domingo, 2 de julho de 2017

Foi-se o Martelo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

As piadas sobre o comunismo são o mais estranho, engraçado e talvez até o mais significativo dos legados daqueles oitenta anos de experimentação política, na Rússia e no Leste Europeu. Ben Lewis, em seu livro “Foi-se o Martelo”, conta o que realmente aconteceu nesse período por meio das piadas e das histórias das pessoas que as contavam – muitas delas acabaram no Gulag, embora outras tenham desfrutado de altos cargos ou se tornaram estrelas do teatro e do cinema.
    
Culturalmente significativa, esta é a história de um sistema político que deixou, além das piadas, muitas perguntas sem respostas.
    
O comunismo foi uma teoria para a criação de uma utopia nacional, colocada em prática por algumas das maiores figuras históricas do século XX e imposta às populações em grande e pequena escala. Produziu a maior luta ideológica do século XX. Existem dezenas de livros sobre o assunto. Mesmo assim, dá-se pouca atenção a um de seus produtos 
    
O livro Foi-se o Martelo – editora Record, 2014 – tem 410 fls. Ainda estou na folha 88, mas já encontrei matéria de sobra para escrever esse artigo. Haverá um segundo capítulo e, quem sabe, talvez um terceiro, e um quarto.

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Um velho judeu, em seu leito de morte, pede ao Rabino, como último desejo, ser nomeado membro do Partido Comunista, “porque é melhor que morra um deles do que um de nós”.
    
- Uma piada de um comunista romeno ”Porque Ceauscescu fez um comício no Primeiro de Maio? Para ver quantas pessoas tinham sobrevivido ao inverno”.
    
- “Você sabe quando foram lançadas as fundações da economia romena? Nos tempos bíblicos. Jesus foi colocado na cruz. Mandaram que ele abrisse os braços e bateram um prego em cada mão. Daí, disseram: por favor, cruze os pés. Só tem mais um prego”.    
    
- Qual a diferença entre a Rádio romena e os jornais romenos? “Com os jornais dá para embrulhar o peixe”.
    
- Porque as eleições na Alemanha Oriental sempre duram dois dias? “Para que todo cidadão tenha o direito de escolher se quer votar no sábado ou no domingo”.
    
- Antes da Grande Revolução de Outubro como o pobre povo oprimido enfrentava seu destino sob o Czar? Eles imaginavam como as coisas seriam depois e agüentavam um pouco mais.
    
- Conhece aquela do investigador de Polícia que pergunta ao suspeito: “O que você estava fazendo há cinco anos atrás, no dia 31 de outubro, às 17:15 hrs? E o sujeito responde de pronto: “Eu me lembro perfeitamente:  Estava com um olho no relógio, e outro no calendário”.
    
- Um funcionário do regime comunista anuncia numa Assembléia: “Dois mais dois são seis”. Suas palavras são ovacionadas com aplausos. Mas aí, um grita, lá do fundo: “Tá errado! Dois mais dois são quatro” Esse homem é preso imediatamente e desaparece por 10 anos. Ao voltar da Sibéria, ele de novo se encontra em uma Assembléia e reconhece o mesmo funcionário do Partido, no palanque, proclamando, sob aplausos estrondosos: “Dois mais dois são cinco!” O ex-prisioneiro não consegue ficar calado: “Não! Dois mais dois são quatro!”. Depois da Assembléia, o funcionário chega para ele, pôs o braço em cima de seus ombros, e sussurra: “Você não quer que dois mais dois sejam seis de novo, certo?”
    
- Comunismo = Poder Soviético mais Eletrificação. Eletrificação = Comunismo menos Poder Soviético.
     - Dois policiais param um pedestre e pedem seus documentos. Ele só tem o resultado de seu exame de urina. Primeiro Policial: Análise: albumina: negativo; açúcar: negativo. Segundo Policial: Sem açúcar significa que ele não é especulador. Pode seguir, cidadão.
    
