sábado, 27 de maio de 2017

Partido Bolchevique – A prática de direção após a instauração da Ditadura do Proletariado


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

“Construir pode ser uma tarefa lenta e de anos. Destruir pode ser o ato impulsivo de um único dia” (Winston Churchil)”.

Após a instauração da ditadura do proletariado, a prática efetiva do Partido Bolchevique ficou longe de ter sido estritamente conforme aos princípios leninistas, segundo os quais o Partido deve persuadir as massas operárias, ter confiança nelas e deixar que se convençam do que é justo através de sua própria experiência.
    
As transformações internas do Partido, as exigências de uma ação rápida, a decomposição do proletariado – cujas fileiras se desfalcam dos elementos mais combativos, enquanto nelas penetram numerosos elementos burgueses e pequeno-burgueses -, as urgências militares, a situação econômica catastrófica, a fome e o frio que levam a parte mais avançada das massas ao desespero, não permitem que esses elementos sejam postos, plena e constantemente, em execução. Tais princípios não são, além disso, “fetiches”, mas guias para a ação. É essencial que sejam o mais possível respeitados.

É absurdo querer aplicá-los em não importa quais condições ou circunstâncias. O Partido Bolchevique considera, a justo título, que o fato de ter expulsado a burguesia do Poder na Rússia, é um acontecimento de importância mundial e que, em conseqüência, tudo deve contribuir para impedir a burguesia e o imperialismo de restaurar sua ditadura. É esse o sentido da palavra de ordem de Lenin: “Tudo pela frente de batalha”,

Os elementos avançados do proletariado e das amplas massas proletárias estavam conscientes das exigências objetivas da situação. Eles participaram, com extraordinária energia, das lutas travadas na frente militar e na frente da produção, depositando confiança no Partido Bolchevique, e conquistando, finalmente, a vitória, a despeito das extremas dificuldades materiais.

Essa vitória, política por excelência, provam de maneira concreta que os elementos mais ativos do proletariado e das massas populares – cuja resistência à guerra imperialista, alguns anos antes, havia evado à derrocada do czarismo – apóiam ativamente o Partido Bolchevique, e que também a linha e a prática política do Partido, estão fundamentalmente corretas.

Esse caráter, fundamentalmente correto, não exclui que erros tenham sido cometidos. Uma vez obtida a vitória sobre os exércitos brancos e imperialistas, esses erros cometidos – e reconhecidos por Lenin em seu balanço crítico do “comunismo de guerra”, provocam não somente a deterioração do Partido com as massas camponesas, mas também a degradação de suas relações com uma parte da classe operária. Tal evolução, desfavorável às relações partido/massas, conduz à crise política do inverno de 1920/1921.   
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O texto acima é um dos capítulos do livro “A Luta de Classes na União Soviética”, escrito porCharles Betelheim, editora Paz e Terra. Charles Bettelheim (20 de Novembro de 1913 - 20 de Julho de 2006) foi um economista e historiador francês. Fundador do CEMI ("Centre pour l'Étude des Modes d'Industrialisation" - Centro para o Estudo de Modos de Industrialização) na Sorbonne;foi também consultor econômico em governos de vários países em desenvolvimento durante a descolonização. Foi muito influente na Nova Esquerda Francesa, e é considerado "um dos mais notáveis marxistas do mundo capitalista" (Le Monde, 4 de Abril de 1972) em França, mas também em EspanhaItáliaAmérica Latina e Índia.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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