terça-feira, 8 de agosto de 2017

A Voz de Winston Churchill pelo Mundo Livre


“Melhor lutar por algo do que viver para nada” (Winston Churchill)

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo é de autoria de Lucas Berlanza, autor do livro “Guia Bibliográfico da Nova Direita”, editado pela Resistência Cultural.
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Já faz mais de cinco décadas a morte do Primeiro-Ministro britânico WINSTON CHURCHILL. Personalidade polêmica criticada, possivelmente com acerto, em muitos aspectos; louvada, certamente com méritos, por outros – sua importância talvez não tenha ecoado à altura de suas realizações, ao menos no Brasil, onde se goza, ao menos imperfeitamente, das liberdades ocidentais; também provavelmente aos esforços de Churchill nos sombrios tempos da primeira metade do século XX. Com efeito, diz o Spectator (22.1.1965), que dias antes de sua partida, que “nós vivemos como homens livres, falamos como homens livres, caminhamos como homens livres, por causa de um homem chamado Winston Churchill”.
    
Exagero? É evidente que o esforço e, lamentavelmente, as vidas dos inúmeros soldados, britânicos ou não – os poucos a quem anos deveram e devem como nunca, no dizer do próprio Churchill - são tão ou mais importantes para a derrota do eixo nazifascista quanto as palavras inspiradoras daquele senhor corpulento que fumava e bebia muito, e tinha sempre uma resposta mordaz e espirituosa para as situações mais adversas.

No entanto, é sabido que seus discursos foram fundamentais para incentivar os guerreiros que combateram e as pessoas que sofriam com os efeitos daquele conflito planetário, dificilmente mensuráveis para a minha geração e as outras que imediatamente a antecedem e sucedem. No prefácio do livro Jamais Ceder! Os Melhores discursos de Winston Churchil, nas palavras do neto de Churchill, encontro referências a uma senhora que diz ter, aos 12 anos, vivido em um gueto, temendo captura para os campos de concentração nazistas. A voz de Churchill, no rádio, mesmo sem compreender o inglês, era o que mantinha, a ela e suas companheiras com esperança no futuro.
    
No Partido Conservador de 1900 a 1904, Churchill passou pelo  Parido Liberal de 1904 a 1924 por discordar da orientação, a seu ver, muito protecionista de Chamberlain e outros políticos de sua legenda de origem. Retornou ao Partido Conservador, onde ficaria até o fim da vida política, por considerá-lo o mais forte reduto contra o socialismo e as “tristes falácias de Karl Marx”. Muitos libertários e liberais clássicos criticam suas medidas durante o esforço de guerra, assim como também há os que criticam Reagan e Thatcher, conservadores que foram ícones da defesa da liberdade econômica décadas depois, por não terem ido além do que fizeram.

Pode-se discutir o assunto, que não é o meu interesse aqui, desde que sejam reconhecidas as dificuldades envolvidas pelas circunstâncias delicadas que uns e outros encontraram. De uma coisa não se pode, porém, duvidar: Winston Churchill foi uma liderança ocidental por excelência. Isso quer dizer que sua luta, assumida e convictamente, foi travada em nome dos princípios mais nobres erigidos pela nossa civilização, pelo Direito e pelas liberdades individuais.

Quaisquer que tenham sido suas políticas internas, Churchill representou para o mundo a voz da liberdade, veemente e altiva perante as adversidades, fossem elas oriundas do comunismo soviético, fossem do nazi-fascismo italiano e germânico. Profético, Churchill tentou alertar os compatriotas e o mundo do perigo mortal que se aglutinava na Alemanha, com Hitler, e acabou tardiamente contemplado pelo povo pelo acerto de sua antevisão.    
    
Jamais se fartou de dar nome aos bois. No extraordinário livro de discursos, vemo-lo alertar para os perigos do bolchevismo, “a pior, a mais destrutiva e a mais degradante” de todas as tiranias da história. Fiel ao espírito britânico, imbuído de uma atmosfera mais liberal desde a Carta Magna, limitadora do poder absoluto do rei, ele já criticava a anarquia absoluta do Czar russo, mas via no regime de Lenin e Trotsky as atrocidades “incomparavelmente mais repugnantes, em escalas muito maiores e mais numerosas do que qualquer uma pela qual o Czar seja responsável”.

Soube, desde então, quando muitos socialistas e utopistas ocidentais procuravam se cegar para o óbvio, identificar as medonhas atividades perpetradas pelos marxistas-leninistas ainda nos primórdios de sua nefasta influência sobre os rumos do século. Viu em Lenin um “aluno negligente”, que não aprendeu ser a propriedade privada “um prêmio à labuta humana e à poupança”, e alguém que ingenuamente julgou ser a impressão indiscriminada de moeda a saída para deixar todos ricos. Foi ator de um dos mais brilhantes diagnósticos sobre o socialismo, de acordo com o qual este é “a filosofia do fracasso, o credo da ignorância e a pregação da inveja”. 
    
O maior exemplo de Churchill deixado pa o mundo atual é o da importância de uma liderança sumamente ocidental, que não se envergonhe diante dos politicamente corretos, de desfraldar os princípios que nos ajudaram a construir essa moderna civilização, que permitiu a circulação dos valores da liberdade e da responsabilidade pessoal. Nos anos em que a liberdade encarou, provavelmente, sua hora mais sombria, havia Winston Churchill para insuflá-la ao combate, à constante vigilância que a farão subsistir.

Nos anos em que mundo se dividiu pela tensão da Guerra Fria, havia também as lideranças ocidentais a não se acovardarem  perante o alastramento da tirania comunista, pavoneando-se na Rússia ou na China. Com os desastres internos e a pressão valente dessas lideranças, o Muro de Berlim caiu, fazendo ruir o totalitarismo soviético. E hoje, em que o terrorismo islâmico e a tirania bolivariana se articulam e zombam do Ocidente carcomido, onde estão essas lideranças? Podem elas voltar a se erguer? Queremos crer que sim.
     
Terminamos com as palavras mais lembradas de um dos discursos mais memoráveis de Sir Winston Churchill, para ilustrar o temperamento bravo e encorajador de sua oratória: 
    
“Muito embora grandes extensões da Europa e antigos e famosos Estados tenham caído ou possam cair nos punhos da Gestapo e de todo odioso aparato do domínio nazista, nós não devemos enfraquecer ou fracassar. Iremos até o fim. Lutaremos na França. Lutaremos nos mares e oceanos. Lutaremos com confiança crescente, e força crescente no ar, defenderemos nossa Ilha, qualquer que seja o custo. Lutaremos nas praias, lutaremos nos terrenos de desembarque, lutaremos nos campos e nas ruas, lutaremos nas colinas, nunca nos renderemos, e se, o que eu não acredito nem por um momento, esta ilha, ou uma grande porção dela, fosse subjugada ou passasse fome, então nosso Império de além mar, armado e guardado peã Frota Britânica, prosseguiria com a luta, até que, na boa hora e Deus, o Novo Mundo, com toda a sua força e poder, daria um passo em frente para o resgate e libertação do Velho.”
    
Não nos rendamos, pois, também nós, na árdua batalha por liberdade nestas plagas tupiniquins, ainda tão distante de ver ocupados seus postos governamentais por figuras de tamanha envergadura. 


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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