terça-feira, 14 de novembro de 2017

Anotações sobre a teoria marxista do partido

                         
Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Carlos I. S. Azambuja                    

A classe operária mais consciente terá sempre em seu seio uma grande massa inconsciente, pois nunca toda a classe operária adquiriráconsciência de classe. Haverá sempre uma pequena vanguarda que compreenderá o lugar que ocupa na sociedade, e uma grande massa indiferente que somente se interessará por melhores salários e melhores condições de vida. Essa vanguarda consciente, organizada, é o partido: uma minoria dessa classe minoritária que é o proletariado. 

O partido surge e é organizado em certo momento de ascenso da classe operária, quando o desenvolvimento do capitalismo coloca a necessidade da consciência de classe, isto é, o conhecimento das leis de desenvolvimento da sociedade. 

Em outras palavras: para que surja a consciência de classe, o desenvolvimento do capitalismo tem que colocar na ordem do dia as tarefas do proletariado, ou seja, o próprio capitalismo deve gestar os antecedentes materiais da sociedade comunista. Só então se colocará, no campo social, a urgência de estruturar-se a consciência de classe. A classe operária só se torna revolucionária quando adquire a consciência de classe.

Portanto, o surgimento do partido dá-se quando há um determinado grau de desenvolvimento das forças produtivas, isto é, do próprio proletariado.
Como a classe operária é heterogênea, podem surgir em seu interior vários partidos ditos da classe operária, mas somente um poderá expressar sua consciência, isto é, definir qual é a sua estratégia, tática e tarefas históricas.

E de onde vem a consciência de classe? "Sem teoria revolucionária", disse Lênin, "não há prática revolucionária", e não o inverso como pretendem os foquistas e os ultra-esquerdistas. A missão histórica e estratégica da classe operária é a de assumir o poder como um dos atos fundamentais para a destruição do regime de propriedade privada. E a missão tática é a definição dos caminhos a seguir para alcançar essa missão história e estratégica.

Há casos em que a tática e a estratégia se confundem, portanto é necessário que se estabeleça qual o elemento determinante, fundamental, entre a estratégia e a tática.

Se o partido buscasse transformar de uma maneira gradual, pacífica, a sociedade, de capitalista em socialista, através do parlamento e não pela via insurrecional, se o seu objetivo fosse ganhar eleições e obter maioria parlamentar, de que lhe serviriam as células, as organizações de base, o centralismo democrático, a direção coletiva, a doutrina científica, a crítica e a autocrítica? Seria preferível e mais sensato que organizasse grandes centros eleitorais a fim de mobilizar massivamente as pessoas, sem rigores teóricos e disciplina.

Ao contrário, um partido revolucionário começa e termina nas organizações de base, e os elementos que estão fora das organizações partidárias não são militantes. Segundo o conceito clássico de Lênin, que assinalou ser militante todo aquele que está de acordo com o programa do partido, que se estrutura numa organização de base, que cotiza para o partido e que contribui para elaborar sua linha política.

Carlos I. S. Azambuja é Historiador.

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