quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O Verdadeiro significado da Glasnost


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja

O texto abaixo foi transcrito do livro “DESINFORMAÇÃO”, escrito por ION MIHAI PACEPA – ex-Chefe do Serviço de Espionagem do regime comunista da Romênia e principal conselheiro do ditador Nicolae Ceauscescu. PACEPA desertou para os EUA em 1978 – e RONALD J. RYCHLAK, advogado e professor de Direito da Universidade do Mississipi -.

Putin consolidou a Rússia como uma ditadura do Serviço de Inteligência, não uma democracia.

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Em janeiro de 1972, o tirano Nicolae Ceauscescu retornou do Kremlin mais animado do que eu jamais o vira. - Você vai para Moscou – ele me disse no aeroporto, estendendo quatro dedos débeis em minha direção -. Estamos arranjando uma grande glasnost. Logo percebi que Ceauscescu tinha passado toda a sua viagem a Moscou conversando sobre estratégias de relações públicas com o líder soviético Leonid Brejnev e seu chefe da KGB, Yuri Andropov.

Os dois soviéticos acreditavam que o Ocidente tinha alcançado o ponto histórico em que estava ansioso para encorajar o mais mínimo sinal de degelo em um líder comunista. Para testar essa conclusão, eles queriam construir a imagem de Ceauscescu e fazê-lo um grande sucesso de bilheteria no Ocidente, como um ensaio preparatório ao lançamento do mesmo truque com o homem do Kremlin.

Você provavelmente acha que Mikhail Gorbachev inventou o conceito de glasnost para descrever seu esforço de levar a União Soviética “para longe do Estado totalitário e em direção à democracia, à liberdade, à abertura”, como ele escreveu. Se for o caso, você não está sozinho. Toda a mídia e a maioria dos “especialistas”, mesmo nos órgãos de Defesa ocidentais, também acreditam nisso – bem como o Comitê que deu um Prêmio Nobel da Paz a Gorbachev.

Mesmo a respeitável Enciclopédia Britânica define glasnostcomo “política soviética de discussão livre de questões políticas e sociais. Foi instituída por Mikhail Gorbachev no fim dos anos 80 e deu início à democratização da União Soviética”. O dicionárioMerrian Webster concorda. E o American Heritage Dictionary define glasnost como “uma política oficial do antigo governo soviético a enfatizar compreensão para com o debate de problemas e deficiências sociais”.

Mas a verdade é que glasnost é um velho termo russo para o ato de polir a imagem do governante. Originalmente significa, de maneira literal, fazer publicidade, isto é, autopromoção. Desde Ivan O Terrível, no século XVI, o primeiro governante a se tornar Czar de todas as Rússias, todos os líderes desse país valeram-se de glasnost para se promoverem, dentro e fora do país.

Em meados dos anos 1930 – meio século antes da glasnost de Gorbachev, a enciclopédia oficial soviética definia glasnost como uma deturpação das notícias lançadas ao público: “Dostupnost abshchestvennonry obsuzhdeniyu, kontrolyu; publichnost”, o que significa “a característica de ter se tornado acessível à discussão pública ou manipulação.

Assim, desde os tempos que eu ainda era membro da comunidade da KGB, glasnost era vista como uma ferramenta de magia negra da desinfrmatzyia, e era usada para santificar o líder do país. Para os comunistas, só o líder importava. Utilizavam a glasnost para santificar o seu líder e para induzir hordas de esquerdistas ocidentais a acreditar nessa fraude.

Glasnost é um dos segredos mais secretos do Kremlin e certamente uma das principais razões para manter os arquivos da Inteligência Estrangeira da KGB ainda hermeticamente fechados. A Guerra Fria acabou, mas as operações de glasnost do Kremlin parecem ainda estar em voga. Em agosto de 1999, apenas dias após Putin ter sido escolhido Primeiro Ministro da Rússia, o maquinário de dezinformatsiya da KGB, capitalizando o fato de que ele passara muitos anos na Alemanha, começou a retratá-lo como um líder europeizado – as reportagens bajulatórias deixavam de mencionar, entretanto, que ele tinha sido designado para a Alemanha Oriental, comunista – onde Putin, de fato, passara seus anos europeus.

Soubemos que a Casa da Amizade Germano-Soviética local – chefiada por Putin durante seis anos – fora, na verdade, uma organização de fachada da KGB e que os agentes de Inteligência disfarçados que a administravam, tinham simplesmente trabalhado fora dos escritórios operacionais que a administravam tinham simplesmente trabalhado fora dos escritórios operacionais das sedes da STASI de Leipzig e Desdren. Até sentamos na cadeira de Putin, agora peça de museu.

Aqueles prédios da STASI, similares a prisões tinham sido apartados até da vida normal e sem graça da Alemanha Oriental por guardas da STASI brandindo armas de fogo e flanqueados por cães de Polícia. Contudo, até hoje, o Kremlin sugere, de maneira reverente, que a experiência de Putin na Alemanha foi similar a de Pedro, o Grande, permitindo-lhe absorver o melhor da cultura européia.

Ao fim da reunião de cúpula sediada em 2001, na Eslovênia, o presidente George Bush disse: “Olhei este homem – Putin – nos olhos. Achei-o muito sincero e confiável”. Infelizmente, até o presidente Bush foi enganado pela glasnost. Putin consolidou a Rússia como uma ditadura do Serviço de Inteligência, não uma democracia.

Em 2003, mais de 6 mil agentes da KGB, que haviam enquadrado milhões de pessoas como espiões sionistas, e atirado nelas, estavam administrando os governos locais e federal da Rússia. Quase metade dos mais altos cargos do governo era ocupada por ex-agentes da KGB. Seria como democratizar a Alemanha Nazista tendo a Gestapo como guia.

Em 12 de fevereiro de 2014, Putin declarou que a morte da União Soviética fora “uma tragédia nacional de enorme escala”. No entanto, a maior parte do mundo ainda o vê como um Pedro O Grande moderno. É esse o poder secreto da glasnost.  

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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