segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Livro “Em cima da Hora”, Capítulo 3: Bases e Ligações


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Entramos agora no setor essencial da Guerra Política soviética.

Torna-se importante considerar o mundo comunista como Moscou o faz e não como desejaríamos que fosse. A galeria dos auxiliares da propaganda soviética abrange espécies, empregos e métodos infinitamente variados. Numa extremidade se encontra o vulgar pau-mandado; na outra o amigo que só age por suaves solicitações e segundo a própria consciência, mas cuja consciência foi sutilmente condicionada. Entre os dois se desdobram todas as gradações de criptos e aliados temporários mais ou menos guiados, mais ou menos enleados por fios que vão do dinheiro ao sentimentalismo, passando pela ambição, a pusilanimidade, o esnobismo, a fidelidade, o interesse profissional, etc.

Uns propalam mentiras; outros impedem que se difunda a verdade sobre os descalabros do regime comunista. São grandes os estragos que podem causar esses intermediários velados da propaganda soviética.

Todos os partidos procuram atrair grandes amigos. Mas os comunistas deram ao processo de difusão por repercussão uma extensão enorme, que produziu um fenômeno novo. Não somente novo pelo vulto, mas também pelo caráter oculto. Somente o PC trabalha de rosto mascarado. Numerosos são os testemunhos de comunistas desenganados que relatam como, ao tempo de seus primeiros entusiasmos, o PC lhes havia recomendado que não se inscrevessem como aderentes a fim de melhor servirem à propaganda soviética por uma aparente independência.

Para alguns, as denominações de “criptocomunista” ou “aliado temporário” são suaves demais; para outros, são excessivas. Adotaremos o termo genérico de auxiliares,especificando que ele não comporta, a priori, significado pejorativo, pelo menos do ponto de vista moral, pois certos auxiliares só enganam porque são, também, enganados.

Como se conhece o Auxiliar?

O sinal que os distingue consiste em dois traços:

O auxiliar sustenta, sempre, todas as posições da política internacional que convêm aos soviéticos e as troca logo que os soviéticos as mudam. Adota sempre uma atitude espírito que tende, sistematicamente, a denegrir o Ocidente e exaltar o Kremlin.

A Infiltração

Pode-se designar pela expressão genérica infiltração o sistema de ligações ocultas que permite inseminar, em todas as células do mundo livre, posições favoráveis aos soviéticos.

Esse sistema tem pontos de ligação com as redes de espionagem comunistas, que transmitem informações. O mecanismo é sempre o mesmo. Um ou váriosauxiliares são colocados ou conquistados na organização infiltrada. Ficam em constante contato com os auxiliares de fora e estes, por sua vez, são dirigidos pelos verdadeiros agentes.

A propaganda criptossoviética que corre por esses canais é adaptada a cada ambiente. Não há doutrina social, política ou religiosa, na qual não se possa fazer passar, furtivamente, por inflexões dialéticas apropriadas, incidências favoráveis à política exterior do Kremlin.

Passemos em revista os principais organismos infiltrados.


A Imprensa

Raros, no mundo, os órgãos de imprensa, por mais “burgueses” que sejam, nos quais o aparelho soviético não tenha alguma ligação.

O trabalho essencial dos infiltrados na imprensa consiste na influência sobre o diretor, suas fraquezas, suas prevenções, suas ambições; e quando isso não é possível, na dos jornalistas influentes, à revelia do diretor. As noções globais, como “tal jornal é conservador” ou é “católico” não bastam mais, nem de longe, para situar a orientação que ele segue em relação a Moscou. Os setores mais infiltrados são as seções internacionais, os registros de livros e de cinema. As opiniões externadas sobre esses temas induzem muitos leitores a ler ou ver obras que favorecem a linha soviética e a ignorar ou menosprezar as que a desfavorecem..

