domingo, 25 de junho de 2017

O Movimento Conservador está sob controle do Marxismo Cultural


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é de autoria de  Paul Gottfried:
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(...) Por volta de 2011, a VDARE postou uma comentário meu sobre a legitimidade do conceito "Marxista Cultural". (usei esse termo de modo relutante apenas e só porque não conseguia encontrar um melhor. Tal como disse na altura, esta ideologia está longe do Marxismo ortodoxo e era visto pelos Marxistas sérios como um filho bastardo. No entanto, muitos daqueles designados como "Marxistas Culturais" ainda se viam a si mesmos como Marxistas clássicos, e ainda olham para si desta forma.

     Pessoas associadas ao que a Escola de Frankfurt deu o nome de "Teoría Crítica" - tais como Herbert Marcuse, Theodor Adorno e Erich Fromm - eram vistos pelos Marxistas ortodoxos como falsos ou Marxistas ersatz. Mas eles adotaram a teoria Marxista-Leninista em aspectos-chave:

Tal como os Marxistas ortodoxos, eles olhavam para a burguesia como uma classe contra-revolucionária.

Tal como os Marxistas ortodoxos, eles olhavam para o mundo de forma simplista e em  termos de grupos de interesse e relações de poder.

Tal como os Marxistas ortodoxos - cuja ruptura com o liberalismo Vitoriano clássico neste aspecto era chocante, de uma forma que era facilmente ignorada depois da experiência totalitária do século XX - eles evitavam de modo explícito o debate, preferindo em seu favor o insulto e se possível a repressão dos seus oponentes. (Este é um método Marxista fundamental, que embora alegue ser "científico", ele é, na realidade, um sistema de valores à priori, que rejeita o debate e a sua concomitante, a "ciência burguesa". É por isso que existe o Politicamente Correto" - o produto mais proeminente do "Marxismo Cultural".)

Tal como os Marxistas ortodoxos, eles apóiam, pelo menos em princípio, uma economia socialista (isto é, uma economia controlada pelo governo).
Tal como os Marxistas ortodoxos, eles inclinavam-se de modo variante para o lado Comunista da Guerra Fria. (Marcuse, que se alegrou com a supressão Soviética do levantamento Húngaro de 1956, era um Stalinista confesso, coisa que posso confirmar de modo pessoal depois de ter sido, a certa altura, aluno seu.)

Estes discípulos da Escola de Frankfurt, tal como Marx, estavam desejosos de substituir o que eles viam como a sociedade burguesa em favor duma nova ordem social. Nesta nova ordem em potêncial, a humanidade iria experimentar, pela primeira vez, uma igualdade genuína. Isto seria possível porque nesta sociedade politicamente e socialmente reconstruída, nós não iríamos mais ficar alienados da nossa verdadeira identidade, a mesma que havia sido distorcida pelas desigualdades que existem até agora.

Mas ao contrário dos Marxistas autênticos, os Marxistas Culturais têm-se oposto principalmente à cultura das sociedades burguesas - e só em segundo lugar à sua organização material. A homofobia, o Nacionalismo, o Cristianismo, a masculinidade, e o antissemitismo têm sido os vilões principais do enredo Marxista Cultural.

Isto é particularmente verídico à medida que avançamos da filosofia dos fundadores Alemães da Escola de Frankfurt do período que se encontra entre as duas grandes guerras, tais como Theodore Adorno, Max Horkheimer e Herbert Marcuse, para a segunda geração. Esta segunda geração é representada por Jurgen Habermas e pela maioria dos teóricos multiculturalistas que se encontra instalada nas universidades Ocidentais.

Para a maioria destes Marxistas Culturais mais avançados, a cruzada contra o capitalismo foi gradualmente subordinada à guerra contra o "preconceito" e contra a "discriminação". Eles justificam a necessidade dum Estado burocraticamente centralizado a controlar os recursos materiais, não porque isso trará a classe operária ao Poder, mas sim para lutar contra o "racismo", contra o "fascismo", e contra outros resíduos do passado Ocidental.

Se eles não forem capazes de levar a cabo tal mudança radical, os Marxistas Culturais contentam-se em revolucionar a nossa consciência com a ajuda de endinheirados Esquerdistas, gestores de capital de risco, Mark Zuckerberg, etc. Ironicamente, a nacionalização das forças produtivas e a criação do "paraíso dos trabalhadores", isto é, o que resta do Marxismo clássico, torna-se a parte mais descartável do seu programa revolucionário, muito provavelmente devido ao embaraçoso colapso das economias controladas do bloco Soviético.

