domingo, 7 de janeiro de 2018

Manejo de Palavras


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Renato Sant’Ana

Em 28/12/17, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) teve roubado o seu carro (um Citroen C3 Aircross), quando saía de casa com o marido, na Chácara das Pedras, bairro de classe média de Porto Alegre. O fato gerou manifestações nas redes sociais - desde as mais bem humoradas até algumas deploráveis -, criticando a parlamentar, rotulada como "defensora de bandidos". Entrevistada pelo site bolivariano Sul21, ela declarou: "Os ataques desfechados contra mim não foram contra mim, porque foram ataques à causa dos direitos humanos". Fará sentido?

É preciso lembrar que o PT, desde sempre, mantém um discurso que, por um lado, trata criminosos como "vítimas da sociedade" (legitimando condutas antissociais) e, por outro, ataca a polícia que reprime a bandidagem. E não é sem finalidade: Dar um verniz de inocência ao crime ajuda a degradar os valores que sustentam a sociedade que petistas chamam de "burguesa" - preparando o terreno para implantar o totalitarismo.

Mas o que disse a deputada cai por terra num paralelo com dois caciques do seu partido: O ex-governador Olívio Dutra e o senador Paulo Paim. Além de cantarem no mesmo coro ideológico, os três são avalistas do discurso petista de legitimação do crime, encenando a farsa dos direitos humanos. Apesar da semelhança, porém, enquanto os dois ainda gozam de certa aceitação entre os gaúchos, ela já é uma das figuras mais impopulares do PT. Daí a questão: se eles partilham a mesma ideologia, o mesmo blá-blá-blá sobre "direitos humanos", por que é que ela tem muito mais rejeição que eles? A única certeza é que isso não tem a ver com "ataques à causa dos direitos humanos".

Talvez a resposta seja a diferença de postura. Enquanto ela transpira indignação cada vez que se manifesta, eles fazem o "marketing do bonzinho". É com fervor colérico que ela defende os dogmas petistas, numa exposição pessoal que faz sua imagem confundir-se com a truculência do próprio PT, ao passo que Olívio e Paim, mais matreiros, escondem o que realmente pensam, falando apenas o que as pessoas querem ouvir. Ou seja, por não ter a malandragem dos dois ou, quem sabe, por ser mais sincera, ela se expõe tal como é, provocando a reação daqueles que repudiam o ideário petista. É a resposta mais plausível.

Caiu a ficha

Fato é que nenhum dos três realmente defende os "direitos fundamentais do ser humano", à medida que flertam com regimes totalitários em que as garantias individuais foram suprimidas, como, por exemplo, na Venezuela. Naquele país sob o tacão do chavismo, não há liberdade de imprensa, multiplicam-se os presos políticos, vigoram a tortura e o assassinato de opositores do regime, milícias governistas atacam as pessoas nas ruas, e o povo está condenado à miséria - sem comida, sem remédios, supermercados desabastecidos, a população fugindo para os países vizinhos (inclusive para o Brasil). Em suma, na Venezuela os "direitos humanos" foram pelo ralo e morreu a democracia, restando a fome e o medo.

Mas Olívio, Paim e Maria do Rosário sonham com aquela ditadura. Agora, se, por um lado, os três militam pela extinção de nossa incipiente democracia, por outro apenas ela diz a que vem, provocando o repúdio daqueles que rejeitam a venezuelização do Brasil.

É falsa, pois, a existência de um movimento de "ataques à causa dos direitos humanos". O que se vê é um contingente cada vez maior da população a repudiar o PT e seus autofalantes, porque, pouco a pouco, revela-se o embuste dos pseudodefensores dos "direitos humanos".


Renato Sant'Ana é Psicólogo e Bacharel em Direito.

Um comentário:

Anônimo disse...

O alvos são legítimos. A deputada, mesmo com todos os defeitos e rejeição q possui, tem seus eleitores fiéis q não mudam. Oxalá sejam poucos! Os outros 2, entretanto, ainda enganam incautos, e Paim terá preciosos votos, graças à mal-ajambrada e mal discutida reforma da Previdência.