Outro meio é constituído pelas chamadas brigadas epistolares, “leitores assíduos”, que escrevem dezenas de cartas indignadas quando o jornal assume qualquer posição anti-soviética e cartas de aprovação quando ele recomenda alguma concessão a Moscou ou exalta algum aspecto da URSS. Como nada de semelhante é organizado no sentido oposto, essa maquinação exerce influência nada desprezível sobre a linha dos jornais.

b) As Agências de Notícias

São objeto de um esforço especial. Os seus correspondentes no estrangeiro oferecem, para tanto, uma jogada fácil, porque estão fora de seu ambiente nacional e procuram, naturalmente, contatos com os diplomatas, dos quais um terço pertence aos países comunistas e outro terço aos chamados “países neutros”, entre os quais a propaganda e os sofismas soviéticos passam por verdades. Avalia-se que atualmente a terça parte dos correspondentes de agências jornalísticas do mundo livre estão intoxicados pela propaganda soviética e que muitos deles já podem ser classificados como auxiliares do Kremlin.

c) As Universidades, Ginásios e Escolas Primárias

A proporção dos auxiliares de Moscou aí é também consideravelmente maior do que a proporção de comunistas no país. A importância capital desse setor na formação dos espíritos faz com que seja trabalhado por todos os instrumentos da propaganda soviética, desde as células (organizações de base) abertamente comunistas até os núcleos submersos. As vezes, determinados professores não hesitam em fazer com que seus alunos assinem textos criptocomunistas, como o “Apelo da Paz”, do chamado “Movimento de Estocolmo”, e outros.

d) As Igrejas

Ao contrário do que se poderia supor, também elas foram bastante infiltradas (observe-se que o “Em Cima da Hora” é de 1964). Na França, cerca de 50% dos órgãos da imprensa católica opõe-se ao partido político de inspiração católica e em particular à sua política de União Européia. Nos EUA, o primeiro grande manifesto pelo reconhecimento do governo da China Comunista emanou da Associação das Igrejas Protestantes. Em 1955, um ex-membro do Secretariado do PC Francês, Albert Vassart, revelou que em 1936 Moscou ordenou que entrassem em seminários, para se tornarem padres, membros de confiança, bem selecionados, da Juventude Comunista. Outros se infiltraram em congregações religiosas.

e) Outros Organismos

Nesta rubrica figuram organizações não infiltradas mas inteiramente colonizadas, que não passsam de papel carbono dos partidos comunistas, especialmente partidos e sindicatos livres, nos quais Moscou inseminanumerosos auxiliares ocultos.

Esses velados propagandistas têm por missão encaminhar a política do respectivo partido ou sindicato num sentido favorável a Moscou e neles criar oposições  que aspiram a se apossar da direção ou fazê-la implodir. Sobre esse tipo de infiltração Lênin escreveu em seu livro “Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo” esta frase que pode servir de epígrafe a toda infiltração soviética e, se o mundo livre não se cuidar, do epitáfiosobre sua tumba:

     “É preciso saber usar todos os estratagemas, usar ardis, adotar processos ilegais, calar-se, às vezes dissimular a verdade com a única finalidade de penetrar nos sindicatos, lá ficar e realizar, a todo custo, a tarefa comunista”.

Organizações Criptocomunistas

No caso da infiltração, os auxiliares agem no seio de um grupo que, no conjunto, escapa à obediência comunista. No das organizações criptos, aquelas que são comunistas sem dizer que o são e todo o agrupamento que se coloca, embora ocultamente, no sulco aberto pelos comunistas.

Esta é uma prática exclusiva da propaganda comunista.

Em todos os domínios da vida, sejam políticos, culturais como o cinema, técnicos como a biologia ou neutros como o desporto, as organizações são criadas – ou colonizadas – de modo a que ajam em proveito do Kremlin. Organizações de massa, cuja submissão ao PC é apenas velada, até os grupelhos, passando por organizações consagradas, das quais poucos suspeitam que sejam de obediência comunista.

São exemplos de organizações criptocomunistas: Conselho Mundial da Paz (sede em Praga), Federação Sindical Mundial (sede em Praga), Federação Mundial da Juventude Democrática (sede em Budapeste), União Internacional de Estudantes (sede em Praga), Federação Democrática Internacional de Mulheres (sede em Berlim Oriental), Federação Internacional Sindical do Ensino (sem sede oficial), Associação Internacional de Juristas Democráticos (sede em Bruxelas), Federação Mundial dos Trabalhadores Científicos (sede em Londres), Organização Internacional de Jornalistas (sede em Praga), Congresso Mundial de Médicos (sede em Viena), Organização Mundial de Radiodifusão (sede em Praga), Federação Internacional dos Resistentes, das Vítimas e Pioneiros do Fascismo (sedes em Viena e Paris) e o Comitê Internacional para ao Desenvolvimento do Comércio (sede em Viena) (Observação: a grande maioria dessas Organizações continua atuando ainda hoje).