Em vez disso, o que é essencial para o Marxismo Cultural é a eliminação das estruturas nacionais burguesas, a obliteração dos papéis sexuais, e a devastação total de "família patriarcal".

O Conservadorismo está infectado com o Marxismo Cultural
Não só o Marxismo Cultural existe, como parece estar tomando conta o Conservadorismo Oficial. Devido a isso, mesmo enquanto Paris se encontrava a arder, a National Review ainda se encontrava a atacar a Direita. Na segunda rodada das eleições francesas, Tom Rogan apelou a que se votasse em Emmanuel Macron, segundo a lógica que Marine Le Pen não era suficientemente hostil a Vladimir Putin, e que ela era uma "socialista" só porque "apoiava o protecionismo".

O fato de Macron encontrar-se afiliado ao Partido Socialista, e de acreditar que não existe algo que se possa identificar como cultura francesa, aparentemente não era um problema. [French election: American Conservatives Should Support Macron, April 24, 2017].

O Conservadorismo Oficial concorda com isto porque estes objetivos são parcialmente atingidos através de capitalistas corporativos, que apóiam, de modo ativo, os planos sociais dos Esquerdistas e castigam comunidades inteiras se elas não estão suficientemente entusiasmaas com o casamento homossexual, líderes de escuteiros homossexuais, casas de banho para transgêneros, cidades santuarias, etc..

Devotada como está à idéia-cliché dos "livres mercados", a Direita Oficial não só não se opõe à agenda plutocrática, como, em vez disso., oferece cortes fiscais aos atores mais ricos e mais malévolos.

É precisamente porque o Marxismo Cultural pode sobreviver dentro da atual estrutura política e cultural que os nossos assim-chamados "conservadores" estão mais perto de se alinharem com a Nova Esquerda do que com a Antiga Direita. O comportamento dos nossos "capitães industriais" demonstra o quão profunda é a podridão e que o multiculturalismo faz agora parte do pensamento "democrático e liberal" americano, chegando até a informar os nossos falsos "conservadores".

Atualmente, o "Conservadorismo" encontra-se definido como um pensamento que fomenta guerras sem fim, em nome de valores universalistas, valores esses que qualquer outra geração iria qualificar de pensamento radical esquerdista. E os próprios Marxistas Culturais obtiveram o poder de definir o que são os "valores ocidentais" - por exemplo, a aceitação do homossexualismo.

A usurpação é tão completa que podemos até dizer que o "Marxismo Cultural" viveu para além da sua utilidade como qualificação ou como descrição de uma ideologia estrangeira hostil. De fato, estamos lidando com "conservadores" que são, de muitas formas, mais extremistas e mais destrutivos que a própria Escola de Frankfurt.

Muitos conservadores parecem acreditar que o Marxismo Cultural nada mais é que uma excentricidade estrangeira que, de alguma forma, se infiltrou no nosso país. O bestseller de Allan Bloom, "The Closing of the American Mind", explicou que o multiculturalismo nada mais era que um exemplo da "Ligação Alemã".

Isto é ridículo.

Exemplo: ao contrário de Horkheimer, ou do meu antigo professor Herbert Marcuse, escritores importantes dentro do Conservadorismo Oficial são simpáticos a algo parecido com o "casamento" homossexual. Por exemplo:

Jonah Goldberg [Gay Marriage vs. goodwill, USA Today, 1 de Abril de 2013] Jamie Kirchick, publicado no "National Review" e chegando a estar histérico em relação ao assunto.

John Podhoretz [Why John Podhoretz is Wrong on Gay Marriage, by Matthew Schmitz, First Things, 21 de Novembro de 2012]

David Brooks [The Power of Marriage, by David Brooks, New York Times, 22 de Novembro de 2003]

De fato, a emancipação é tão central para o conservadorismo moderno que os pundits da Direita Oficial apelam aos soldados americanos que a imponham à força, um pouco por todo o mundo. Kirchick queixa-se que nós ainda não pressionamos o "rufião" Russo (Vladimir Putin) de modo eficaz, de modo a que ele aceite traços "conservadores" na vida pública. tais como as paradas homossexuais.  [Why Putin’s Defense of “Traditional Values” Is Really A War on Freedom, by James Kirchick, Foreign Policy, 3 de Janeiro de 2014]

Outra freqüente escritora do National Review, Jillian Kay Melchior, expressou preocupação que a retirada americana da Ucrânia pode expor aquela região a um maior controle Russo, diminuindo assim os direitos dos transgêneros. [Ukrainians are still alone in their heroic fight for freedom, New York Post, 8 de Outubro de 2015].

