segunda-feira, 26 de junho de 2017

É fácil! É claro! É óbvio!


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Taboada

Parem tudo! Parem todas as “soluções” encontradas até agora para a crise brasileira. Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista, Reforma Tributária e reformas em geral. Parem imediatamente! Depois retomamos essas iniciativas discutindo melhor cada uma delas, mas agora...

Parem, que a verdadeira solução é outra! O nome dela é “Dinheiro!” O que o Brasil precisa agora é de muito dinheiro! Bilhões de dólares para investir na geração de emprego, na saúde, na educação, na infraestrutura, no custeio da máquina pública, incentivo e financiamento para pequenas e médias indústrias e empresas em geral, além do apoio aos projetos sérios de grandes exportadoras do agronegócio.

É fácil! É simples! É óbvio! Com dinheiro na mão a gente bota a "locomotiva pra andar" impactando extraordinariamente nossa economia, gerando prosperidade em série e resultados sociais de envergadura que vão assombrar o mundo com um novo "Milagre Econômico Brasileiro!"

Mas, como e onde conseguir tanto dinheiro? Onde encontrar o mapa do tesouro? Ele apontará uma ilha perdida nos mares do sul? Não, não apontará! Esqueçam quaisquer viagens por “mares nunca d'antes navegados.” A situação é mais simples e objetiva. Essa “dinheirama” toda está aqui mesmo no Brasil a palmos dos nossos narizes! Está em rubricas secretas de todas as dotações orçamentárias dos vários níveis da administração pública federal, estadual e municipal. Insisto! São bilhões de dólares, aqui, bem perto, pra gente botar a mão e investir no Brasil.

Rubricas secretas? Previstas na Constituição? Será um mecanismo emergencial para momentos de crise e desemprego? Não, não é isso! Esse dinheiro existe, é nosso, é de grande monta e apenas precisa de determinadas providências administrativas e legais para ser utilizado plenamente. Vamos ver primeiro como é sua contabilidade para entendermos melhor o mecanismo.

Orçamento Paralelo da União nas Últimas Décadas
(Valores ilustrativos)
Conta da Corrupção em Geral 
6.1 Corrupção área da construção civil e empreiteiras – R$ 300 bilhões
6.2 Corrupção área do sistema financeiro S/A – R$ 350 bilhões
6.3 Corrupção área frigoríficos – R$ 150 bilhões
6.4 Corrupção área estatal
(Petrobras, Furnas, BB, CEF, Correios, etc) - R$ 350 bilhões
6.5 Corrupção empresas de todos os tipos – R$ 300 bilhões
6.6.1 Caixa 2 PSDB – R$ 7 bilhões
6.6.2 Caixa 2 PT – R$ 7 bilhões
6.6.3 Caixa 2 PMDB – R$ 7 bilhões
6.6.4 Caixa 2 vários partidos – R$ 7 bilhões
6.7.1 Propina para presidentes - R$ 2 bilhões
6.7.2 Propina para Senadores – R$ 3 bilhões
6.7.3 Propina para deputados – R$ 5 bilhões
6.7.4 Propina para membros do Judiciário – R$ 4 bilhões
6.8.1 Propina para prefeitos – R$ 10 bilhões
6.8.2 Propina para vereadores – R$ 15 bilhões
6.8.3 Propina para governadores – R$ 10 bilhões
6.8.4 Propina para deputados estaduais – R$ 18 bilhões
6.100.1000 "Pequenas" corrupções - 150 bilhões
TOTAL - ( estimativa nas últimas 3 décadas)    -     (4 TRILHÕES)

Viram? Nós temos o dinheiro que o Brasil precisa! Apenas está em mãos e contas erradas. É o dinheiro que financia a corrupção! Para utilizá-lo basta deixar de aceitar passivamente, a partir de agora, sua contabilidade subterrânea, apoiando e cobrando investigações até as últimas consequências e defendendo a “Operação Lava Jato” que verdadeiramente ameaça os corruptos. Seus resultados práticos, rompendo pela primeira vez no Brasil de forma contundente a barreira da impunidade para criminosos de colarinho branco, abriram precedentes de grandes significados que ameaçam o futuro da corrupção em nosso país. Por isso a histeria e artimanhas de bandidos bem vestidos, larápios e “cafetões da corrupção” contra Moro, Dallagnol, Janot, Fachin, a Polícia Federal e outros agentes públicos e instituições responsáveis pelas apurações.

