quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Como entender o Islamismo


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

Segundo a enciclopédia "Oxford Companion to Politics of the World" (Oxford University Press, Nova York, 1993), o termo terrorismo começou a ser usado pouco depois da Revolução Francesa, para descrever os atos de execução em massa de oponentes do regime. O mesmo termo foi resgatado posteriormente para descrever processo semelhante que se deu logo após a Revolução Bolchevique na Rússia, após 1917.

Nesses dois casos, o conceito era usado para descrever o uso do terror por governos, uma conotação que tem sido substituída pelo uso mais comum, hoje, para descrever ações de grupos ou pessoas que se opõem a governos.
O dicionário da universidade inglesa aponta quatro principais formas de ação terrorista: assassinatos, explosões e seqüestro de indivíduos ou mais recentemente de aviões.

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Os manuais militares apontam por sua vez dois tipos de ação: contra personagem definido (uma figura que representa diretamente a causa ou governo que se quer atacar) ou contra alvos diversos sem ligação direta com o objetivo (mas com os quais se pretende obter um efeito indireto sobre a autoridade ou governo que se quer atacar).

O primeiro ato terrorista desse tipo "anti-Estado" na história contemporânea foi o assassinato do imperador russo Alexandre 2o. , em 1881. O efeito obtido pelo ato foi um agravamento da situação política interna na Rússia, com uma onda repressiva sem precedentes, por sua vez seguida por outros atos violentos e tentativas de matar herdeiros de Alexande. O Grande.

O terrorismo russo inspirou atos semelhantes em outros países eslavos da Europa do Leste, especialmente Macedônia, Sérvia e Croácia. Em 1914, uma organização nacionalista sérvia chamada Mão Negra assassinou em Sarajevo o herdeiro do trono austríaco, Francisco Ferdinando, causando a Primeira Guerra Mundial e, depois dela, a independência da Bósnia-Herzegovina, que era o objetivo da Mão Negra.

Nos anos 1970, ganharam força as ações terroristas de grupos fora dos países cujos governos queriam atacar, gerando a expressão "terrorismo internacional". Mais recentemente tem sido usado o termo "terrorismo de Estado", como faz agora o governo norte-americano, para definir o apoio ou incentivo dado por certos governos a grupos terroristas.

Esse terrorismo do tipo anti-Estado tem fases distintas. A primeira, antiga, foi marcada por assassinatos com finalidades políticas ou político-religiosas: as mortes de tiranos na Grécia e em Roma (o assassinato de Júlio César é um exemplo), os em Israel, os Hashashim do Islã medieval (de onde surgiu no português a palavra assassino). "É importante notar", comenta o verbete do dicionário de política de Oxford, que passados séculos, "muitos desses episódios são vistos hoje como moralmente legítimos".

A segunda fase desse tipo de terrorismo é o uso de violência por grupos políticos a partir do século 19, em que predominam os anarquistas e os nacionalistas. É o caso dos assassinatos do czar Alexandre 2o. e do arquiduque Francisco Ferdinando. Mas diversos casos ocorreram naquela época.

A terceira fase do terrorismo data do final da Segunda Guerra Mundial. Em diversos conflitos nacionalistas, em Israel, no Quênia, em Chipre, no Iêmen do sul, Argélia, funcionários dos governos e cidadãos das metrópoles européias foram atacados como parte de campanhas para independência, que tiveram sucesso. Também movimentos que não tiveram sucesso usaram de violência: os palestinos e os bascos espanhóis, por exemplo.

O livro de Oxford cita também os movimentos que reivindicavam mudanças políticas ou sociais em seus países, como as guerrilhas latino-americanas, as Brigadas Vermelhas italianas, a Fração do Exército Vermelho, na Alemanha, entre outros, geralmente associados a correntes de esquerda. Mas, como nota o livro, nos anos 1970 e 1980 houve também movimentos de direita que se lançaram na violência.

Esta forma de terrorismo, nota o verbete de Oxford, redigido e assinado por Fred Halliday, causou sempre grande preocupação nos países vítimas potenciais de ações terroristas. O Congresso dos Estados Unidos, país que em 2001 foi vítima do maior atentado terrorista da história, já nos anos 1970 aprovou uma série de medidas antiterrorismo, enquanto o governo que agora iniciou uma cruzada internacional, já na época fez da luta antiterror um ponto importante de sua política externa.

O texto (publicado em 1993) afirma que a principal preocupação em todo o mundo tem sido sempre com o terrorismo internacional que, segundo ele, paradoxalmente causa poucas vítimas, já que, diz "a maior parte dos seqüestros de aviões termina sem derramamento de sangue". O verbete certamente terá que ser alterado depois dos ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, que fizeram um número entre 6 mil e 10 mil vítimas.

Seu pensamento introduz então o fato de que na história recente (pelo menos até o fatídico 11 de setembro), embora menos famosos, os atos terroristas de repercussão local foram responsáveis por um número muito maior de vítimas do que o terrorismo internacional, em casos de conflitos como entre cristãos e muçulmanos no Líbanoentre tamis e cingaleses, no Ceilão, entre hindus e sikhs no Punjab (Índia); entre turcos e gregos em Chipre; entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte; nos conflitos multilaterais que marcam a ex-Iugoslávia; nos atos terroristas de chechenos naRússia, etc.

Em discussões sobre terrorismo, são sempre questões polêmicas: os limites do que pode ou não ser definido como tal (as atrocidades cometidas por regimes como nazista e soviético são terrorismo?); a legitimidade ou a falta de legitimidade das causas daqueles que lançam ações terroristas (o terrorismo sionista no início do século 20 tira legitimidade da causa sionista?); e a questão da eficácia do terror para obtenção dos fins desejados.

A enciclopédia de Oxford afirma que "o estudo sobre a eficiência do terrorismo tende a revelar que, além da publicidade, ele tende a dar poucos resultados, a não ser quando os objetivos são muito específicos (a soltura de um prisioneiro, apropriação de certa soma de dinheiro). De fato, o principal resultado dos atos terroristas tem sido não o de dobrar os governos na direção que os terroristas desejam mas ao contrário, o de endurecer os governos na direção oposta - como ocorreu na Rússia em 1881 e na Argentina em 1975, para mencionar apenas dois casos".

A idéia contida nesse parágrafo é predominante no pensamento político. Infelizmente, no entanto, os dois casos parecem ter outros exemplos a contrapor: a vitória do movimento comunista na Rússia 36 anos depois, em alguma medida, pode ser considerada conseqüência da fragilidade das instituições czaristas a partir da morte de Alexandre 2o. e do próprio endurecimento do regime, que pôs todos os não monarquistas absolutos na oposição e na clandestinidade.

O efeito da morte do arquiduque Francisco Ferdinando, no curto prazo, foi a invasão da Sérvia e o exílio do governo durante a Primeira Guerra Mundial, mas em médio prazo, a radicalização do quadro acabou gerando a independência da Bósnia e sua união à Sérvia na Iugoslávia; a ligação entre a criação do Estado de Israel em 1948 e as ações de grupos sionistas terroristas nos anos anteriores não pode ser inteiramente descartada, como PARA ENTENDER O ISLAMISMO.  

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

Um comentário:

Elesi F disse...

Discordo quando diz sobre as ações terroristas em alguns casos... Essa elite mundial usa a Dialetica de Hegel.

Tese x Antítese = Síntese.

Quando você mencionou 2001, dizendo ataque ''terrorista'', esse vídeo abaixa mostra bem a ação dessa gente de como eles usam a dialética de hegel e manobram o mundo a concordar com suas ações.

https://www.facebook.com/disclosetv/videos/10154902917700628/