Sugestivamente, nenhuma delas tem sua sede em Moscou.

Os órgãos dirigentes dessas e de outras organizaçõescriptos constituem-se, em geral, de homens que se confessam comunistas; outro tanto de “aliados temporários” cuja obediência é disfarçada; outro tanto de recrutados numa famosa categoria social, a das“semivirgens políticas”, ingênuos, mais ou menos inocentes, cuja complacência é retribuída pela sua ascensão aos estrados das assembléias; e, afinal, os restantes são organicamente incuráveis.

Graças a essa mistura, os comitês dirigentes aparecem, por fora, como “independentes” embora com alguns comunistas de permeio. Por que não, se todos somos livres e vivemos em uma democracia?

O Trabalho de Fração

Nessas organizações criptocomunistas a propaganda e a manipulação dos aderentes – muitos dos quais não percebem que são postos a serviço dos soviéticos – se efetua graças ao famoso trabalho de frações, cuja terrível técnica foi aperfeiçoada pelos bolcheviques.

Os aderentes seguros – membros do PC e ajudantes de estrita obediência – constituem frações que se reúnem à parte, secretamente, antes das assembléias gerais, para distribuírem, entre si, os papéis que cada qual representará em público. Regulam o tempo que irão falar, combinam se devem falar ou calar, mastigam os textos que deverão ser aprovados ou rejeitados, fazem o policiamento das palavras-de-ordem, tramam os conselhos que devem soprar nos ouvidos dos outros, combinam as convergências que aparecerão com ar de coisa espontânea, acertam algumas maledicências a lançar no momento psicológico contra alguém que possa mostrar-se refratário. e pouco tempo antes de uma decisão capital faz-se admitir novos aderentes na organização, desses facilmente manipuláveis, pois os palermas são sempre intimidáveis e nada entendem das questões tratadas.

Eis como um pequeno núcleo de homens decididos, disciplinados, exaltados pela sensação de servir a uma força temível, desembaraçados de todo escrúpulo e todo o senso moral, pode chegar a dominar assembléias inteiras de indivíduos muito mais numerosos, mas desconexos, mal informados, tímidos, irresolutos e contidos por princípios morais e ideológicos.

De alto a baixo reina a idéia-mestra do bolchevismo:submeter um grande número de pessoas sem coesão a uma minoria compacta. São as tais minorias ativas a que referiu Lênin.

Vantagens das Organizações Criptos

As organizações criptos rendem altos dividendos aos soviéticos. Ao provocar, nos meios mais variados, tomadas de posição que não parecem constituir eco servil das palavras-de-ordem dos soviéticos, elas garantem às suas campanhas uma difusão consideravelmente mais ampla do que se o PC as mantivesse por si só, francamente expostas. O público sempre se impressiona mais pela ação dos grupos intitulados “independentes” do que pelos dos enfeudados ou submetidos. Se se apresentasse somente sob seus verdadeiros propósitos, o Partido Comunistaficaria isolado. Ao passo que, ajudado por centenas de espelhos deformantes que, em todos os cantos do horizonte, refratem as suas palavras-de-ordem, sob centenas de diferentes incidências, ele dá a impressão de que as teses soviéticas emanam de um vasto e autêntico movimento nacional. É preciso estar bem advertido para não se enganar com a miragem.

É assim que Iago conduz aos fins que deseja o crédulo Otelo, fazendo-o crer que é a vontade do próprio Otelo a que o move. No fim, Otelo estrangula a Desdêmona que adora. Assim também o progressista manobrado nas organizações criptos apunhala a liberdade que venera.

Nos países subdesenvolvidos e ex-colonizados as organizações criptos têm especial relevo. Como a propaganda soviética explora nesses países, sobretudo o filão nacionalista e anticolonialista a cara dos comunistas é aí quase totalmente camuflada. O essencial do trabalho de apodrecimento da inteligência e da implantação dos agentes soviéticos é confiado às organizações criptos. O disfarce dessas organizações é facilitado exatamente porque o público é menos advertido e a temperatura político-social mais febril.