Mas, não são só as verbas da corrupção que podem ter suas finalidades originais restabelecidas. A essa grandiosa "rubrica da corrupção" precisamos somar as dívidas que grandes bancos e empresas têm com o Estado Brasileiro. Essa é a "rubrica do calote!" Só na Previdência o valor é de R$ 426 bilhões de reais, enquanto a "rubrica da sonegação" ultrapassa 600 bilhões em impostos por ano. Em todos os níveis o país é roubado descaradamente, cotidianamente. Freneticamente! 

São muitas as fontes de dinheiro para o país que podem ser identificadas. Elas estão aí saltando aos nossos olhos. As chamadas “pequenas corrupções cotidianas” praticadas pela população também geram grandes prejuízos. A depredação de bens públicos ocasiona a perda de recursos, enquanto a falta de educação e a impunidade resultam em prejuízos financeiros e humanos, no trânsito, nas escolas, nas ruas e bairros de periferia. Tem também a "rubrica do desperdício," "dos privilégios,” “dos..." Eu poderia ficar citando aqui dezenas de práticas que se forem interrompidas ou diminuídas tornarão os gastos públicos mais eficientes e qualificados garantido os resultados previstos para a população. 

Como se vê há vários "baús" escondidos cheios de moedas de ouro e dólares por aí! Essa diversidade de fontes de recursos para financiar nosso desenvolvimento deveria levar confiança ao "Mercado.” Aliás, um "Mercado" robusto, forte economicamente e moderno, mas de pensamento medíocre, tacanho e pueril, que faz vistas grossas para a roubalheira e subestima a importância para a economia, e consequentemente para seus lucros, de se ter um país estável politicamente, organizado, com instituições consolidadas, baixos níveis de corrupção e uma população produtiva, educada e motivada. 

O "Mercado," aqui no Brasil, age como um "politico do baixo clero," um “mercadinho de segunda categoria" em um país periférico dominado por políticos venais subjugados aos seus interesses à base de propina. Na crise, banqueiros e megaempresários se agarram em reformas inoportunas e mal elaboradas, desde que sobrem alguns trocados para seus negócios. Abrem mão de melhores possibilidades. Agem como se desconhecessem que investimentos produtivos estrangeiros, por exemplo, preferem as nações com economias sólidas e modernas social e politicamente. 

Mas, o que fazer agora que descobrimos onde está o dinheiro necessário para debelar a crise em nosso país? Como já citei anteriormente, o combate à corrupção com efetividade é a mais importante condição para viabilizar a utilização desses recursos. Lógica simples demais. Óbvio ululante como diria Nélson Rodrigues. Dinheiro não se evapora no ar. Se não for roubado será aplicado. Se não for aplicado sobrará no caixa do estado até alguém utilizá-lo devidamente ou remanejá-lo para outra área. Esse combate á corrupção precisa ser ampliado através de uma política de estado, com participação da sociedade, incluindo instituições como o Ministério Público, a Polícia Federal, a Justiça, a Receita Federal, entidades empresariais, sociais e sindicais, ong's e a população em geral. O próximo governo brasileiro, eleito, poderá jogar papel fundamental nessa questão.

Campanhas educativas deverão ser realizadas através, e com a participação, da grande imprensa, assim como as redes sociais poderão ser estimuladas a cumprir importante papel. As tecnologias da informação jogarão papel decisivo no controle e fiscalização por parte da sociedade. As pessoas deverão se unir independentemente de suas convicções filosóficas, religiosas ou ideológicas.

Devemos, também, nos mobilizar para mudar hábitos cotidianos. A propina e o desvio de recursos públicos no Brasil envolvem políticos, magistrados, presidentes da república, servidores públicos, empresários, médicos, guardas de trânsito, fiscais de renda, beneficiários de programas sociais, pessoas pobres, da classe média, ricos, bilionários, brancos, índios, negros, descendentes de imigrantes... de norte a sul, de leste a oeste.

A situação é de urgência! Precisamos estancar a sangria imediatamente! É hora de socorrer os milhões de desempregados, gerando empregos. É hora de acolher os doentes nos hospitais, de investir em segurança para defender a população da violência, de reaver o dinheiro roubado e colocar os responsáveis na cadeia. Chega de perder dinheiro para esses "ladrões respeitáveis e bem sucedidos!"

