domingo, 9 de julho de 2017

Bandidos acionando a Justiça


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Sérgio Alves de Oliveira

Na inversão de valores por que passa o mundo ,uns países são mais afetados que outros. Provarei por “a” mais “b” que o Brasil se enquadra entre os segundos. A corrupção em “pindorama”, por exemplo, chegou a níveis intoleráveis. Dentre os sintomas mais característicos dessa situação está o fato dos criminosos acionarem na Justiça  os não-criminosos, por esses  denunciarem publicamente os  crimes, notadamente jornalistas, numa avalanche de ações judiciais e extrajudiciais sem fim. 

A explicação deve estar na montanha de dinheiro que os bandidos acumularam via corrupção, como fartamente demonstrado no “Mensalão”, ”Lava Jato”, e “filhotes” afins. Dizem uns que o montante total roubado dos cofres públicos desde 2003 até hoje ultrapassaria o “trilhão” de reais. Outros garantem que essa soma seria até superior ao  Produto Interno Bruto-PIB, que em 2016 foi de 6,2 trilhões de reais. Porventura não seria essa a principal razão  pela qual tanto falta aos brasileiros os recursos necessários para uma vida menos “apertada”?                                  

Ora, com essa quantia extraordinária à disposição, a corrupção estaria apta, ou teria “poder de fogo”, para comprar os Tribunais e talvez a OAB inteira para defender seus interesses. A sorte é que nem todos se vendem e respeitam os respectivos códigos de ética. Contudo, essa colocação não está ”absolvendo” e período de 8 anos do Governo FHC, onde muita falcatrua  também aconteceu, especialmente nas privatizações das estatais. Possivelmente  em menor escala, os governos anteriores  a FHC também não “escapam”.

Situação semelhante ocorreu na  Grécia Antiga, no Séc. IV a.C, época em que a filosofia e toda a sociedade grega, inclusive a sua Justiça, caiu no domínio “demoníaco” da Escola Sofista, a partir de Górgias (483 a.C-375 a.C) e Protágoras (492 a.C-422 a.C).  Este último imortalizou a máxima: “O homem é a medida de  todas as coisas”. A mais importante característica dessa escola foi o desenvolvimento das  técnicas da argumentação e do convencimento. Os sofistas são considerados por muitos  os primeiros advogados.

Esses “filósofos” não tinham grande dificuldade de transformar uma inverdade em verdade, e vice-versa. Bom é lembrar que a construção de um raciocínio verdadeiro constitui o que se chama SILOGISMO, formado ,na sua forma mais simples, por duas premissas (maior e menor), e a conclusão. O exemplo clássico para o silogismo é : “Todo homem é mortal; Ora, Sócrates é homem; Logo, Sócrates é  mortal. Mas os sofistas descobriram que se mutilassem uma das premissas  do silogismo, o raciocínio ficaria formalmente perfeito ,porém essencialmente falso. É aí que entrava a “argumentação”. Usando o mesmo exemplo do silogismo clássico e transformando-o na sua forma corrompida, o sofisma: “Todo homem é imortal: Ora, Sócrates é homem;  Logo, Sócrates é imortal”.  Essa é a “verdade” sofista.                                                                                                                           

A sociedade grega de então imergiu na mentira, que passou a ser a maior das virtudes. Foi quando surgiu Sócrates, disposto a combater os sofistas e as mentiras que pregavam. Mas eram os sofistas que mandavam na sociedade. E nesse funesto período dizer a verdade era proibido, o maior dos crimes. Muito superior aos outros , como matar, roubar e estuprar. A pena de morte era reservada a quem ousasse falar a verdade. E por não abdicar da verdade , Sócrates foi acionado pelos sofistas, preso e condenado à morte, forçado a beber “cicuta”.

Outro momento em que o mundo adoeceu moralmente, onde o mal prevaleceu sobre o bem ,a inverdade sobre a verdade, foi no tempo de Jesus Cristo (2 a 7 a.C- 33 d.C).  Jesus  ousou desafiar Roma, pregando a verdade da fé.   Foi preso , julgado, condenado e crucificado ,por ordem do Governador Pôncio Pilatos.

A INQUISIÇÃO, também chamada “Santo Ofício”, foi outra época da qual a humanidade não pode se orgulhar. Era formada pelos Tribunais da Igreja Católica que perseguiam, julgavam e puniam pessoas acusadas de desvio das  suas regras de conduta. A Inquisição teve duas fases. A primeira foi a MEDIEVAL (Sec. XIII e XIV) ; a segunda ,chamada MODERNA, se deu na Espanha e Portugal, nos Séculos  XV a XIX. Começou com o Papa Gregório IX, que estava preocupado com o crescimento das seitas religiosas, criando um órgão especial para investigar e punir os suspeitos de heresia, que era qualquer prática religiosa diferente das consideradas cristãs. Na fase medieval da inquisição as punições eram mais brandas que na segunda fase.

