terça-feira, 4 de julho de 2017

Foi-se o Martelo (3)


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

As piadas sobre o comunismo são o mais estranho, engraçado e talvez até o mais significativo dos legados daqueles oitenta anos de experimentação política, na Rússia e no Leste Europeu. Ben Lewis, em seu livro “Foi-se o Martelo”, conta o que realmente aconteceu nesse período por meio das piadas e das histórias das pessoas que as contavam – muitas delas acabaram no Gulag, embora outras tenham desfrutado de altos cargos ou se tornaram estrelas do teatro e do cinema.
    
Culturalmente significativa, esta é a história de um sistema político que deixou, além das piadas, muitas perguntas sem respostas.
    
O comunismo foi uma teoria para a criação de uma utopia nacional, colocada em prática por algumas das maiores figuras históricas do século XX e imposta às populações em grande e pequena escala. Produziu a maior luta ideológica do século XX. Existem dezenas de livros sobre o assunto. Mesmo assim, dá-se pouca atenção a um de seus produtos 

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- Kruschev anda pelo Kremlin, nervoso com os problemas da União Soviética, e cospe no tapete, num gesto de repulsa. “Comporte-se, Nikita Sergeivich”, adverte seu assessor. “Lembre-se que o grande Lenin caminhou por estes tapetes!” “Cale a boca”, responde Kruschev. “Posso cuspir onde eu quiser. A Rainha da Inglaterra me autorizou!”. “A Rainha da Inglaterra?” “Sim. Eu também cuspi no tapete dela no Palácio de Buckingam, e ela disse: senhor Kruschev, o senhor pode fazer isso no Kremlin, se quiser, mas não aqui”.
    
- Todos conhecem as  Sete Maravilhas do Mundo, mas e as Sete Maravilhas do Comunismo? 1. Não há desemprego; 2. Embora não haja desemprego, só a metade da população tem de trabalhar; 3. Embora apenas metade da população trabalhe, os Planos qüinqüenais são sempre cumpridos; 4. Embora os Planos qüinqüenais sejam sempre cumpridos, nunca há nada para comprar; 5. Embora nunca haja nada para comprar, todos estão felizes e contentes; 6. Embora todos estejam felizes e contentes, sempre há manifestações de protesto; 7. Embora haja manifestações de protesto, o governo sempre é reeleito com 99,9% dos votos.
    
- É possível embrulhar um elefante com um jornal? Sim, se o jornal trouxer um discurso de Kruschev.
    
- Lenin é o Partido, e o Partido é Lenin.  Aí inventaram uma cama para três, porque, como diz o lema, Lenin está sempre conosco.
    
- Em 1977 houve um curso do Melhor Relógio de Cuco em Moscou. O terceiro lugar foi para o relógio cujo cuco saía de hora em hora e dizia “Lenin! Lenin!“. O segundo luar ficou com um relógio que dizia, a cada hora ”Lenin vive! Lenin vive!”. O primeiro foi para um que tinha Lenin saindo da portinhola, e dizendo: “Cuco! Cuco!”.
    
- Como resolver os problemas das filas nas lojas quando chegarmos ao comunismo pleno? Não terá sobrado nada que justifique uma fila.
    
- Brejnev faz seu discurso radiofônico para o povo russo: “Camaradas! Tenho dois anúncios importantes a fazer: um alegre e outro triste. A má notícia é que durante os próximos sete anos só vamos comer merda. A boa é que teremos merda para todos”.
    
- Como um judeu inteligente conversa com um judeu russo burro? Por telefone, de Nova York,
    
- Brejnev visita Nixon. Vê um telefone vermelho na escrivaninha do presidente norte-americano e pergunta para que serve. “Eu posso até ligar para o diabo por esse telefone”, diz Nixon. Brejnev pede que ele prove. Nixon diz a um de seus assessores que ligue. O assessor chama o diabo, passa o telefone para o presidente norte-americano, que conversa com o diabo por 15 minutos e desliga. Brejnev fica impressionado, um assessor chega e diz: “Senhor presidente, a conversa durou 15 minutos. Isso via custar 1.500 dólares ao contribuinte norte-americano”. Brejnev volta a Moscou e diz a seus assessores: “Quero falar com o diabo por telefone. Se os EUA podem, a União Soviética também pode”. E assim o assessor põe o diabo na linha e passa o telefone a Brejnev, que conversa por cerca de 15 minutos. O líder soviético desliga e pergunta ao assessor quanto custou. Assessor responde: “Foram dois copeques”. Brejnev se admira: “Só dois copeques” (cerca de 5 centavos de dólar). “Os norte-americanos pagaram 1.500, e nós apenas 5 centavos?” E o assessor diz: “Sim. O senhor tem que entender que, quando telefone para o diabo desde Washington, é ligação à distância, e quando chama de Moscou é ligação local”.
    