Medidas iniciais, além das ações em curso, precisam ser tomadas pelo poder público e órgãos de controle, mas nós, o povo, não devemos esperar. Podemos criar um conjunto de ações simples mas eficazes para orientar os cidadãos. Se o povo se tornar mais honesto e consciente o ambiente social para os corruptos diminuirá drasticamente. Criar documentos, textos, manuais e aplicativos de celular com orientações e ações que ajudem as famílias brasileiras a cultivarem a honestidade como principio e a resistirem aos apelos da corrupção sistemática que toma conta da vida social. Levar o debate sobre o tema para as crianças, adolescentes e adultos, nas escolas e locais de trabalho. UNIÃO E MUTIRÃO CONTRA A CORRUPÇÃO! Muitos dos males que vemos hoje começaram dentro das casas, no ambiente familiar, nas escolas ou no trabalho.

Deve-se mostrar a todos: ricos, pobres, intelectuais, trabalhadores e à população em geral que a união contra a corrupção nos tornará uma nação mais soberana, mais justa e mais desenvolvida. Os ricos ficarão mais ricos, a classe média fortalecida, os trabalhadores melhor remunerados, os pobres poderão sair da indigência, as empresas serão mais lucrativas, a economia mais sólida, os serviços públicos mais eficientes, os políticos mais respeitados e a população como um todo viverá num país mais seguro em todos os sentidos. Haverá mais educação, mais prosperidade e mais tranquilidade.

Após a realização dessa grande tarefa coletiva o blá blá blá não vai cessar. O debate não vai parar. Além de necessário faz parte da democracia. Haverá esforços para fazê-lo em outro nível. O debate político e ideológico se realizará fora do pântano da corrupção. Temas como modelo de estado, formas de governo, reformas e outras questões candentes poderão ser discutidas com argumentos, ideias e objetivos transparentes. E logo após a crise passar e o Brasil der os primeiros sinais de retomada do crescimento veremos capitalistas e liberais comemorando os resultados econômicos e financeiros como se fossem seus, enquanto socialistas e esquerdistas destacarão os resultados sociais, também como se frutos das suas propostas. Uns dirão, cheios de razão, que o futuro chegou. Os outros, também cheios de convicção, falarão que o melhor ainda estará por vir. Talvez ambos terão razão, não sei. O fundamental nisso tudo é que viveremos num Brasil mais confiante com uma população menos aflita e cheia de esperança.

Sim, outros povos puderam! E nós também podemos! Podemos mudar o Brasil se cada um fizer a sua parte! Eu convido vocês que lêem esse texto a começar já! Não dá para esperar! Não sabem como? Vai aqui uma ideia. Chamem seus filhos, seus irmãos, seus amigos, seus cônjuges ou colegas de trabalho e discutam o mal que os diversos tipos de corrupção fazem a todos nós. O esclarecimento sobre isso já é um bom começo. Será que nosso comportamento não favorece e incentiva a corrupção? E vamos pensar juntos o que podemos fazer em todo o país. Vamos agir! Coloquem sua iniciativas nas redes sociais. Juntem pessoas. Não esperem! A luta contra a corrupção não tem mentores, nem donos. Ela é responsabilidade de todos nós!

Sérgio Taboada: Sou Servidor do Ministério Público Federal.
Não tenho partido, já tive, não quero mais!
Não tenho religião e não terei. Tenho fé!
Escrevo, componho canções, canto mais ou menos e danço muito mal.
Casado, três filhos e três cachorros.
Apartamento e carro financiados.
Apenas um brasileiro preocupado com seu país!

E acreditando, até por obrigação, que vamos vencer!

4 comentários:

Martim Berto Fuchs disse...

Estou 100% de acordo. Dinheiro existe sim, apenas MUITO mal empregado.
http://capitalismo-social.blogspot.com.br/2017/05/709-fips-fundo-de-investimento-e.html

Joma Bastos G P disse...

Excelente artigo!
Há muita riqueza neste país... está é muito mal gerida!

Anônimo disse...

Estou de acordo também, mas é preciso rever os salários milionários e os penduricalhos nas folhas de pagamento do Judiciário, do Legislativo e do Executivo, os cartões de crédito do Executivo, verdadeiras caixas pretas, extinção da Justiça Eleitoral, onde abundam mordomias para procuradores e juízes. Rapaz, se formos fazer uma faxina de verdade, sem meia boca, como sempre se faz no Brasil, acho que teríamos uma guerra civil, tantos são os marajás do serviço público que se revelariam.

Verdade seja dita disse...

Anônimo disse: retire desse rol os servidores, eles não têm nada a ver com as mordomias que você está afirmando e nem "penduricalhos". Acho que você não é servidor público e nunca foi. Se fosse saberia que a banda toca de modo bem diferente para nós. Portanto, fale por si e, antes, vivencie o que é ser servidor público (não estou falando de servidores públicos enquanto Agentes Políticos...eles pertencem a outra categoria de servidores).