- Depois da Revolução de Outubro, Deus envia três observadores para a Rússia: São Lucas, São Jorge e São Pedro. Eles mandam telegramas para Deus; “Caí nas mãos da Cheka” - São Lucas. “Caí nas mãos da Cheka” – São Jorge. “Tudo certo. Estou indo bem” - Superintendente Petrov, da Cheka. 
    
- Quando os camponeses viram as novas moedas de prata que o governo usou para pagar a produção agrícola de 1922, eles fizeram o sinal da cruz. “Porque vocês estão se benzendo?” Perguntou o padre da aldeia. “O dinheiro é soviético”. “Sim, mas a prata é da Igreja”.
    
- Em uma fábrica, um inspetor do governo pergunta a um operário: “O que você faz aqui?” “Nada”. “E você?”, pergunta a um outro. “Nada”. Então, ele escreve no relatório: “O segundo operário pode ser dispensado por duplicação de função.
     
- Um trabalhador do partido tenta explicar o que seria o comunismo: “Haverá fartura de todas as coisas: comida, roupas, todo tipo de produtos, e será possível viajar para o exterior“. Ah, diz uma velha senhora, “como nos tempos do Czar”.
    
- Lenin trabalha até tarde da noite. Por volta das três da madrugada, ele resolve tirar um cochilo, e pede a jovem guarda do Exercito Vermelho que o chame às sete. O soldado passa a noite toda preocupado com o modo como vai chamá-lo. Deve dizer: “Está na hora, sr Lenin”? Formal demais. Ou: “Acorda, camarada Lenin?” Íntimo demais.  Quando, por fim, o relógio marca 7 da manhã, o soldado começa a cantar a Internacional: “De pé, ó vítimas da fome!”.
    
- Um judeu conversa com um amigo: “Meu filho Moisés e eu estamos nos saindo bem. Moisha trabalha no Komintern fazendo o papel de um negro africano comunista, enquanto eu estou instalado no Kremnlin, no topo da torre de Ivan, o Grande, esperando para dar as badaladas da revolução mundial”.
    
“Mas deve ser um trabalho muito tedioso ficar esperando a revolução mundial”, diz o amigo.
    
“É verdade. Mas é um emprego para o resto da vida”.
    
- Uma diligência, cheia de passageiros, viaja de Jitomir a Kiev, quando uma quadrilha de ladrões ataca. O líder dos bandidos ordena: “Parem. Ninguém se mexa. Mãos ao alto”. Todos os passageiros descem da carruagem e levantam as mãos. Mas um deles se volta para o líder dos bandidos e diz: “Sr Chefe, vocês vão nos tirar tudo em poucos minutos. Deixe-me enfiar a mão no bolso por um momento. Tenho que dar uma coisa para o homem ao meu lado”. “Ande logo”, diz o ladrão, apontando o cano de sua arma para o viajante.  O passageiro enfia a mão no bolso de trás, tira cem rublos e virando-se para o vizinho, diz: “Salomão! Eu não lhe devia cem rublos. Tome”. E lembre-se que agora estamos quites”.
    
- Um dia, Jacó, um judeu russo, escorregou na lama na margem de um rio, e caiu na água. Ele não sabia nadar e corria um sério risco de se afogar. Dois policiais czaristas ouviram os gritos de socorro, e correram para lá. Mas quando viram que era um judeu, eles riram e ficaram parados, assistindo ao afogamento. “Socorro! Não sei nadar!” gritava Jacó. ‘Então vai se afogar”, eles respondiam. De repente Jacó gritou, quase sem fôlego: “Abaixo o Czar!”.
    
Os policiais imediatamente correram para o rio, mergulharam, tiraram Jacó de lá e o prenderam por perturbação da ordem.
    
- Um homem teria dito: “Aquele Nicolau é um idiota!” Foi preso por insultar o Czar Nicolau II, “Não senhor”, disse o homem ao policial. “Eu não estava falando do nosso venerável Imperador. Mas de outro Nicolau!”. “Não tente me engabelar”, respondeu o policial. “Se você disse IDIOTA, é claro que estava se referindo ao nosso Imperador”.
    