Frentes e Campanhas de Circunstância

Fora das filiais permanentes que o Kremlin coloniza sub-repticiamente, ele monta movimentos transitórios: frentes, “dias de solidariedade”, congressos, atos públicos. Exemplo: “Pela libertação do casal Rosenberg”, “Pela supressão das experiências nucleares”, “Contra o rearmamento alemão”, etc. Tudo dissimulado atrás do biombo de uma suposta neutralidade política ou ideológica (Observação: e na atualidade, “contra a guerra no Iraque”, “contra a globalização”, etc)

Frentes Populares

Na rubrica das frentes circunstanciais é preciso fazer especial menção às Frentes Populares, cuja técnica é uma das mais eficazes do imperialismo soviético. Pelo fato de muitos democratas mal-avisados considerarem ainda o Partido Comunista uma força da esquerda, ele se apossa de uma conjuntura que possa conter algum perigo para as aspirações da esquerda e propõe aos partidos e forças de esquerda uma frente para o combate comum.

Os comitês de união são imediatamente constituídos pelos militantes e os ajudantes do comunismo, cujo aparelho, cuja disciplina e imoralismo ultrapassam tudo o que seus aliados possam mobilizar. Os aliados da Frente Popular são sistematicamente intimidados pela capacidade demagógica dos comunistas de cobrirem todos os seus lances: enganados pelas posturas “esquerdistas”, por mil intrigas e, se resistirem, passam a ser caluniados, quando não eliminados fisicamente.

Durante a guerra civil espanhola em praticamente todos os dias houve casos de comunistas apunhalando pelas costas os seus aliados republicanos (Nota do Tradutor: foi o caso do capitão brasileiro Besouchet. Acusado de participar do movimento comunista de 1935 no Brasil, foi expulso do Exército. Exilou-se e em 1936 alistou-se na Brigada Internacional, na guerra civil espanhola. Dissentindo dos comunistas, a certa altura, foi misteriosamente morto pelas costas, na Espanha).

Durante a resistência à ocupação nazista na França, numerosos foram os patriotas franceses que caíram sob golpes dos agentes de Moscou que, sob o disfarce de ações de maquis contra os nazistas, liquidaram seus adversários democratas.

Se a Frente Popular logra triunfar e chega a se apossar da máquina administrativa, os comunistas eliminam os seus aliados da véspera, com métodos maquiavélicos. Eles cortam os adversários fatia por fatia, para comê-los aos poucos. É o que se chama a tática do salame.

O destino dos líderes democratas que têm a cegueira de fazer alianças com os comunistas, percorrem três fases que já são clássicas: dão cobertura aos comunistas; entregam o poder aos comunistas; desaparecem numa vala.

Utilização da Diplomacia e Intercâmbio Cultural e Econômico

A diplomacia soviética não é, no sentido comum da expressão, diplomacia. É um setor, mais um, e dos principais da propaganda soviética. Todas as formas de intercâmbio entre os países comunistas e os outros, sejam diplomáticas, comerciais, culturais, técnicas, desportivas, são concebidas e agenciadas pelo Kremlin, tendo em vista a propaganda. Não a propaganda do comunismo, entenda-se, mas a propaganda do tipo indireto, insinuante, envolvente, das teles filossoviéticas.

Todos os membros das missões no estrangeiro são treinados para serem, antes de mais nada, encantadores e entorpecedores para uso dos círculos dirigentes da política ou das finanças dos países que foram incumbidos de minar.

A idéia, muito difundida no Ocidente, de que os contatos com eles poderiam “ampliar seus horizontes e humanizar os seus pontos de vista” é aberrante. Não são homens deixados livremente às suas inclinações, mas sim dóceis instrumentos do aparelho comunista. São arregimentados, vigiados e contidos  pela família que deixam como reféns em seus países. Os meios que eles têm de minar o Ocidente, porque essa é a missão que receberam, são abertos a todos os artifícios, por ignorância, despreparo ou simples cortesia; e também pela falsa sedução do que vem “de longe”, do exótico; e o esnobismo do que vem “da esquerda”.

Quando os ocidentais colocam um homem numa instituição de intercâmbio é para fazer intercâmbio. Quando são os soviéticos, trata-se de fazer subversão.

Não esqueçamos o papel bem conhecido das representações diplomáticas soviéticas na distribuição de fundos para os aparelhos comunistas e criptocomunistas.

Convites a Personalidades

Os soviéticos tiram também considerável partido, para a sua propaganda, das visitas organizadas, nos países que eles dominam, de delegações e personalidades que convidam. Sob o rótulo de um turismo de informação e boa vontade, esconde-se uma enorme máquina de mistificação e perversão da inteligência e da sensibilidade. Na União Soviética e na China milhares de pessoas são empregadas, integralmente, nessa tarefa. Formam-se em escolas especiais guias-intérprete, na sua maioria moças atraentes a serviço da polícia secreta. As realizações modelares mostradas, as pessoas apresentadas, as respostas dadas, as “aldeias Potenkim”,o tom de acolhimento, tudo é ajustado de antemão e disfarçado com a maior minúcia.