Mas o período mais cruel da Inquisição ocorreu na Espanha ,em 1478. Os principais alvos eram os judeus, os cristãos-novos, os protestantes, os iluministas, os homossexuais e os bígamos. As penas eram severas, sobressaindo-se a morte na fogueira, a prisão perpétua e o confisco de bens. “Graças” a essa última pena,a Igreja acumulou grande riqueza. E tudo aconteceu sob cobertura da “Justiça” da época. Por conseguinte, a história  comprova que em muitos lugares e tempos diferentes o banditismo preponderou e se confundiu com a AUTORIDADE, política, judicial, ou eclesial.

Também outubro de 1917 deve entrar nessa “lista negra”. As consequência da “Revolução Bolchevique”, liderada por Lenin, sob pretexto de implantar o marxismo, ou socialismo científico, deixou um rastro de destruição na sua esteira ,onde se estima terem sido mortas mais de CEM MILHÕES de pessoas. E se os Czares antes da revolução tinham a Justiça inteiramente à mão, como narrado por Maximo Gorki , no romance “A Mãe”, a situação não mudou depois da vitória comunista. Mais tarde  os bolcheviques, que buscavam o poder pela violência ,cederam lugar aos seus antigos concorrentes, os mencheviques, mais “políticos” e menos violentos, que depois  se misturaram  ao socialismo “ fabiano” (aquele do FHC), à Escola de Frankfurt e ao socialismo desenvolvido pelo italiano Antônio Gramsci, este o mais influente no Brasil ,cuja principal estratégia é a dominação cultural e a  infiltração paulatina  em todas as instituições públicas e privadas ,prioritariamente nos estabelecimentos de ensino.

Essa “salada-de-frutas” de correntes socialistas deu origem no Brasil ao que antes se denominara  na Rússia  NOMENKLATURA, e que lá havia se adonado do poder  após a revolução de outubro, formada pelos burocratas do Estado, dotados de todos os privilégios ,poder e riqueza. Por essa simples razão os nomenklaturistas russos  distanciaram-se  econômica e socialmente do povo muito mais que a distância que antes separava o dono do capital do trabalhador.

A perfeita acomodação entre a Nomenklatura, ”versão” brasileira, e o ESTAMENTO BUROCRÁTICO (a que se referia Raimundo Faoro), uma herança de Portugal, ”importada” especialmente com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 1808,e sua Corte de inúteis almofadinhas, que covardemente fugiam da invasão de Napoleão, germinou de tal modo que daí nasceu a pior escória política que se tem notícia no mundo. Os resultados dessa tragédia, e do “azar” que teve o Brasil, hoje estão mais visíveis que nunca ,especialmente após a posse de Lula  na Presidência em 2003.

Com toda a dinheirama que os corruptos roubaram dos cofres públicos, logo  sentiram-se no direito de silenciar os que  estavam enxergando as suas falcatruas e as denunciavam publicamente. Muito dinheiro rolou nessa tentativa de silêncio. Os alvos prediletos foram os jornalistas que viram-se na obrigação ética de denunciar o que estava acontecendo.

O Jornal da Cidade Online, do RS, por exemplo, foi alvo de ações judiciais estúpidas. Uma delas movida pela Senadora Gleisi Hoffmann, Presidente do PT, notificando o  jornal a retirar a matéria “Jornalista revela amante de Gleisi”, no momento em que essa notícia já estava “batida”e “surrada” na imprensa ,e que surgiu após a delação premiada de Alexandre Romano, com detalhes “sórdidos”, referindo-se ao que constava na “planilha da Odebrecht”, nos autos de um processo da “Lava Jato”.

O Ministro Gilmar Mendes, do STF, fez o mesmo, processando esse mesmo jornal, num atentado à liberdade de imprensa. Não deixando por menos, o médico Roberto Kalil, Diretor do Hospital Sírio Libanês, aquele mesmo hospital que sempre  socorre os endinheirados do Governo, também aciona o mesmo jornal para que retire matéria do ar. Mais parece que esse cidadão quis agradar a seus clientes ricos.

Por seu turno Lula já processou o Juiz Federal Sérgio Moro, o Procurador da República Deltan Dallagnol, a quem chamou de “moleque”, e  outros, sempre pedindo “danos morais” em torno de um milhão de reais, talvez imaginando que esses trabalhadores ganhem dinheiro tão fácil como ele que nunca trabalhou de verdade. O que ele esquece é que por não ter mais foro privilegiado essas suas ações tramitarão perante os juízes de primeira instância e não pelos Ministros que um dia ele  nomeou para o Supremo. Mas se chegar até “eles”, talvez....

