quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Utopia x Distopia: um confronto necessário!


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Utopia, palavra que pode servir tanto para caracterizar uma sociedade que, de tão perfeita, é inalcançável, quanto uma idéia inexeqüível em sua totalidade. Quando intitulou a obra de Thomas Morus, foi concebida como uma interpretação da sociedade vigente. O escritor criou uma ilha, indeterminada geograficamente, onde a sociedade igualitária e desprendida de bens materiais confrontava com a da época, estratificada e materialista.
    
Distopia, por sua vez, é uma interpretação negativa do futuro. Todas as obras distópicas são críticas ou sátiras a obras utópicas. Sempre exageradas, vêem um desenlace catastrófico para a humanidade e para o planeta. Dessa forma, podem servir de alerta. Um exemplo de distopia é o livro “Admirável Mundo Novo“, de Aldous Huxley) que descreve uma sociedade estamental, com base no modelo fordista. A obra, da década de trinta, não se afasta muito da sociedade atual, já que as constantes tentativas da elite na formação de uma “massa” inexpressiva mostram que Huxley não estava tão enganado.
    
Resta saber se os acertos, ou adivinhações, feitas pelas obras distópicas, irão se aplicar aos alertas sobre o destino tortuoso da revolução cibernética.Um bom exemplo de previsão trágica para a robótica é o filme” Eu, robô”, cuja narrativa se passa em 2035. Nele, uma sociedade extremamente empenhada no aprimoramento da tecnologia se amedronta com a possibilidade de os autômatos tomarem o Poder.
    
Nem só de pessimismo vive o homem. As utopias atuais refletem as mazelas do mundo contemporâneo e apontam caminhos. O trabalho de algumas ONG s e as campanhas humanitárias - que idealizam um futuro mais pacífico e igualitário - são exemplo de pensamento utópico.
    
Utopia e distopia, ambas promovem o debate necessário acerca da realidade e do futuro. A primeira idealiza o “amanhã”. E, por oposição, permite a existência da segunda, trágica, apavorante, mas necessária, um alerta à humanidade. Mentira? Utopia? Caos? Distopia? Aquele intrínseco desejo... 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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