domingo, 25 de junho de 2017

Simonal, o ídolo banido

Wilson Simonal

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Para lembrar o aniversário da morte de Wilson Simonal (25 de junho), a rádio tocava músicas do cantor. Logo veio a manifestação de um ouvinte, repudiando a "presença" dele no programa, alegando que Simonal teria sido colaborador da ditadura militar. Bobagem! Só um clichê. Hoje é sabido que Simonal era totalmente desligado de política e não se importava com o regime à época.

Mas o estigma ficou. E não desaparece, porque o rebotalho que se dá de intelectualizado só quer brincar de fazer crítica: "verdade" e "justiça" não passam de palavras, só de vez em quando usadas em sua retórica fútil.

É certo que Wilson Simonal cometeu erros. Mas não há como julgá-lo. Teve contradições mais que prosaicas. Contudo, nesse aspecto, não terá sido muito diferente dos que o infamaram. E não serão, os ataques à sua imagem, um redemoinho de contradições? Pouca gente sabe das suas mancadas, ao passo que muitos o atacam por aquilo que ele não fez.

Filho de uma empregada doméstica, preto e pobre, Simonal começou a cantar quando servia o exército. Ali, descobriu que tinha talento. Foi em frente. Encetou carreira como cantor. Tornou-se o primeiro popstar negro do Brasil, chegando a ter um programa no horário nobre da TV Record, a líder da época, em 1967. Não é pouco!

Aí veio a "narrativa" da esquerda enfezada, inclusive aqueles moços do Pasquim, e a carreira do artista passou a ser boicotada, atacada, desprezada até murchar no abandono. E era ele, então, só um rapaz com pouco mais de 30 anos!

Morreu com 62. Muito precoce. Mas dizer que a infelicidade do ostracismo deu causa à morte é mera cogitação. Nada acrescenta. Agora, se alguma coisa a sua vida está a lembrar-nos é de que a compaixão e o apego à verdade JAMAIS foram motores da história.

O "ouvinte" que suscitou estas linhas já não passa de uma abstração. Talvez ele seja apenas um tipo ingênuo, que ouviu cantar o galo mas não sabe onde. Ou será só mais um articuladinho dos que estão sempre na ofensiva, renovando preconceitos para afirmar sua ideologia?

Aqui, um registro. Por um lado, daqueles que ajudaram a "desconstruir" a carreira de Simonal, alguns chegaram a fazer um mea culpa. Coincidentemente, são os que tiveram a coragem de, em graus diversos, realizar autocrítica, reformulando suas convicções ideológicas. Por outro, os que, dos antigos detratores, seguem marreteando Simonal, insistindo no falso vínculo com os militares, são os mesmos que ainda hoje defendem ditaduras sanguinárias como Cuba e Coreia do Norte - e têm saudade do Muro de Berlin. Incoerência. Não é de rir? Não. É patético.

Por fim, será que os erros cometidos necessariamente apagam tudo que a criatura haja feito de bom? Está cansativo este Brasil do rancor, da vingança, do revanchismo e da malquerença cultivada quase como um hobby.

Já passou da hora de pararmos para pensar em valores que queremos afirmar e - por que não? - transmitir ao futuro.


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

2 comentários:

Anônimo disse...

Exageros à parte, não podemos olvidar, a bem da verdade que, Simonal utilizou-se de agentes do regime militar, para torturar seu Contador. Isto é real. Não sabemos exatamente a sua relação com esse pessoal.
ANTONIO AUGUSTO.

Anônimo disse...

Prezados,
Segundo relatos de pessoas idôneas, o cantor/compositor Geraldo Vandré, conhecido pela sua luta contra o regime militar, deu força para o Simonal, visitando-o durante a doença que acabou por levá-lo à morte (cirrose).
Por favor, neste mundo em que muitos ingênuos e outros nem tanto louvam um ladrão de nove-dedos que ferrou com o País, vamos respeitar a memória de um artista que nunca fez mal a ninguém, mas agradou a multidões com sua habilidade musical!
Que Deus o tenha, Wilson Simonal!
E que teus filhos se orgulhem de ti, todos os dias.