Além do mais, dito cidadão recorre à ONU para fazer as suas queixas sem fundamento  com mais frequência do que vai ao banheiro. Parece até que estaria muito seguro que a “cumpanheirada” tenha tomado conta também da ONU. Não teria sido esse o motivo pelo qual Donald Trump deu um chute no traseiro da Organização das Nações Unidas?


Sérgio Alves de Oliveira é advogado e sociólogo.

7 comentários:

Loumari disse...

O articulista deste texto já esteve alguma vez em Portugal? E já percorreu todo o território daquela nação, conheceu seu povo e conviveu com ele, pode descobrir as entranhas e células que compõem e constituem o povo português?
Por acaso têm vocês escutado os Portugueses suspenderem suas línguas e acusar os outros povos de sua situação quando sofrem de alguma pandemia que assole o seu país, por mais penosa que seja? Não. Pois, aquele povo, tem a dignidade de assumir em carne própria as consequências dos seus males quando algo lhes toca e assola. É um povo corajoso que não hesita em arregaçar as mangas e pôr-se a trabalhar duro para endireitar a barra e restabelecer a honra profanada.
E vocês brasileiros? Além de cultivarem as vossas bocas como verdadeiros sepulcros abertos que só servem para caluniar os outros povos, acusando os demais de vossa mazela, o que sabeis fazer de bom que possa brindar soluções a vossa situação caótica que dá riza a todo o mundo?
Se conheceis a civilização não é graças aos portugueses? Por que falais a língua do povo que mais detestais?
Como bem Deus falar na Bíblia Sagrada:

JEREMIAS 8:11 E curam a ferida da filha de meu povo levianamente, dizendo: PAZ, PAZ; QUANDO NÃO HÁ PAZ.
Porventura envergonham-se de cometer abominação? pelo contrário, de maneira nenhuma se envergonham, nem sabem que coisa é envergonhar-se; portanto, cairão entre os que caem e tropeçam no tempo em que EU OS VISITAR, DIZ O SENHOR.

Loumari disse...

Artigo que foi publicado em 18/05/2008

O PAÍS QUE NÃO MERECE SER DESENVOLVIDO

Por João César das Neves – Economista

PORTUGAL FEZ TUDO ERRADO, MAS CORREU TUDO BEM.

Esta é a conclusão de um relatório internacional recente sobre o desenvolvimento português.

Havia até agora no mundo, países desenvolvido, subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento. Mas acabou de ser criada uma nova categoria: os países que não deveriam ser desenvolvidos. Trata-se de regiões que fizeram tudo o que podiam para estragar o seu processo de desenvolvimento e... falharam.

Hoje são países industrializados e modernos, mas por engano. Segundo a fundação europeia que criou esta nova classificação, no estudo a que o DN teve acesso, este grupo de países especiais é muito pequeno. Alias, tem mesmo um só elemento: Portugal.

A Fundação Richard Zwentzerg (FRZ), iniciou há uns meses um grande trabalho sobre a estratégia económica de longo prazo. Tomando a evolução global da segunda metade do século XX, os cientistas da FRZ procuraram isolar as razões que motivavam os grandes falhanços no progresso. O estudo, naturalmente, pensava centrar-se nos países em decadência. Mas, para grande surpresa dos investigadores, os mais altos índices de aselhice económica foram detectados em Portugal, um dos países que tinha também uma das mais elevadas dinâmicas de progresso.

Desconcertados, acabam de publicar, à margem da cimeira de Lisboa, os seus resultados num pequeno relatório bem eloquente, intitulado: 'O País Que Não Devia Ser Desenvolvido'

O Sucesso Inesperado dos Incríveis Erros Económicos Portugueses.

Num primeiro capítulo, o relatório documenta o notável comportamento da economia portuguesa no último meio século. De 1950 a 2000, o nosso produto aumentou quase nove vezes, com uma taxa de crescimento anual sustentada de 4,5 por cento durante os longos 50 anos. Esse crescimento aproximou-nos decisivamente do nível dos países ricos. Em 1950, o produto de Portugal tinha uma posição a cerca de 35 por cento do valor médio das regiões desenvolvidas.

Hoje ultrapassa o dobro desse nível, estando acima dos 70 por cento, apesar do forte crescimento que essas economias também registaram no período. Na generalidade dos outros indicadores de bem-estar, a evolução portuguesa foi também notável.

Temos mais médicos por habitante que muitos países ricos. A mortalidade infantil caiu de quase 90 por mil, em 1960, para menos de sete por mil agora. A taxa de analfabetismo reduziu-se de 40 por cento em 1950 para dez por cento.