Os artigos e livros que, no Ocidente, contam essas viagens empilham-se em montanhas, além das conferências e conversas. O estilo róseo desses relatos de viagens e dessas “impressões” torna-se padronizado.Uma prova da eficácia publicitária dessas encenações são os testemunhos que vieram a público, no Ocidente, no tempo de Stalin. Alguns dos maiores nomes do Ocidente assinaram relatos eufóricos sobre um regime do qual hoje todos sabem, pela confissão do próprio Kruschev, que foi uma das mais trágicas tiranias da História. O embaixador norte-americano Davies defendeu os “processos de Moscou” e atribuiu autenticidade à acusação de traidor contra o marechal russo Tukachevich. No entanto, no 20º Congresso do PCUS, depois de morto Stalin, Kruschev, em pessoa, reconheceu que tais acusações eram grosseiras falsidades. Eduardo Herriot, estadista francês, viu em Kiev, na Ucrânia, uma população próspera no mesmo ano em que a epidemia de fome já havia feito ali 6 milhões de mortos.

Esse turismo de ilusões continua, até hoje, a fazer milhares de tolos em proveito de Moscou.

Destruição dos Anticomunistas

Tarefa importante na propaganda soviética não é apenas envolver os crédulos. É também inutilizar o esforço daqueles que têm consciência nítida do perigo e o denunciam com ardor. Contra esses se desencadeiam campanhas que não têm limites, nem em intensidade nem em ignomínia.

Os aparelhos comunistas e os criptos gastam copiosa munição nessa tarefa e não recuam ante nenhuma calúnia, nenhuma provocação, nenhuma falsidade, nenhuma chantagem. Às vezes o aparelho comunista chega a ponto de denunciar o anticomunista como um comunista disfarçado. Outras vezes, faz crer à polícia que ele é terrorista ou traficante.

O aparelho de Moscou tratou Leon Blum, o líder socialista francês, de “policial e delator”. Acusou De Gaulle de “ter trabalhado para a espionagem alemã”. Sighman Rhee, de ter “vendido a pátria ao Japão”. Tais acusações foram publicadas na Enciclopédia Soviética ou assinadas por líderes como Maurice Thorez, então Secretário-Geral do PC Francês.

No meio amorfo das democracias, a incansável repetição das calúnias possui uma tremenda eficácia. A luta contra os anticomunistas conscientes se faz dentro de um registro político primário, mas que dá resultado porque é modulado sem cessar e em todos os tons: o anticomunismo é “um movimento da direita, fascista, negativo, obtuso, parcial, sistemático”. Quantos democratas repetem a acusação de que é repreensível ser “um anticomunista sistemático”? Esse é um epíteto que constitui o pior dos estigmas.

Criar um clima de ódio ao anticomunismo conseqüente é uma das principais tarefas da propaganda soviética. O seu êxito, nesse terreno, foi tamanho que se chegou, hoje, no Ocidente, à situação de ver o anticomunismo mais mal visto do que o comunismo.

Quando um campo que persegue até à morte o campo antagônico consegue que neste se considere impróprio responder ao combate com o combate, e lutar sistematicamente, é claro que o primeiro alcançou a maior das vitórias: aquela que consiste na intimidação intelectual do adversário.

Quando a intimidação não consegue demolir a contrapropaganda de certos anticomunistas marcantes, os soviéticos não hesitam em recorrer ao crime para calar a sua voz. Matam-nos, como foi o caso de Trotsky, Krivitski, Nin, Bang, Jensen, etc, ou os seqüestram, como fizeram com o professor Truchnovitch.

A Radiodifusão

Esse canal de propaganda é tão conhecido que não precisamos insistir. Nesse domínio, no qual os EUA fazem um esforço excepcional, os soviéticos e seus satélites os superam na proporção de 4 para 1, quanto ao número de horas de programas.

Os soviéticos não se contentam em expandir suas ondas. Criam, onde podem, postos emissores criptocomunistas.

