sexta-feira, 16 de junho de 2017

Óbito Político


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

A política está morta viva a democracia e a liberdade de imprensa para efeito de mostrar malfeitos, mazelas e falcatruas de nossa classe dita representativa da soberania popular. A putrefação política causa asco e isso nos infelicita, tamanha a falta de vergonha e cinismo daqueles responsáveis pela governabilidade da Nação. Não se enxerga horizonte daqui para frente que possa marcar passo e demonstrar que temos um Emanuel Macron brasileiro.

Dizem que a justiça criminalizou a política, mas, ao contrário, a política sujou as mãos e se ocupou de crimes e ilicitudades com empresas em paraísos fiscais e depósitos no exterior, extraindo o sangue de empresas estatais mediante superfaturamento, cobrando o sobrepreço para que fosse mantida a máquina política e emergisse para o inferno de tanta maledicência e contribuísse para que as investigações prosseguissem sem data para encerramento.

Faltam nos a capacidade de revolucionar e reformar a política, gente nova com projetos e ambições não vinculadas e livres da rubrica partidária e com ares confluentes para a democracia. O que podemos destacar é a falta de um elo de ligação entre a sociedade e os governantes, tanto no legislativo mas sobretudo no executivo. O critério de mérito é ímpar também para qualificar os nomeados nas cortes superiores, no tribunal de contas e nas agencias reguladoras.

As instituições foram  solapadas mediante uma investigação rigorosa a qual foi contundente a evidenciar que não temos seriedade e muito menos responsabilidade. A sinalização é de um buraco negro no espaçamento entre hoje e o amanhã, já que não avistamos quaisquer candidatos com mínima possibilidade sucessória.

Antecipar as eleições seria o remédio para acabar com as incertezas e inseguranças que rondam a sociedade e o mercado? Talvez possa ser um caminho tranquilo de qualidade,qual seja antecipar as eleições para novembro de 2017 e dar espaço para microreformas políticas, revisitada a clausula de barreira e o financiamento político partidário.

As eleições antecipadas para novembro de 2017 projetariam num novo horizonte e sossegariam os animos daqueles mais exaltados notadamente da esquerda que não se conforma de ter sido pulverizada do poder por causa de uma estabanada gestão e de um descontrole orçamentário de gravidade inigualável.

Enfrentar todos os problemas ao lado das vicissitudes parece ser um destino que nos coloca na evidencia e no calcanhar dos países desenvolvidos, já que nossa economia num voo de galinha subtrai investimento, desova o emprego e traz taxas de juros impraticáveis e proibitivas no cenário empresarial.

Todos reclamam e com razão as empresas em crise e o aumento vertiginoso das recuperações judiciais ,quando não dos pedidos de falência que pipocam aos quatro cantos do Brasil. Enquanto isso as indústrias ficam paralisadas em compasso de espera, o crescimento do setor de serviços é pífio se comparado com anos pretéritos e as grandes industrias responsáveis pela contratação exasperam o exaurimento de um modelo literalmente falido que beneficiou alguns setores por meio de isenção ou saldão de juros baixos proveniente de dinheiro público.

Agora se repensa sobre a medida provisória 784/17 seria ela capaz de proteger a ponto de blindar o sistema financeiro e livrá-lo da guerra de investigação dos seus malfeitos na economia? Muita água rolara debaixo da ponte para que a medida provisória seja aprovada e tenha conotação de ter quorum parlamentar, mas as emendas virão com naturalidade já que as últimas delações se constituíram em verdadeiras premiações para os criminosos e delinquentes confessos.

A putrefação política não é a morte e nem tampouco o estado de óbito mas a essencia de mudança e radical transformação para que tenhamos condições de antecipar as eleições até novembro e com  isso gerar confiança junto ao mercado. As desconfianças se multiplicam e o cerco está cada vez mais beliscando os nossos governantes nas três esferas de poder.

Antes que se expeça um manado de prisão coletiva é fundamental que renunciem e libertem o Brasil das mãos sujas e dos desvios de poder, personalidade e falta de caráter. Chegamos no limite do fosso no elo entre o afundar e o ressuscitar e a sociedade na sua expectativa entende que essa limpeza poderá desinfetar toda maldade e lavar as maledicências que nos últimos anos nos conduzem ao descrédito nacional e internacional com sérios riscos de ruptura do tecido social, agravado por problemas que nos circundam e não encontram respostas à altura, ante a falência da governabilidade corroída e corrompida pelas práticas deliquenciais continuadas.

Que o sentimento de patriotismo e de amor à Nação nos coloquem em direção oposta à corrupção!


Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um comentário:

Anônimo disse...

A única esperança seria a ONU obrigar o judiciário a trabalhar, ou seja fazer os processos andarem como se deve, mudar a lei da magistratura que é uma vergonha pois não permite a punição para os bandidos que infestam esse poder incompetente e corrupto, obriguem que criem uma policia especializada e que combata os crimes organizado e comandado pelo judiciário, obriguem juízes e desembargadores a entenderem que são funcionários públicos e são obrigados a trabalharem para o povo em geral e não apenas para a maçonaria... Em todos os governos o judiciário apronta e fica de santo e isto tem que mudar, tudo de ruim na história desse pais tem o judiciário por de trás... Se gritar pega ladrão não fica um, basta divulgarem os salários e´previlégios milionários dessa máfia sempre maldita...