sexta-feira, 7 de julho de 2017

Livro do Azambuja – Os Serviços de Inteligência


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Especialista no Assunto

Antes de tudo, o livro do historiador Carlos Ilich Santos Azambuja é uma obra de auto-ajuda destinada às autoridades brasileiras que, quase sempre, teimam em subestimar o inimigo.

Provavelmente não há outro brasileiro que tanto tenha se dedicado à análise do MCI – Movimento Comunista Internacional, com ênfase na sua atuação no Brasil, quanto vem fazendo o historiador Azambuja, com a pertinácia de quem se auto determinou a defender a Pátria.

Conheço-o há mais de 50 anos e durante tanto tempo ele nunca perdeu o norte, o rumo, o prumo.

Uma vez, perguntei-lhe: professor, o quê o levou a se interessar pelo tema comunismo? Foi por ideologia? Respondeu-me: não foi por ideologia, foi por burrice... Como assim? – perguntei, surpreso. Respondeu-me: o comunismo é a negação das características atávicas do ser humano. O homem não se organizou social e politicamente para que o Estado mantenha-o sob tutela, para que tolha a sua capacidade de escolha, para dizer-lhe o quê e quando deve fazer ou deixar de fazer qualquer coisa, para limitar-lhe o direito de ir e vir. Tudo isso é burrice elevada ao quadrado! A sociedade política tem de se auto-  impor limites, balizas, e o faz por meio de leis emanadas do povo, nunca impostas ao povo pelo Estado.

Insisti: você é de direita? Respondeu-me: ideologicamente não sou de direita, mas em uma sociedade bipartida, vejo-me na direita exclusivamente por colocar-me em oposição à esquerda. Volta e meia leio a citação: “ quem não foi comunista até os vinte anos não tem coração, quem o é depois dos trinta não tem juízo”. Sou precoce: sob esse aspecto, desde jovem pensava como se já tivesse mais de 30. Nunca coloquei um tantinho de apreço na utopia comunista e foi devido a possuir uma visão clara do seu engodo que me dediquei a estudá-la. “Se conheceis o inimigo...”

"Com o passar dos anos e o testemunho da história, acabei inferindo que o comunismo e outros sistemas que buscam, a qualquer preço, a dominação das mentes, têm em comum a prática do emprego da força, o apelo ao extremismo, ao terrorismo, na busca insana do seu objetivo. Sou patriota convicto, luto com a única arma que possuo, a pena, tentando não deixar o Brasil padecer desse infortúnio."

Na primeira parte da obra, Azambuja, tendo como fonte primária o excelente livro Contra Todos os Inimigos, de Richard A. Clarke, desnuda a atuação da CIA nos dias que antecederam e sucederam ao episódio do ataque terrorista às torres do World Trade Center, e revela as decisões erradas adotadas pelo governo Bush que culminaram com a invasão do Iraque. Também assinala o desinteresse do FBI por informes relativos à atuação da Al-Qaeda nos EUA.

Em boa parte, ao longo do livro, Azambuja trocou em miúdos inúmeros aspectos negativos relativos à organização e à atuação da CIA, entretanto fez questão de finalizar a matéria sobre essa agência com uma observação importante: “Como qualquer Serviço de Inteligência do Mundo, a CIA obtém êxitos e reveses. Os reveses geralmente enchem as páginas dos jornais e os êxitos permanecem sob um pesado silêncio, nas catacumbas do Serviço.”

O autor prossegue dedicando um interessante capítulo sobre a espionagem russa no Brasil e o convívio de um casal de espiões com um Presidente do Brasil, escritor e membro da ABL.

Envereda sobre a história, a constituição e a atuação dos serviços de inteligência da antiga URSS, da nova Rússia e de Cuba, e dedica especial atenção àquele que considera o melhor do mundo, o MOSSAD, israelense.

Analisa o terrorismo e suas múltiplas implicações e dedica um pequeno capítulo sobre Contra-Inteligência.

Convém notar que o autor foi analista, durante décadas, de um serviço militar de inteligência, onde se destacou pela excelente memória e afinco. Nunca  gozou férias, nunca se distraiu um dia sequer com interesses mundanos. Possui todas as virtudes dos Soldados das Sombras, aqueles que se situam na Primeira Linha de Defesa. Quando foi agraciado com a Ordem de Horus, os aplausos unânimes que recebeu de seus pares disseram muito do reconhecimento que lhe é dedicado pelos Serviços de Inteligência Militares.
     
Nesta obra, reuniu dados e ensinamentos que colheu durante o serviço ativo, tendo como propósito contribuir, como sempre fez, anonimamente, para a tomada de decisões da competência dos receptores das suas análises e estudos de Inteligência.

Crê, profundamente, na importância da Inteligência Estimada, aquela que se antecipa ao fato. De certa forma, tem em conta que os ensinamentos e causos contidos nesta obra, em boa hora posta ao alcance daqueles aos quais cabe optar pela melhor decisão, tem o subjetivo sabor de Inteligência Estimada.

Não fez do serviço público balcão de mercancia. Tem muito pouco e vive modestamente. Quando reclamei do seu computador do tempo do bit lascado e do monitor de 14”, respondeu-me com o seu habitual bom humor: é igual aos automóveis cubanos...


O texto, que não escrito por mim, mas por um especialista no assunto, será a abertura de meu próximo livro.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Nenhum comentário: