sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Algumas frases do livro “Meã Cuba”


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Guillermo Cabrera Infante (GibaraCuba22 de abril de 1929 -Londres21 de fevereiro de 2005) foi um escritor cubano naturalizado britânico. Além de ser romancista, contista e ensaísta, escreveu poemas visuais e roteiros cinematográficos..
“O comunismo é o fascismo do pobre”, é uma de suas frases

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- Os que dizem ou repetem que os EUA são os nazistas desta época, sempre encontram desculpas para encobrir os crimes da “esquerda”, sob a etiqueta de “erros inevitáveis no processo de construção da nova blá-blá-blá-blá...”
    
- Frase de um filósofo judeu, ao visitar Cuba: “Mas não é verdade que com o doktor Kastro a ilha fez grrandes prrogressos na saúde pública e no educaçon?”
    
- Ainda que o programa educativo tivesse sido um sucesso, e não é, de que adianta ensinar o alfabeto a milhões, quando um homem só, decide o que vai ser lido, na Prússia ou na Rússia? Ou em Cuba?
     - Fidel Castro é, como os gays gostam de dizer, desviando-se da gramática, mucho macho
    
- Haydée Santamaria, ao voltar de Moscou fez-me algumas revelações. Confiou-me, então, confiante: “Em Moscou conheci Ekatherine Furtseva. Você sabe. A Ministra da Cultura. Uma mulher magnífica”, o que ela era, “e tão amável”, o que não era, a famosa Sorriso de Aço. “Sabe o que ela fez?”. A Ministra Furtseva, me explicou, de mulher para mulher, ou melhor, de companheira para companheira, o que aconteceu com os artistas e escritores que morreram na época de Stalin. Eles não foram mortos por serem poetas herméticos, romancistas burgueses ou pintores abstratos. Na verdade, foram fuzilados porque eram espiões nazistas, e não artistas. Você pode imaginar uma coisa dessas? Todos agentes de Hitler! Não houve outra saída a não ser exterminá-los, entende?”Claro que eu entendi...

Haydée Santamaria, uma mulher curiosa e contraditória (cujas contradições pessoais e políticas a levaram ao suicídio, era fidelista até debaixo d’água. Tratava-se da única mulher a ter participado do assalto ao Quartel Moncada, em 1953. Haydée, heroína da Revolução, preferiu não ser mártir, como tinham sido seu irmão, Abel, e seu namorado, Boris Santa Colomba (ambos assassinados no assalto ao Quartel Moncada, em 1953), mas suicida. Haydée era uma mulher, cuja falta de inteligência andava lado a lado com uma enorme ignorância. Suicidou-se em 26 de julho de 1980.
    
- A morte de Virgílio, poeta cubano, não foi rápida e nem simples. Foi enterrado no Panteão da Pátria, no que poderia chamar de uma vala comum, embora se suponha que em Cuba, um país socialista, não existam valas comuns. Todos os mortos socialistas são enterrados igualmente. Alguns, porém, são enterrados mais fundo.
    
- Minha mãe e meu pai foram fundadores do Partido Comunista em minha cidade. E os dois tinham sido presos no regime de Batista, um ano antes. Um ano depois, já estavam fazendo propaganda eleitoral em favor de Batista, sempre seguindo as ordens do Partido. Essas foram lições políticas precoces, das quais nunca me esqueci. Já era, com essa idade, um veterano.
    
- (...) José Martí apontava para mais longe. De fato, para nós, que vivemos a quase um século de sua morte, para aqueles que, como eu, acreditam que a política costuma ser o último refúgio do salafrário e a primeira vocação do esperto.
    
- “Que morir por la pátria es vivir” (Hino Nacional de Cuba).
    
- Um dos suicídios mais estranhos e inexplicáveis ocorridos em Cuba após a Revolução, e nada conhecido fora do país, foi o de Raul Chirino, revolucionário transformado em contra-revolucionário pela Revolução, que se suicidou em 1959, dentro de um Pronto-Socorro em Havana, quando era interrogado pessoalmente por Fidel Castro. Ninguém nunca duvidou que tivesse sido um suicídio...
    
- Beatriz Allende, filha e confidente de Salvador Allende, finado presidente do Chile, estava casada com um indefinido Adido, duas vezes obscuro, bem apessoado e modesto, na embaixada cubana em Santiago. Com pouco tempo de casada, Beatriz soube o segredo de seu marido: era Capitão da Segurança de Estado, em Cuba, e fora ao Chile com a missão de proteger o presidente eleito para que não o matassem antes de tomar posse. Mataram-no depois, claro, e sua guarda cubana não pôde, ou não quiz, protegê-lo. Quando Allende caiu, o casal, amparado na imunidade diplomática, voltou para Cuba. Pouco tempo depois se separaram. O hábil agente cubano não pôde impedir o suicídio da filha preferida de Allende, pois em Cuba, vivia sozinha, atrás do sinistro, mas aparentemente agradável QG do G-2. Em pouco tempo, Beatriz deu um tiro na têmpora, costume aprendido em Cuba. A tia de Beatriz, Laura, irmã de Allende, que também vivia em Havana, atirou-se do décimo sexto andar do prédio em que vivia. O jornal Granma divulgou que ela estava doente de um mal incurável... Ninguém disse que Laura Allende tentava sair, havia meses, de Cuba, para curar a incurabilidde do mal que a matou.
    
- A única contribuição de Fidel Castro à teoria de Marx, segundo Stalin, não foi uma interpretação inovadora, mas uma nova pronúncia dessa filosofia como marsismo-leninimo.
    
- A esplêndida estrela de Dorticós Torrado, que foi presidente de Cuba, desceu cada vez mais rápida, do zênite ao nadir político, para se apagar no nada a que nunca aspirou. Dorticós seguiu o caminho de toda cerne política em Cuba, dando um tiro na cabeça com uma pistola do mesmo calibre que a de Haydée Santamaria.
    
- Certa vez houve uma conferência de escritores em Londres com o engraçado título “Eles matam os escritores, não é verdade?” Fui convidado a falar, disse-lhes que não, obrigado. Disse-lhes que o título não era verdadeiro, que nos países totalitários, como Cuba, o que eles menos matam são os escritores. Eles se calam ou se assustam e seu silêncio é comprado com uma casa, um carro e várias viagens. Ou saem do país, como exilados. Não matam os escritores. Matam, exatamente, homens sem imaginação. Matam seus heróis...
   
Vou parar por aqui, pois o Mea Cuba tem 518 páginas e eu ainda estou na 217... Faltam apenas 301.


Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Rio Dande disse...

Valiosa contribuição Sr. Carlos Ajambuja. Valeu. Que venha o livro!