terça-feira, 18 de julho de 2017

Antropofagia Institucional


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos Henrique Abrão e Laércio Laurelli

Correremos o sério risco de não encontrarmos um candidato à altura do Brasil e dos desafios do Estado Democrático, se continuarmos nessa desenfreada luta hilária entre tucanos e petistas a qual se arrastou há décadas e levou o País até o fundo do poço. Encontraremos políticos
honestos e competentes? Muito dificilmente.

A República está esfrangalhada e a Federação desossada, pelo enorme rombo das contas públicas. Com isso o fogo amigo se espalha e convivemos com um modelo de antropofagia institucional. Ninguém pensa no bem comum, na situação do Brasil, mas em queimar as fogueiras das vaidades e mostrar à sociedade que todos estão contaminados e enlameados pela corrupção.

Quantas quadrilhas estão funcionando hoje no Brasil? Acreditamos que o maior estudioso não conseguirá responder, na medida em que se
proliferam nas hostes do Estado e nas periferias e em todas as direções a macrocriminalidade a fustigar o estado de direito e fazer repensar qual o motivo para chegarmos numa absurda situação de mesquinharia e falta de controle na separação de poderes.

Direita e esquerda nos submeteram ao conflito às brigas menores e`as intrigas do poder, mas não foram suficientemente capazes de criar um modelo em prol do Brasil. Somos mais de 33 partidos políticos, mas o zigue zague conflui há mais de 20 anos no período pós democrático entre o PSDB e PT, logicamente essa dialética levou à ruptura e a quebra com a fragmentação entre os males praticados e uma sociedade apática para buscar as transformações.

A famigerada corrupção é o legado que recebemos de uma política claudicante, animada pela demagogia e alimentada pelo clientelismo com uso e abuso das estatais e mistura dos fundos de pensão. Voltamos ao momento de um tempo de disputa e discussão a maioria revestida de conteúdo inócuo. Aproveitam-se os plantonistas que saem a cata de votos e já mostram suas caras, sem programa, o que nos adverte para a falta de opção.

Somos mais de 210 milhoes de brasileiros, e não temos o sadio e salutar rodízio por causa da forma dos poderes políticos e como se estruturam. Não há se cogitar de outra alternativa, exceto para que nos dediquemos à construção de uma sociedade livre e responsável. Precisamos incutir o orgulho da boa política em milhares de jovens e pessoas que se interessam pelo Brasil.

O convívio com a antropofagia institucional nos direciona para o verdadeiro abismo. O mundo moderno espelha o final de uma época da fortaleza de líderes políticos,eis que a globalização tornou as corporações superiores ao Estado que se curva aos interesses e vontades dos desmandos da concentração e dos cartéis. A correção de todas estas falhas passa pelas mãos do BNDES que terá papel relevante em destinar recursos para que micro e pequenos empresários possam sobreviver e aumentar o empreendedorismo.

Bastaria que o banco praticasse o dobro da taxa selic para pequenos e médios empresários por ano e o triplo para grandes empresas para uma boa seletividade. Se jorrasse 30 bilhoes em torno de grandes projetos e apoio ao capital de giro e renovação dos equipamentos e maquinários, poderíamos crescer de 2 a 3% ao ano e aumentar o nível de contratação em até 15% da retomada da carteira assinada, a qual passa a ser coisa do passado com a reforma trabalhista aprovada.

Os que estudam e se preocupam com o Brasil infeliz e lastimavelmente são poucos. A maioria dos imbecis só pensa no mundo atual no próprio umbigo e nas vantagens advindas de grandes negociatas. Não é sem razão que chegamos ao desemprego recorde, sucateamento do Estado, lei de recuperação fiscal e mais pesaroso ainda um momento de macrocriminalidade acentuada na qual se mata por violência incontida e a má formação delinquencial sem punição exemplar.

Criminosos desse jaez jamais poderiam ostentar uma simples tornozeleira, mas submetidos ao trabalho e ficando em regime fechado pelo menos dez anos, sem contato algum com visitas e demais regalias ,única forma de chegarmos a um ponto de uma sociedade civilizada. No Brasil a carestia chegou antes do enriquecimento da Nação e temos o risco - como disse Claude Levi Strauss - de sairmos de um bagunça generalizada sem passar pelo momento de pacificação direto para proliferação de conflitos sociais extremados.

A antropofagia institucional nos carcome e nos dá pouca chance de vitória. Que o Brasil a ser descoberto e reconstruído jogue fora todas as maledicências e o papo estreito de tucanos e petistas que só se aproveitaram do que acontece para manter as amarras dessa ignara sociedade que não ostenta a mínima liberdade de se ver autoconfiante em soluções apartidárias e fora dos fundos que carreiam recursos para serem desviados pelos nossos políticos.

Temos fome do novo, de políticos a la Macron que coloquem a Nação para caminhar liberta, democrática e acima de tudo fora da ideologia neoescravagista que polui o Brasil e nos entrega de braços abertos nos grilhões do retrocesso de nenhuma competência e honestidade no meio político.


Carlos Henrique Abrão (ativa) e Laércio Laurelli (aposentado) são Desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Um comentário:

Anônimo disse...

SEM UMA POLICIA ESPECIALIZADA E SEM A MODIFICAÇÃO NA LEI DA MAGISTRATURA NEM O CAPETA GOVERNA ESTE PAIS, POIS PERTO DESSE RESTO DE DITADURA, PERTO DESSA MAFIA MALDITA O CAPETA VIRA SANTO E O SANTO MARGINAL E POR ESTE EXEMPLO DE INCOMPETENCIA E CORRUPÇÃO É QUE O POVÃO VAI SER SEMPRE LULA... O EXEMPLO DEVE VIR DE CIMA, MAS UM PODER QUE COMANDA O NARCOTRAFICO, CONTRABANDO E JOGOS ILEGAIS E TEM AS FFAA E POLICIAS COMO CAPANGAS DEVERIA SER TERCEIRIZADO PELOS AMERICANOS POIS NÃO LHES RESTAM MORAL PARA JULGAREM NADA E NINGUÉM...