terça-feira, 21 de novembro de 2017

Foro de São Paulo: Democracia pra inglês ver


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Luiz Eduardo da Rocha Paiva

Pra inglês ver é a expressão da língua portuguesa usada para indicar algo fictício.
O Minidicionário Houaiss de Língua Portuguesa define democracia como o governo em que o povo exerce a soberania.
Com o aumento populacional e da complexidade das nações, nas democracias modernas, o povo exerce parte da soberania elegendo, livremente, seus representantes para governar e legislar em seu nome. No entanto, o exercício da soberania nas verdadeiras democracias não se limita a eleições livres, como tentam iludir aos brasileiros. Pressupõe, também, a existência de liberdade e justiça, bases do progresso, segurança e bem-estar das nações.
Liberdade para o cidadão expressar o pensamento, escolher o próprio modo de vida e progredir pelo mérito pessoal, tudo sem restrições estatais e sociais ilegítimas ou excessivas. Liberdade que termina onde começa a do próximo. Justiça assentada no respeito aos direitos naturais do ser humano, que legitimam o direito positivo inscrito em leis elaboradas por legisladores. Justiça que submete a todos sem exceção e de forma igual.
O Brasil não é uma democracia, de fato, pois a representação política é autocentrada; o Estado é deveras centralizador e cerceia sobremaneira as iniciativas individuais; e a justiça é leniente ou omissa com os abusos e crimes dos poderosos. Por imaturidade política, deplorável passividade e baixo nível educacional, cultural e cívico, o povo admite a representação política descumprir o dever de governar para a coletividade e usar a corrupção para satisfazer interesses grupais, manter o poder, auferir privilégios ilegítimos e para o enriquecimento pessoal.

O Brasil é uma plutocracia cleptocrática, pois o poder está com uma aliança mafiosa entre políticos e empresários pseudocapitalistas. Essa máfia rouba bens públicos impunemente e se consolidou graças à omissão da sociedade, de autoridades e de instituições que tinham o dever de agir, oportunamente, para impedir sua ascensão.
A aliança afundou o país na pior crise política, econômica e moral de sua história. A mudança de governo, em 2016, criou condições para recuperar a economia e superar a crise política em médio prazo. Porém, quanto à crise moral, a solução jamais viria com o governo substituto, que é apenas a outra face da mesma moeda ignóbil, mas era uma etapa imposta na legislação.
Será preciso recuperar, pela educação, valores cívicos, morais e éticos próprios das sociedades democráticas vigorosas. Eles foram enfraquecidos, a partir dos anos 1960 com a ascensão da esquerda socialista, que atraiu formadores de opinião e aparelhou setores estratégicos da nação, conseguindo um significativo controle do meio cultural, de algumas importantes instituições e de grande parcela da nação.
Uma grande vulnerabilidade para a recuperação do país é uma sociedade moralmente enferma, descrente na justiça, politicamente passiva e sem esperança no futuro. O primeiro passo da cura é extinguir o inadmissível foro especial, fator de impunidade e continuidade dessa máfia e, portanto, o centro de gravidade a ser visado no mais curto prazo. A seguir, é preciso debilitar a liderança fisiológica e a socialista radical, não votando em candidatos envolvidos em corrupção ou com discurso revolucionário que promova a cisão nacional.

A Lava Jato abalou a bastilha brasileira da corrupção ao enquadrar a máfia político-empresarial por meio de uma operação legal, a cargo da justiça, respaldada no direito e legitimada pelo apoio da sociedade. Criou condições para uma autêntica Revolução Brasileira (RB), por contribuir para uma profunda e pacífica transformação político-social, capaz de elevar o país a uma verdadeira democracia. O risco a essa revolução vem das manobras da máfia político-empresarial no Executivo, no Legislativo e com elevados apoios no Judiciário, para escapar da justiça e manter sua nefasta preeminência política. 
Demolir a velha ordem política é mais fácil e rápido do que construir uma nova com sólida base moral. A RB será longa e desafiadora.
A vitória na guerra moral contra a máfia político-empresarial não virá de instituições que, embora sólidas, não funcionam, pois deixaram o Brasil chegar à beira do abismo. A maioria é omissa, conivente ou depõe as armas sem combater.
Como a solução terá de vir do meio político, será decisiva uma vigorosa e permanente pressão da sociedade para depurá-lo e renová-lo, voltando às ruas e atuando nas redes sociais ou diretamente sobre autoridades e instituições, cujos e-mails estão na internet. Lideranças e instituições ainda confiáveis têm o dever patriótico de se posicionar e agir sem mais esperar.
Umas podem fazê-lo de forma pública e outras reservadamente, para conscientizar os Poderes da União sobre a gravidade da crise e as consequências fatais à paz social e à unidade nacional, se continuarem legislando sem compromisso com o futuro da Pátria e arriscando sua sobrevivência. Só se sentindo cobradas, ameaçadas e controladas de forma virtual e factual, mas sem violência, as lideranças perniciosas serão impedidas de continuar fazendo política para si próprias.
A luta envolverá mais de uma geração, pois não se recupera, em médio prazo, uma sociedade por tanto tempo aviltada. Se os brasileiros, por falta de empenho e perseverança, forem vencidos pela máfia dirigente, o país será uma nação sem alma, sem autoestima e tenderá a submergir em um caos político-social.
Um ator moral e politicamente desprezível na comunidade global e sério candidato a cair sob um regime socialista radical, que suprime a liberdade, subjuga a justiça, sepulta o progresso e o bem-estar das nações que escraviza. Em qualquer hipótese, a unidade nacional será rompida, pois sem grandeza moral e perspectivas de futuro um país se esfacela.

Só uma democracia verdadeira garantirá a perenidade do Brasil histórico, o que impõe o fim da plutocracia cleptocrática. Basta de democracia pra inglês ver? Isso só depende de você.

Luiz Eduardo da Rocha Paiva é General de Divisão, na reserva.

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