- Qual a definição de quarteto de cordas russo? Uma orquestra soviética de volta de uma turnê pelos EUA.
    
- Como Brejnev se tornou Secretário-Geral do Comitê Central do PCUS? Segundo o Regimento do Partido, qualquer membro pode ocupar o cargo.
    
- Brejnev morre e vai para o inferno. O diabo aparece e diz: “Você, Leonid, é um comunista proeminente, um homem de grande importância. Por isso, pode escolher como prefere ser torturado”. Caminhando pelo inferno, Brejnev vê Adolf Hitler imerso em uma banheira de óleo fervente e Josef Stalin pendurado no pau de arara. De repente ele nota Nikita Kruschev com Brigite Bardot sentada em seu colo. “Bom”, exclama Brejnev alegremente: “É essa! Quero a mesma tortura do Kruschev”. “Não. Não pode ser”, diz o diabo. Não é Kruschev que está sendo torturado. É Brigite”.
    
- Brejnev convoca todos os cosmonautas soviéticos e anuncia: “Camaradas! Tenho planos para ultrapassar os EUA na exploração espacial. Vocês vão pisar no Sol!”. “Mas, camarada Brejnev”, protestaram os cosmonautas. “Nós vamos pegar fogo!”. “Você acha que eu sou bobo?” respondeu Brejnev, “Vocês vão pousar à noite!”
    
- Apesar de sua incapacidade mental e física, parecia que Brejnev nunca morreria. Brejnev passeia com seu neto. “Vô, quando eu crescer quero ser Secretário-Geral”. “Como assim, garoto. Como poderá haver dois Secretários-Gerais?”
    
- Nas Olimpíadas de Moscou de 1980, Brejnev dá inicio a seu discurso: “Oh...Ooooh...Oh...Ooooh” Nisso, um assessor chega perto dele devagarzinho e sussurra ao seu ouvido: “Isso é o logotipo olímpico, senhor Secretário-Geral”
    
- Nixon, Pompidou e Brejnev se encontram com Deus, que diz que cada um pode fazer uma pergunta para Ele. “Quando os cidadãos americanos terão acesso a toda riqueza?” perguntou Nixon. Deus responde: “Em cinco anos”. “Pena que não vai ser no meu mandato”, diz Nixon. “Quando os franceses irão ficar ricos?” pergunta Pompidou. Deus responde: “Em 15 anos”. “Pena que não vai ser no meu mandato”, diz o presidente francês. “Quando vai estar tudo bem na União Soviética?” pergunta Brejnev. Deus responde: “É pena, mas não será no meu mandato”.
    
- O chanceler alemão Helmut Schmidt, o presidente francês Giscard d”Estaing e Leonid Brejnev estão mostrando os presentes caros que receberam. Schmidt  tira uma exótica caixa de rapés com a inscrição: “Para o querido Helmut, de sua amorosa esposa”. D’Estaing tem um cachimbo incomparável com a dedicatória: “Para o querido Giscard, de uma patriota francesa”. Brejnev, então, saca uma cigarreira de ouro incrustada de diamantes, com a seguinte inscrição: “Ao conde Uvarov, do grande Príncipe Sergei Aleksandrovich”.
    
- Em 1933, um grupo de ovelhas chega à fronteira soviética ansioso pra fugir de Stalin. Um guarda da fronteira as detém. “Porque vocês querem deixar a Rússia?” pergunta ele. “O problema é Polícia Política”, dizem elas. “Stalin ordenou que fossem presos todos os elefantes”. “Mas vocês não são elefantes”, diz o guarda. “Tente dizer isso à Polícia Política”, responderam as ovelhas.
    
- Um cidadão soviético volta a Moscou depois de uma viagem ao Ocidente. Seus amigos se aglomeram à sua volta fazendo perguntas. “É verdade”, diz um deles, “que o capitalismo está apodrecendo?” “Pode estar apodrecendo”, responde o homem, com um suspiro, “mas cheira bem”. “E o capitalismo, está em seu leito de morte?” pergunta outro amigo. “Definitivamente sim, mas está tendo uma morte magnífica”. “E é possível saber quem é rico e quem é pobre?” pergunta um terceiro. “Todos eles devem ser pobres, porque não têm condições de comprar nada. Eu passei por centenas de lojas, e as vitrines estão cheias de todo tipo de frutas exóticas, salsichas deliciosas e belas roupas, mas ninguém faz fila para comprar”.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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