sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Infância Roubada


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Há muitos anos, tive por paciente uma mulher de meia-idade com seqüelas emocionais que lhe arruinavam por completo a vida. Basta saber que, na infância, sua mãe franqueava-a para que um vizinho abusasse sexualmente dela. Sim, é isto mesmo! Os abusos que, na infância, lhe deixaram marcas inapagáveis foram chancelados pela mãe. Antigamente, relatar esse fato provocaria uma repulsa unânime; hoje, já não sei.

O Brasil, que já tem destaque no mapa do energúmeno "turismo sexual" - pela reputação (duvidosa) de "mulheres fáceis" e, mais grave, pela prostituição infantil -, ganhou notoriedade nos últimos dias com a propagação de imagens feitas num "espaço" do MAM (Museu de Arte Moderna de S. Paulo), em que uma menina manipula o corpo de um "artista": um homem adulto completamente nu. Orientada e incentivada por uma mulher que deve ser sua mãe, a menina de uns seis anos manipula a mão direita e depois, demoradamente, a perna do "artista" que está deitado e imóvel. E ele, identificado como Wagner Schwartz, não apenas o permitiu, mas também dançou "Ciranda, Cirandinha" com outras quatro crianças, ele sempre nu, balançando as genitálias (o Ministério Público instaurou inquérito para investigá-lo).

Antigamente, relatar esse fato provocaria uma repulsa unânime; hoje, não. Nas redes sociais e até na imprensa, ridiculariza-se quem faz qualquer objeção ao fato.

E serão mesmo genuínas a motivação e a conduta daquela mãe? Seja como for, sua conduta coincide com uma onda ideológica que vai do "politicamente correto" à nefasta "ideologia de gênero" em cujo ideário está a supressão da crítica, o afrouxamento das regras no tocante a "comportamento sexual", o desfazimento das diferenças intergeracionais (criança, jovem, adulto), a genitalização dos afetos, a supervalorização das experiências sensuais, a eliminação do "senso de ridículo", a naturalização impositiva daquilo que a tradição fixou como reprovável, o desprezo desdenhoso contra quem pretende preservar valores e, como objetivo final e sua síntese, um relativismo moral que se traduz em um "vale tudo".

Não há, obviamente, equivalência entre a hediondez do primeiro parágrafo e o que fez a mãe no museu. Mas, será possível ignorar o significado cultural da nudez? É aí que surge uma conexão entre um e outro caso: embora em graus distintos, em ambos houve uma "invasão" arbitrária no desenvolvimento da sexualidade infantil.

Oxalá, nenhum dano haja. Mas, será possível, para a mãe do MAM, antever o efeito daquela interferência na personalidade da filha? Num cenário em que há mais dúvidas do que certezas, por que não agir com mais cautela? Dado que ninguém conhece a forma perfeita, por que não trilhar um caminho mais seguro e sem exageros inovadores?


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

2 comentários:

jomabastos disse...

São resultados de estúpidas e nocivas ideologias comunistas do Foro de São Paulo, que se impregnaram na Educação e Cultura do Brasil. Há que renovar a Constituição, para que esta não permita desaforos em nefastas exposições.

MEL CONTRERA disse...

É a descontração de valores em nossa sociedade. É o louco com a chave do hospício e determinando o que é correto. Não vamos nos calar, diante da nefasta ideologia de gênero e tantas outras destruindo como fogo sorrateiramente...