terça-feira, 12 de setembro de 2017

O Capitalismo deu vida ao Proletariado


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi publicado no livro “Os Erros Fatais do Capitalismo”, de FRIEDERICH HAYEK, cuja influência foi grande sobre os intelectuais por trás da Cortina de Ferro. Seus livros, traduzidos e publicados por iniciativas independentes, embasaram a oposição ao regime e contribuíram para o colapso da União Soviética.

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Se perguntarmos o que os homens devem, antes de tudo, às práticas morais dos chamados capitalistas, a resposta é: suas próprias vidas. A literatura socialista que atribui a existência do proletariado à exploração de grupos que já eram capazes de se manter é inteiramente ficcional. A maioria dos indivíduos que hoje  constituem o proletariado não teria condições de existir se outros não lhe proporcionassem meios de subsistência.

Embora essas pessoas possam se sentir exploradas, e os políticos possam explorar esses sentimentos e jogar com eles para ganhar Poder, a maior parte do proletariado ocidental e dos milhões que vivem no mundo em desenvolvimento devem sua existência às oportunidades que os países avançados criaram para ela. Nada disso se limita aos países ocidentais e ao mundo em desenvolvimento.

Os países comunistas, como a Rússia, estariam morrendo de fome hoje se suas populações não fossem mantidas vivas pelo mundo ocidental – embora os líderes desses países jamais venham a admitir publicamente que nós só podemos sustentar a sua população mundial, inclusive a dos países comunistas, preservando e melhorando com sucesso a base da propriedade privada que torna possível nossa ordem ampliada.
    
O capitalismo também introduziu uma nova maneira de obter renda com a produção que liberta as pessoas ao torná-las, bem com freqüência do mesmo modo sua progênie, independente dos grupos familiares ou das tribos. Isso ocorre ainda que, às vezes, o capitalismo seja impedido por grupos organizados de trabalhadores, “os sindicatos’, de proporcionar tudo o que poderia àqueles que deles desejam se beneficiar, pois tais organizações criam uma escassez artificial de sua categoria de mão de obra, embargando, àqueles que desejem fazê-lo, a possibilidade de trabalhar por salários inferiores. 
    
A vantagem geral de substituir propósitos concretos específicos por regras abstratas manifesta-se claramente em casos como esses. Ninguém anteviu o que iria acontecer. Não foi o desejo consciente de fazer com que a espécie humana crescesse o mais rápído possível, nem a preocupação com certas existências conhecidas que levou a esse resultado. Nem sempre foram os descendentes diretos daqueles que deram início às novas práticas (poupança propriedade privada e coisas semelhantes) que ganharam melhores oportunidades de sobrevivência com elas.

Pois essas práticas não preservam vidas específicas, mas antes aumentam as possibilidades (ou perspectivas ou probabilidades) e uma propagação mais rápida do grupo. Tais resultados não foram mais desejados que previstos. Aliás, algumas dessas práticas podem ter implicado menor apreço por algumas vidas específicas, disposição ao sacrifício pelo infanticídio, a abandonar os velhos e doentes, ou a matar os perigosos, com a finalidade de melhorar as perspectivas de sustento e multiplicação do restante.
    
Não podemos afirmar que aumentar o número de seres humanos é bom em algum sentido absoluto. Sugerimos apenas que esse efeito, o crescimento de determinadas populações pela obediência a determinadas regras, levou à seleção das práticas cujo predomínio se tornou causa da multlplicação ulterior. (Tampouco sugere-se que a moral desenvolvida que limita e suprime certos sentimentos inatos, deveria suplantar totalmente esses sentimentos. Nossos sentidos inatos ainda são importantes nas relações cm nossos semelhantes mai próximos e também em outras situações).

Contudo, se a economia de mercado de fato predominou sobre outros tipos de ordem por permitir aos grupos  que adotaram suas regas básicas se multiplicar melhor, então o cálculo em valores de mercado é um cálculo em termos de vidas: os indivíduos guiados por esses cálculos fizeram o que contribuía mais para que aumentasse a sua população. Embora dificilmente tenham a intenção de fazê-lo. 

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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