- Um comerciante chama a polícia local, depois de ter seu casaco roubado. O policial chega com seu cão farejador. O cão mergulha na multidão e cheira uma pessoa após a outra, e todas admitem espontaneamente terem cometido diferentes crimes pós-revolucionários. Uma senhora confessa que destila a própria vodca; o presidente do Comitê de Habitação assume que esteve desviando dinheiro das taxas de serviço; um rapaz declara que ludibriou o serviço militar. O cachorro acaba se voltando para o seu dono, o policial, que confessa: “Cidadão cão, eu recebi três notas d 10 rublos para comprar sua ração, e fiquei com duas”.
    
- Como muitos outros escritores satíricos, Zoshchenko encontrou dificuldades para publicar seu material o fim dos anos 1920. Não obstante ter continuado membro do Sindicato dos Escritores Soviéticos até 1945, quando foi expulso depois de publicar um conto no qual um macaco foge do zoológico soviético atingido por uma bomba fascista. O símio passa um dia na sociedade soviética, encontrando filas, escassez de comida e uma população agressiva e, afinal, concluiu que “foi bobagem deixar o zoológico. Respira-se mais tranqüilamente na jaula”. Jadnov, Ministro da Cultura de Stalin, ficou furioso. 
    
- Quais as últimas palavras de Maiakovski antes de cometer suicídio? “Camaradas, não atirem!”  
    
- Uma delegação da Geórgia foi visitar Stalin. Chega, conversa com ele em seu gabinete de trabalho e vai embora.
    
Assim que os visitantes desaparecem no fim do corredor, Stalin começa a procurar seu cachimbo. Abre gavetas, revira papéis, mas não o encontra. Ele grita no corredor, chamando o Chefe de Polícia Política, Laurenti Beria. “Beria”, diz ele, “Perdi meu cachimbo. Vá atrás da delegação da Geórgia e veja se alguém o levou”.
     
Beria sai voando pelo corredor. Stalin continua procurando o cachimbo. Depois de 5 minutos, ele olha em baixo da mesa e o encontra caído no chão. Chama Beria de volta e diz “está tudo certo. Encontrei meu cachimbo. Pode deixar os georgianos irem embora.”
    
“É um pouco tarde”, respondeu Beria. “Metade da delegação confessou ter levado o cachimbo e a outra metade morreu durante o interrogatório”.
    
- Stalin está em sua limousine, sozinho, com o motorista. “Deixe-me fazer uma pergunta”, diz ele ao chofer. Diga-me honestamente, você ficou mais ou menos feliz depois da revolução?”
   
“Para falar a verdade, menos feliz” diz o motorista.
    
“Por que?” pergunta Stalin enfurecido.
    
“Porque antes da revolução eu tinha dois ternos. Agora só tenho um”.
    
“Você deveria estar contente”, diz Stalin. “Não sabe que na África as pessoas andam completamente nuas?”
    
“É mesmo?”, responde o chofer, “há quanto tempo foi a revolução deles?”
    
- Por que a delegação africana se atrasou para a II Internacional? Eles esperavam a tinta preta secar na pele de Rabinovich...
    
Qual a definição de capitalismo? A exploração do homem pelo homem. E qual a definição do comunismo? É o contrário.
    
- Um governante comunista (escolha um) fica sabendo que 99% das piadas sobre ele e sobre o comunismo. Ele chama esse homem para uma reunião em seu suntuoso gabinete. Um grande banquete é servido. “Um dia”, diz o líder, “todo cidadão comunista comerá assim”. “Espera aí. Achei que quem contava piadas era eu”, disse o convidado.
    
- Trotski acorda de manhã. “Como vai?” pergunta um assessor. “Não sei”, diz ele. “Ainda não li os jornais”.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Martim Berto Fuchs disse...

"- Em uma fábrica, um inspetor do governo pergunta a um operário: “O que você faz aqui?” “Nada”. “E você?”, pergunta a um outro. “Nada”. Então, ele escreve no relatório: “O segundo operário pode ser dispensado por duplicação de função."

Plágio das estatais brasileiras.