terça-feira, 26 de setembro de 2017

Não seremos uma Venezuela de Maduro


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Ernesto Caruso

Em debate acalorado e até de xingamentos as palavras do Gen Antonio Mourão estremeceram a República, em especial os saudosistas do Muro de Berlim, partícipes ou aficionados da estúpida e inglória luta armada para fazer da Cordilheira dos Andes uma Sierra Maestra cubana.

Amarga ilusão e experiência assassina para transformar a América Latina no que hoje se constata na ditadura comunista de Kin Jong-um. Derrotados e não resolvidos.

Um senador, ex-petista, chamou o general de maluco por alertar a Nação sobre os perigos que solapam as instituições e a conduzem por caminhos inseguros. No mesmo diapasão a jornalista de economia, com trânsito pela luta armada, taxou o general de amalucado. A esses se somam ditos “formadores de opinião”; esbravejam, se inflamam e servem de chacota nas redes sociais.

Dentre os vários posicionamentos de políticos quer em plenário, quer em entrevistas, se dá ênfase com bastante rigor às palavras do general Mourão, sem se ater à pergunta que lhe foi formulada por um dos presentes na reunião em Loja Maçônica de Brasília, após a palestra que realizara.

O preâmbulo do presidente da Assembléia é assim, “Mas, hoje, nós estamos completa e infelizmente incrédulos das instituições que administram o nosso país. Vivemos em especial uma crise institucional, de segurança, ética e moral. Se fosse só uma crise financeira... mas, não podemos mais sozinhos lutar contra um sistema completamente falido que tem interesses distorcidos dos que são do interesse da nação brasileira, do que é importante para o povo brasileiro...”.

Nada diferente do desencanto entranhado na sociedade acuada. E que exige solução dos poderes constituídos. Bem constituídos? Probos? Virtuosos?

Na palestra, o Gen Mourão discorre sobre a conjuntura global, o Estado Moderno, o caos presente, domínio do tráfico de drogas, dependência da economia, fragilidade dos regimes políticos, conflitos regionais latentes, diplomacia paralela, tipo foro de S. Paulo (partidos de esquerda mais FARC e MIR), desconstrução da família, exposição pornográfica com cenas de zoofilia, carência de coesão cívica, etc.

Cita a situação do Rio de Janeiro, dos excluídos. Onde o Estado não chega, não retira o lixo, não mantém a escola, não mantém funcionando a unidade de pronto atendimento, nem proporciona saneamento básico; o traficante substitui o Estado.

Compara a fronteira dos EUA, particularmente preocupados somente com o México, com a do Brasil. Um desses papas da comunicação recomendou ao general que cuidasse da fronteira e deixasse de falar bobagem. Quem sabe, seja convidado para fazer a próxima palestra. Tomar posição é um direito.

Conclui afirmando: - “Podem ter certeza de uma coisa, nós vamos vencer, somos maiores do que isso tudo, vamos ultrapassar isso porque o conjunto do povo brasileiro é melhor do que esse bando todo; tenho confiança.”

Ao responder a pergunta sobre a possibilidade de intervenção militar, de início abordou a diretriz do Comandante do Exército, legalidade, legitimidade e estabilidade do país, como o tripé orientador da Força. Mas, que diante de comoção grave, instabilidade institucional, poderia ocorrer. Planos existem, como não poderia deixar de ser. Todo país que se preza tem planejadas as hipóteses de guerra. As operações são desencadeadas após estudos de situação, planos e ordens de operação.

O Art. 142 da Carta Magna/1988, que foi abordado na pergunta, é claro, “As Forças Armadas... destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”.

Defesa da Pátria, como fundamento histórico de respeito à concepção da Nação brasileira como unidade indissolúvel a ser preservada, protegida; garantia dos poderes constituídos, independentes (Art. 2º CF), como alimento da democracia e não alinhamento corrompido entre si contra a Nação que os sustenta. Por iniciativa de qualquer destes poderes para a supremacia da lei e da ordem.

Como se pode observar, o § 1º do Art. 15 da Lei Complementar nº 97/1999 confronta com o Art. 142 acima citado ao podar a iniciativa de qualquer dos Poderes para garantia da lei e da ordem, “Compete ao Presidente da República a decisão do emprego das Forças Armadas, por iniciativa própria ou em atendimento a pedido manifestado por quaisquer do poderes constitucionais...”. Obscuridade que precisa de luz.

Na enquete de blogueiro d’ O Globo, consta: deveria ser punido, com 20%; nada deveria acontecer, 14%; apoio o que ele disse, 56%; sou contra, 10%.

O Brasil repele ser a Venezuela amanhã. Mas... a serpente só está com o rabo ferido.




Ernesto Caruso é Coronel de Artilharia e Estado-Maior, reformado.

2 comentários:

Jayme Guedes Filho disse...

É tudo uma questão de escolha. Eu prefiro um governo competente e honesto, não importa se vestem o verde-oliva. Já outros preferem um governo incompetente e desonesto desde que a cada eleição possam eleger e o ladrão que os irá roubar. Como afirmei, é só uma questão de preferência.

jayme guedes disse...

É tudo uma questão de escolha. Eu prefiro um governo competente e honesto, não importa se vestem o verde-oliva. Já outros preferem um governo incompetente e desonesto desde que a cada eleição possam eleger e o ladrão que os irá roubar. Como afirmei, é só uma questão de preferência.