segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Concepção Materialista de História


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Texto tirado da Wikipedia.

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O primeiro fruto da associação de Marx e Engels foi o texto "A Sagrada Família", e logo depois “A ideologia Alemã”, sendo neste segundo texto que aparece a primeira formulação geral das bases da concepção materialista da História. O próprio Marx afirma que foi a análise da filosofia do Estado, de Hegel, que o levou a tirar a conclusão de que "as relações legais, tais como as formas de Estado, têm de ser estudadas não por si próprias, ou em função de uma suposta evolução geral do espírito humano, mas antes como radicando em determinadas condições materiais da vida".
    
A concepção materialista da História, exposta em "A ideologia Alemã" difere-se do materialismo de Ludwig Feuerbach. Para Marx, a história é um processo de criação, satisfação, e recriação contínuas das necessidades humanas; é isso o que distingue o homem dos animais, cujas necessidades são fixas e imutáveis. Quando pretendemos estudar a evolução da sociedade humana, temos de partir do exame empírico dos processos reais, concretos, da vida social da existência humana.

Os seres humanos não devem ser considerados num isolamento, mas num processo de evolução real, a que estão submetidos em determinadas condições materiais e históricas (desenvolvimento das relações sociais). Desde o momento em que este processo passa a ser descrito, a história deixa de ser uma coleção de fatos mortos ou uma atividade inventada de sujeitos inventados. Quando se descreve uma realidade, a filosofia como ramo alienado e independente do conhecimento prático, deixa de existir.
    
Separadas da história, essas abstrações não têm qualquer sentido real. Servem apenas para facilitar o ordenamento histórico, não fornecendo, porém, um esquema de interpretação das épocas da história. Cada um dos vários tipos de sociedade identificados por Marx caracteriza-se por uma dinâmica interna de evolução própria. Mas essas características só podem ser identificadas e definidas mediante uma análise ex post facto. Atribuir finalidade à história não passa de uma distorção teleológica, que transforma a história recente na finalidade da historia mais antiga.

A tipologia da sociedade estabelecida por Marx baseia-se no reconhecimento de uma diferenciação progressiva da divisão do trabalho. Em outras palavras, o que Marx explicitou foi que, embora possamos tentar compreender e definir o ser humano pela consciência, pela linguagem e pela religião, o que realmente o caracteriza é a forma pela qual produz e reproduz suas condições de existência. Fundamental, portanto, é a análise das condições materiais da existência societária.
     
A realidade não é estática, ela é dinâmica, está sempre em transformações, tanto qualitativas quanto quantitativas. No contexto dialético, também o espírito não é conseqüência passiva e/ou mecânica da ação da matéria, podendo reagir sobre aquilo que o determina. Isso significa que a consciência, mesmo sendo determinada pela matéria e estando historicamente determinada, não é pura passividade: o conhecimento do determinismo liberta o homem por meio da ação deste sobre o mundo, possibilitando inclusive a ação revolucionária.

Assim, Marx se denominava um materialista, não idealista. O Materialismo Histórico e o Materialismo Dialético podem, grosso modo, serem tomados por termos intercambiáveis, sendo o primeiro mais adequado ao se tratar de "coisas humanas" e o segundo adequado para aspectos do real. Engels acabou desenvolvendo mais do que Marx acerca do Materialismo Dialético.
    
Alguns autores, como Karl Popper, discordam da cientificidade das idéias marxistas - sendo comum que os críticos deste ideário utilizem a derrocada dos países denominados "comunistas" para fundamentar estas afirmações.

O "erro" de Marx, talvez, possa ter sido o de superestimar a previsibilidade das sociedades humanas. Sem dúvida, nenhuma das sociedades que se autoproclamavam "marxistas", desenvolveu-se de acordo com as teorias de Marx, uma crítica que, inclusive, foi feita internamente nessas sociedades, através da corrente política denominada "esquerda comunista", composta pelos mais ortodoxos marxistas, que argumentavam jamais ter existido, nem a remota possibilidade, da construção do socialismo em uma única Nação, uma vez que o socialismo marxista opõe-se ao nacionalismo, abraçando um viés internacionalista.

A despeito dessas críticas, as idéias de Marx permanecem influenciando as ciências sociais de tal forma que o filósofo alemão tornou-se um dos mais influentes pensadores da história. Ainda que pouco previsíveis, as sociedades humanas certamente devem render muitas graças a este homem nascido em Tréveris, pelos grandes avanços teórico-metodológicos prestados ao campo das ciências humanas, por sua militância pela emancipação da humanidade, pelo desenvolvimento da concepção materialista Dialética e Histórica, dentre várias outras contribuições, feitas durante o século XIX. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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