As Escolas Especiais

Uma das características do bolchevismo é a abundância de Escolas Especiais para formar os seus propagandistas. Cada partido comunista, em cada país, possui escolas para moldar seus agitadores. Os melhores alunos continuam seus “estudos” em Moscou ou Leningrado, nos institutos disfarçados sob a designação benigna de “econômicos e sociais”. Ali os estudantes são inscritos sob pseudônimos, escondendo do seu próprio país a sua verdadeira identidade.

Além das diversas universidades em Moscou, Leningrado, Praga e outras capitais do Leste Europeu, as universidades comuns dos países comunistas possuem seções que, sob a aparência de estudos acadêmicos, são na realidade centros de formação de ajudantes soviéticos para os países subdesenvolvidos, como a Universidade de Amizade dos Povos Patrice Lumumba (onde centenas de brasileiros estudaram e se formaram).
Pode-se avaliar o efetivo total dos disseminadores criptocomunistas que saem de todas essas colméias em vários milhares ao ano. Para o homem modesto ou pobre admitido nessas escolas e universidades, a grande viagem e a descoberta de novos países constituem lembranças inapagáveis. Os alunos formam ali amizades duradouras, participam da embriaguez das iniciações, sentem-se em contato com uma força imponente e investidos de missões de confiança. E, sobretudo, crêem tornar-se portadores de uma verdade.

Sabotagem Econômica

É bem conhecido o uso que, para fins de Guerra Política, os comunistas fazem de todas as posições que eles e seus aliados adquirem nos diversos setores da economia. A expressão “É preciso saber acabar uma greve”, lançada por Maurice Thorez aos trabalhadores franceses quando Moscou foi ameaçada por Hitler, o comprova. Os sindicatos comunistas, segundo as necessidades de Moscou, têm de estimular ou comprometer a economia do país em que vivem, manter a febre reivindicativa e a inflação demagógica das exigências e promessas, enervar a opinião pública, excitar os conflitos sociais, acreditar no comunismo como único defensor dos interesses das classes trabalhadoras.

Os Meios Violentos

A Guerra Política  dos soviéticos não se confina apenas na manipulação dos espíritos e na infiltração nas instituições. Ela se duplica também em manifestações violentas cujo protótipo é a desordem de rua. Uma seção especial do aparelho comunista é treinada nas técnicas correspondentes a esse tipo de luta.

Desde o fim da 2ª Guerra Mundial o aparelho comunista fez derramar muito sangue nas ruas, pelas desordens, nas aldeias pelo terrorismo, no campo pela guerrilha. Em certos casos o terrorismo comunista chega a uma insolência extrema, como na Venezuela, onde estudantes matam professores em plena classe, onde empregados voltam, queimados de sol, depois de 2 meses de desaparecimento, e dizem a seu diretor: “fui passar uns tempos na guerrilha”; onde raptos, assaltos e assassinatos são feitos à luz do dia; onde um presidente de partido, em pleno Parlamento, responde publicamente a um industrial que se queixava do atentado que fez explodir a sua fábrica: “Lamento, mas é uma exigência do processo histórico”.

A guerrilha comunista se mascara, como todas os empreendimentos comunistas. Ela não se apresenta como comunista e sim como “nacionalista” ou ”popular”. Isso permite à imprensa bem pensante do mundo inteiro jurar que Patrice Lumumba, Fidel Castro, Cardenas, Francisco Julião, etc. não são comunistas. Mas, nos documentos achados na pasta de um diplomata cubano, morto num desastre de avião no Peru, foram encontrados relatórios de agentes de Fidel Castro que deixam claramente comprovada a coalizão total, orgânica, financeira e militar entre Julião e seus êmulos e o aparelho comunista de Havana.

As ações violentas não são senão condimentos de empreendimentos que continuam a ter como eixo aopinião pública. Mesmo quando chegam até à tentativa de tomada do Poder, elas constituem apenas um coroamento do dispositivo profundo de propaganda e infiltração. Infelizmente, o sangue dá sempre prestígio a uma causa e entusiasmo a seus partidários. Enquanto cidadãos e estudantes exaltados enfrentam barreiras policiais, os agitadores, levados na onda da multidão, distribuem seus panfletos e difundem seus slogans.

Os Meios Gangsterianos

Dissemos que para uma de suas principais tarefas – a demolição dos anticomunistas – o aparelho comunista não hesita em recorrer aos meios gangsterianos: calúnias, raptos, assassinatos, envenenamentos. Este é apenas um setor de um aspecto mais sinistro da GuerraPolítica.

