo dos militares, havia o problema dos 'excedentes', estudantes que passavam no vestibular, mas não tinham vagas nas universidades. Eles protestavam, esbravejavam, quebravam vidraças. O governo, em vez de mandar cada um desses vagabundos cortar cana, como o teria feito o velho Fidel Castro, abriu uma universidade de merda em cada esquina para contentá-los. Deu no que deu..." (Olavo de Carvalho). Na campanha eleitoral, para evitar que se espalhasse que Dilma é guerrilheira (o que afastaria os eleitores ordeiros), Lula propagava que ela era guerreira, para que principalmente as mulheres pobres se identificassem com ela.