quinta-feira, 3 de agosto de 2017

O que é o Socialismo Hoje


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi escrito por PAUL SINGER, economista, professor universitário (USP) e pesquisador do CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). PAUL SINGER é militante socialista desde os anos 50. De formação marxista, influenciado pelas teorias econômicas de Rosa Luxemburg, participou do seminário de estudos de O Capital de Marx, em São Paulo.

Membro do Partido Socialista Brasileiro durante muitos anos, a partir de 1980 se filiou ao PT. Durante a administração petista da cidade de São Paulo (prefeita Luiza Erundina) foi Secretário de Planejamento. Sempre foi e continua sendo um dos mais influentes defensores de um socialismo democrático e pluralista no Brasil. A brochura da qual extraímos o texto abaixo se apresenta como uma contribuição ao debate geral sobre o socialismo.
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O socialismo que decorre das lutas atuais dos trabalhadores ds setores economicamente ais avançados constitui uma reformulação profunda do que se concebia como socialismo há apenas algumas décadas. A reformulação mais drástica é provavelmente a rejeição da idéia de que o socialismo deve ser implementado a partir da conquista do Poder Político, o que implicava a noção de que o socialismo será, em essência, realizado por um Poder Político que a tanto se propusesse. A lógica do raciocínio se baseava no pressuposto de que o socialismo resultaria da socialização dos meios de produção, entendida como abolição da propriedade privada dos mesmos.

Ora, hoje, após diversas tentativas fracassadas de chegar ao socialismo desta maneira, sabemos que socializar só pode significar submeter os meios de produção ao controle coletivo do conjunto dos trabalhadores, Como vimos, porém, a natureza das forças produtivas atualmente disponíveis faz com que o controle imediato da produção social seja exercido por uma camada de técnicos e administradores – e enquanto isso tiver que ser assim, a essência da socialização não consiste em subordina formalmente esta camada a um poder dito ‘proletário” ou “socialista”, mas em submetê-la, de fato, à hegemonia da classe trabalhadora.

Mas isso significa que em lugar de ’conquistar’ o poder político, o que os socialistas têm de fazer é dividi-lo, de tal modo que as decisões finais sejam tomadas, direta ou indiretamente, pela classe trabalhadora. Em outras palavras, se a burguesia dividiu o poder político em três ramos independentes – Executivo, Legislativo e Judiciário – para impor sua hegemonia, o proletariado não pode reunificá-lo, a pretexto de sua conquista, em acabar de ser dominado pelos que de fato o exercem.  

O Estado de novo tipo terá de ter o seu poder também dividido, de modo a que seu exercício seja confiado a representantes eleitos das diversas correntes de opinião ou coligações de interesses em que se duvide a população. Não há por que especular agora se o Estado de novo tipo irá conservar a tradicional divisão de três Poderes e mais os usuais três níveis de Poder nacional, regional e local ou se outras divisões serão experimentadas.

O mais provável é que diferentes tipos de estruturação de Poder serão ensaiados em vários momentos e em diversos países. O que importa é o princípio geral. Se o socialismo significa o controle dos controladores por parte d massa e cidadãos comuns, o Poder terá de ser consideravelmente descentralizado, provavelmente mais do que que nas repúblicas (ou monarquias) burguesas mais democráticas. Essa descentralização deve fazer com que as divergências e conflitos sejam trazidos a público e que a participação dos cidadãos na sua resolução seja uma fonte insubstituível de educação política para os mesmos.   
    
Ora, se este é o Estado que pode levar ao socialismo e que, portanto, deve levar ao seu próprio perecimento, o instrumento paa a sua conquista dificilmente poderá ser um partido monolítico eu tenha como objetivo imediato arrancar o poder da burguesia para unificá-lo em suas mãos. O instrumento será antes uma ampla frente de massas, na qual convivam diversas correntes e que, à medida em que conquiste algum Poder, em nível local, ou de empresa, ou de sindicato, o utilize de imediato para subordiná-lo ao conjunto de cidadãos sobre o qual ele é exercido.

A luta pelo socialismo torna-se assim uma pratica de libertação. A própria frente política deve ser um modelo dessa prática, no que respeita à vigência da mais completa democracia interna. O seu objetivo imediato é antes transformar o Poder do que propriamente conquistá-lo. Desta maneira, o socialismo acabará sendo implantado à medida que a frente política revolucionária for capaz de destruir as estruturas autoritárias nas mais diversas instituições, no Estado e nas empresas, nas escolas e nos centros científicos, nos sindicatos, e nas Forças Armadas, nas igrejas e nas famílias.
    
Isso significa também que o âmbito da luta pelo socialismo é muito maior que o plano político convencional. Não é só o poder do Estado que tem que ser transformado, mas todo o poder exercido autoritariamente do patrão na empresa, do professor na Escola, do Oficial no Exercito, do padre da Igreja, do dirigente no sindicato ou no partido e, por fim, mas não por último, do pai na família. De todos estes, provavelmente a soberania do Estado e a autocracia patronal ou gerencial na empresa são as formas fundamentais de poder, cuja transformação condiciona as demais. Mas nem por isso há qualquer razão para distinguir a prática de libertação a essas duas instituições.

A luta pelo socialismo requer a mobilização de toda a população e, portanto, as lutas autoritárias têm que ser suscitadas em todas as instituições no pressuposto, confirmado pela experiência, que as práticas de libertação tendem, em geral, em se reforçar mutuamente na medida em que a legitimidade de todas e reconhecida, ao passo que a tentativa de se considerar uma luta específica como prioritária e contendo em si a solução das demais – “uma vez conquistado o Poder e eliminada a propriedade privada dos meios de produção, tudo o mais se resolve sem atrito e sem demora” – só tende a dividir os movimentos de libertação e a sectarizá-los.
    
O socialismo só será alcançado após uma extensa e vitoriosa prática de libertação, que abra caminho, ao mesmo tempo, ao desenvolvimento às novas forças produtivas e à socialização completa do trabalho intelectual.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

3 comentários:

Liliane Carlos disse...

O socialismo hoje é o mesmo de sempre, pois sempre foi único em seu objetivo. Veja mais em:
http://carlosliliane64.wixsite.com/magiaeseriados

Anônimo disse...

Utopia, pura utopia. Esse senhor, Paul Singer, é um petralha assumidíssimo. Ele jamais conseguirá fazer com o Lula pense como ele. Imagine a balburdia que seria se a sociedade tivesse que viver no socialismo que esse senhor imagina como ideal. Seriam aqueles conselhos que o PT, PC do B, PSOL, PSTU tentaram implantar no governo da terrorista. Todas as vezes que algo tivesse que ser decidido, haveria uma reunião do conselho ou conselhos para decidir. Seriam centenas, talvez milhares de conselhos, sindicatos, cooperativas, Ongs, com centenas ou milhares de reuniões para se tomar um decisão sobre determinado assunto, às vezes, até sobre assuntos corriqueiros. Imaginem o custo disso. Todo socialista tem um pouco de loucura, de desvio mental.

Anônimo disse...

Já que saiu vitorioso, agora o governo vai começar a aumentar tudo para conseguir pagar a conta.