Cada vez que as circunstâncias conturbadas o permitem, agentes comunistas estendem o campo de sua influência suprimindo, pela violência, adversários marcantes. Liquidam fisicamente todos aqueles que os perturbam na obra de conquista da opinião pública.

Fora dessas erupções de assassinatos sob a capa de perturbações históricas, os comunistas exercem, todos os dias, em todas as partes do mundo, as “pequenas sevícias” para aterrorizar os adversários políticos ou punir partidários infiéis, como já foi visto.

Os bolcheviques quando dizem que utilizam todos os meios querem dizer, realmente, TODOS.

Nervos da Propaganda Comunista

O Dinheiro

A mola essencial da fantástica máquina comunista é odinheiro. Em sua maior parte, ele provém da superexploração das massas trabalhadoras submetidas ao jugo comunista. De modo que essas massas se exaurem, por salários irrisórios, a fim de que os seus amos possam não somente dominá-los melhor como melhor enganar as massas trabalhadoras dos países livres. (Observação: um médico, em Cuba, tem o salário de 20 dólares ao mês). Uma contribuição substancial à corrente de rublos provém dos rendimentos de uma série de negócios industriais e comerciais de importação e exportação com os países da Cortina de Ferro, montadas em nossas democracias por ajudantes da Rússia. Nos países em que os partidos comunistas têm muita força, outros rendimentos importantes resultam de uma “caixinha” sistemática de instituições conquistadas por eles, como prefeituras e conselhos de empresas.

Explica-se muito bem a longevidade dos estados totalitários pela força própria de seu aparelho de domínio. A máquina do Estado, em nossos dias, tornou-se fator sui-generis dos acontecimentos, tão digno de entrar no sanatório das causas históricas quanto as sacrossantas relações de produção, a que se refere Karl Marx.

A propaganda soviética não é mais do que uma engrenagem na máquina do Estado soviético.

A Força da Organização

Característica importante da propaganda soviética é o fato de se encarnar em organizações: partidos, associações, comitês, congressos, sindicatos, círculos, clubes. O bolchevismo fez uma descoberta fundamental: a força da organização. É por aí que ele manifesta a sua profunda compreensão desse fenômeno maior que nós evocamos no início deste estudo: a entrada das sociedades modernas na era da politização. A propaganda lança apenas os germes. A organização garante o contágio. É nela e por meio dela que os adeptos se transformam em soldados. É no seu seio que os espíritos são enquadrados, os corações sincronizados, as vontades submetidas.

Patetice do Mundo Livre

Por estranho que pareça, um terceiro nervo – e não dos menores – da propaganda soviética, é a disposição da imprensa do mundo livre para lhe dar, gratuitamente, eco. A força da propaganda do Kremlin supera substancialmente o formidável volume que acabamos de resumir pelo fato de ser retomada e orquestrada benevolentemente por todos os órgãos democráticos. Os jornais do Ocidente, por sensacionalismo, procura de notícias apetitosas, necessidade de vender, ingenuidade em relação aos artifícios soviéticos, dão repercussão a numerosos desses artifícios, voluntariamente, sem que tenham sequer necessidade de ser induzidos a isso pelos ajudantes do comunismo que se infiltram em tais meios. Assim, os soviéticos dispõem, para suas patranhas de muito mais instrumentos do que os seus próprios.

O pior é que os soviéticos pagam boa parte de sua propaganda com o dinheiro de suas futuras vítimas. Assim, apesar dos insultos que recebia diariamente do governo cubano, o governo norte-americano continuava a comprar o açúcar cubano 30% mais caro do que o preço no mercado mundial. Ora, esses dólares não servem para fornecer calçado e pão à população cubana e sim para financiar a propaganda do regime. Fidel Castro inundou o mundo com publicações luxuosas, em 50 idiomas, simpáticas aos soviéticos e incendiárias contra os EUA, pagas com os dólares que o Tio Sam continuava, impertubavelmente, a derramar na sua gamela.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Ultra 8 disse...

QUEM CRIOU,E FINANCIOU O COMUNISMO,FORAM E AINDA CONTINUAM,OS JUDEUS...

É SÓ PESQUISAR OS NOMES DE KARL MARX,TRÓTISKI,STÁLIN,ROTHSCHILD E CIA...

SÃO APENAS,DONOS DO MUNDO,E DAS MENTES DOS "GENTIOS"...