Se é desta forma que a nossa Direita Respeitável reage aos assuntos sociais, então é ridículo continuar a criticar os Marxistas Culturais originais. O nosso pensamento revolucionário ultrapassou o pensamento daqueles iconoclastas Judeus alemães que criaram o Instituto de Frankfurt durante a década 20, e que mudaram o seu empreendimento para os Estados Unidos durante a década de 30.

Culpar esses intelectuais, há muito já mortos, pelas aberrações presentes, pode parecer como culpar as atrocidades da Nacional Socialista aos fascistas latinos de década 20. Estamos em melhor posição se examinarmos aqueles que adotaram de modo seletivo o modelo original para saber o que realmente aconteceu.

Por este altura, não deveríamos perguntar se a Escola de Frankfurt continua a lançar uma sombra sobre nós, mas sim perguntar o porquê dos "conservadores" concordarem ou levarem a cabo reformas mais radicais do que aquelas encontradas nos escritos de Adorno e Horkheimer.

Claramente, a Conservadorismo Oficial divagou tanto para a Esquerda que nós já nem nos surpreendemos quando um respeitado jornalista conservador exalta Leon Trostky e os Comunistas da Brigada Abraham Lincoln da Guerra Civil Espanhola.

No entanto, ainda é surpreendente observar o quão à esquerda a Direita Oficial se encontra atualmente, em questões sociais. Ainda mais surpreendente é o quão pouco dispostos os membros deste movimento estão em ver a contradição entre este processo e a alegação de que são "conservadores".

E nem vale a pena fingir que o Conservadorismo Oficial está simplesmente usando a abordagem da "Tenda Alargada". Aqueles que controlam a Direita Oficial a partir do topo estão ansiosos por entrar em algum tipo de acordo com a Esquerda, desde que aqueles que eles conseguirem recrutar partilhem da sua política externa intervencionista e beligerante, e nada façam para ofender os benfeitores neoconservadores, ao mesmo tempo que lançam fora tudo o que se encontra à sua direita.

Este consenso pós-Cristão e pós-burguês encontra-se atualmente centrado nos Estados Unidos e nos países Ocidentais afiliados, e é transmitido através da cultura, da indústria, do sistema educacional, da burocracia do "Deep State", e através dos partidos políticos do Establishment.

A Direita Oficial opera como um partido fachada sob o antigo sistema sovietico. Tal como esses partidos, a nossa Direita do Establisment tenta-se "encaixar", fragilizando aqueles à sua Direita e lentamente absorvendo as posições sociais e os heróis da Esquerda.

Ocasionalmente, esta "Direita" é alvo de ataques por não se mover rapidamente para a Esquerda. Mas isto só aumenta a imagem do Conservadorismo Oficial, como os defensores da América tradicional contra a Esquerda - imagem essa que não irá perder. mesmo quando se mover na direção do seu alegado adversário.

Resumidamente, o Conservadorismo Oficial não só é uma farsa, mas tem-se tornado também num fantoche do Marxismo Cultural. E a Direita Dissidente é composta por aqueles que conseguem ver exatamente isso.

Fonte: http://bit.ly/2ssiA9K

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O que se pode ler neste texto alinha-se com o que se pode ler neste texto, isto é, que todos os partidos do Establishment no Ocidente (e até alguns da Europa Oriental) são controlados pelas mesmas forças que sempre financiaram a Esquerda. O mesmo se aplica à maior parte das "grandes figuras" da "Direita" no ocidente visto que quase todas elas estão controladas e quase todas eles fazem o seu papel de impedir a ascensão duma Direita Nacionalista e proteccionista.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

samuel disse...

A influencia do MARXISMO CULTURAL no Brasil está evidente no Judiciário. O Judiciário tende a ser Marxista, tanto nos EUA como no Brasil (no Brasil sem tradição capitalista e atrelada ao patrimonialismo português, é definitivamente marxista).
Isso é evidenciado pelas leis marxistas: leis do Trabalho (o patrão é um explorador do trabalho dos empregados), Leis financeiras ( o juro onzenário é proibido), leis de propriedade (se invadem a sua propriedade V tem 12 meses para expulsar o invasor, senão somente com ação judicial de recuperação) , Leis de Recuperação Judicial (na lei V NÃO PODE deixar de pagar os Bancos – juros de 300%a.a – NEM PODE deixar de pagar o governo – 40% de imposto – mas PODE pagar e em condições vis aos ... fornecedores, isto é; o grande negócio, o que tem grande número de fornecedores em detrimento do pequeno e médio negócio, os fornecedores.
Isso faz do Brasil um país onde O CAPITAL vira lixo, isto é; vira honorários de advogado, o que é a mesma coisa...