Continua

Loumari disse...

Actualmente a esperança de vida ao nascer dos portugueses aumentou 18 anos no mesmo período. O relatório refere que esta evolução é uma das mais impressionantes, sustentadas e sólidas do século XX. Ela só foi ultrapassada por um punhado de países que, para mais, estão agora alguns deles em graves dificuldades no Extremo Oriente. Portugal, pelo contrário, é membro activo e empenhado da União Europeia, com grande estabilidade democrática e solidez institucional. Segundo a FRZ, o nosso país tem um dos processos de desenvolvimento mais bem sucedidos no mundo actual.

Mas, quando se olha para a estratégia económica portuguesa, tudo parece ser ao contrário do que deveria ser. Segundo a Fundação, Portugal, com as políticas e orientações que seguiu nas últimas décadas, deveria agora estar na miséria. O nosso país não pode ser desenvolvido. Quais são os factores que, segundo os especialistas, criam um desenvolvimento equilibrado e saudável? Um dos mais importantes é, sem dúvida, a educação.

Ora Portugal tem, segundo o relatório, um sistema educativo horrível e que tem piorado com o tempo. O nível de formação dos portugueses é ridículo quando comparado com qualquer outro país sério. As crianças portuguesas revelam níveis de conhecimentos semelhantes às de países miseráveis. Há falta gritante de quadros qualificados. É evidente que, com educação como esta, Portugal não pode ter tido o desenvolvimento que teve. Um outro elemento muito referido nas análises é a liberdade económica e a estabilidade institucional. Portugal tem, tradicionalmente, um dos sectores públicos mais paternalista, interventor e instável do mundo, segundo a FRZ. Desde o 'condicionamento industrial' salazarista às negociações com grupos económicos actuais, as empresas portuguesas vivem num clima de intensa discricionariedade, manipulação, burocracia e clientelismo. O sistema fiscal português é injusto, paralisante e está em crescimento explosivo. A regulamentação económica é arbitrária, omnipresente e bloqueante.

Continua

Loumari disse...

É óbvio que, com autoridades económicas deste calibre, diz orelatório, o crescimento português tinha de estar irremediavelmente condenado desde o início. O estudo da Fundação continua o rol de azelhices, deficiências e incapacidades da nossa economia. Da falta de sentido de mercado dos empresários e gestores à reduzida integração externa das empresas; da paralisia do sistema judicial à inoperância financeira; do sistema arcaico de distribuição à ausência de investigação em tecnologias. Em todos estes casos, e em muitos outros, a conclusão óbvia é sempre a mesma: Portugal não pode ser um país em
forte desenvolvimento.

Os cientistas da Fundação não escondem a sua perplexidade.

Citando as próprias palavras do texto: 'Como conseguiu Portugal, no meio de tanta asneira, tolice e desperdício, um tal nível de desenvolvimento?'

A resposta, simples: é que ninguém sabe.

Há anos que os intelectuais portugueses têm dito que o País está a ir por mau caminho. E estão carregados de razão. Só que, todos os anos, o País cresce mais um bocadinho.

A única explicação adiantada pelo texto, mas que não é satisfatória, é a incrível capacidade de improvisação, engenho e 'desenrascanço' do povo português.

No meio de condições que, para qualquer outra sociedade, criariam o desastre, os portugueses conseguem desembrulhar-se de forma incrível e inexplicável.

O texto termina dizendo: 'O que este povo não faria se tivesse uma estratégia certa?

Loumari disse...

Portugal Second - this is a message from Portugal!

https://youtu.be/mRBtYHR-4Pc

Anônimo disse...

Parece-me que tudo o que diz é correto, sobre a "ONU", a situação é muito pior do que diz, a infiltração comunista (sem entrar em detalhes sobre fabianos, comunistas e socialistas) é muito grande, a tal ponto de ajudarem, também na colocação de árabes, "que também" estão mal intencionados, estão acreditando que conseguiram, e "de certa forma conseguiram", sobre o Brasil, isso não é apenas aqui, está ocorrendo no mundo inteiro (o procedimento político ao qual se referiu), o mesmo ocorreu com a igreja católica (mais ou menos 50 por cento dos seus religiosos, não acreditam na volta de Cristo, não acreditam em Deus, são infiltrados, comunistas "a grosso modo"), portanto não será fácil a solução, pois "é de fora para dentro", situação não compreendida pela maioria, pois é tratada do ponto de vista político (motivo pelo qual os militares estão em "estado de espera", aparentemente indiferentes).

Anônimo disse...

"Loumari" já li isso em outros lugares (sobre Portugal), a verdade, que a maioria se envergonha de dizer, é:
Deus, o motivo de Portugal -não afundar-