quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Porto Alegre no Dia “D”


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Milton Pires

Quando publicou “As Origens do Totalitarismo”, em 1951, Hannah Arendt deixou claro aos seus leitores que a característica básica daquilo que em seu livro ela chamou de “ralé” era a experiência do “ressentimento”.

Ressentimento criado e amplificado pela percepção de isolamento, de afastamento do processo político. Depois da Primeira Guerra Mundial a Europa estava destruída, crescia a revolta contra a inflação, contra as pesadas indenizações de guerra e contra o tratamento dispensado a veteranos, como o próprio Adolf Hitler, que estiveram nas trincheiras do front ocidental.

Enquanto escrevo, enquanto transcorre, no Tribunal Regional da Quarta Região (TRF-4) o julgamento de Luís Inácio Lula da Silva, uma multidão de ressentidos, uma legião de integrantes da ralé que começou a chegar a Porto Alegre desde o final da semana passada, ressente-se, ameaça, enfurece-se, vigia aflita o resultado da contenda judicial que poderá afastá-la para sempre do processo político e dar lugar aos verdadeiros cidadãos brasileiros.

A ralé que se encontra em Porto Alegre diferencia-se na natureza temporal do seu ressentimento. Na Europa destruída a origem do ódio encontrava-se no passado; em Porto Alegre é o futuro, é o resultado do julgamento que dissemina o ódio na Esquerda Brasileira.

Ontem, dia 23 de janeiro, imagino que algo próximo a 20 ou 30 mil destes que se apresentam como membros de “movimentos sociais”, tomaram o centro da Cidade de Porto Alegre, da Porto Alegre destruída por 16 anos de governo petista – cidade onde agora escrevo estas linhas.

Lula estava lá: cercado, aplaudido, aclamado: um fantasma de si mesmo que insiste em assombrar o mundo político e a sociedade que já não acreditam mais em fantasmas nem os teme.

Ao seu lado, o homem que destruiu a Medicina no Brasil trazendo falsos médicos cubanos, a presidente que saúda a mandioca, vê cães atrás de crianças e compra refinarias podres nos Estados Unidos, a deputada do partido maoísta que faz compras para “sua neném” em Nova York e a Senadora conhecida como “Amante” pela Força Tarefa da Operação Lava Jato.

Todos eles, no seu discurso, utilizaram-se, alternadamente, da ameaça da “volta” de Lula pelas urnas e da violência de rua politicamente instrumentalizada.
A cidade neste momento está parada.

Integrantes do Grupo Terrorista que se apresenta como “Movimento Sem Terra” não conseguem se aproximar do Tribunal. Há bloqueio terrestre, do espaço aéreo e da orla do Rio Guaíba. Acantonados, isolados, enchiqueirados (como se costuma dizer aqui no Rio Grande do Sul) numa grande área próxima ao estádio do Internacional, a ralé tudo espreita, vigia, acompanha, pressente...Sabe que seus dias estão contados, sabe que derruba-se hoje um dogma, um mito fundador da Religião Civil no país – aquele que sempre sustentou que pessoas que “vem da pobreza são honestas”

Lula e o PT destruíram Porto Alegre, o Rio Grande do Sul e o Brasil. Ao pedir prescrição de pena, seu advogado reconhece que foram cometidos os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Não há mais o que se discutir em termos de provas, mas mesmo assim a ralé, os pobres diabos enfiados em ônibus por todo Brasil e tocados como gado por gente do nível de Gleisi Hoffmann, José Dirceu, Alexandre Padilha e João Pedro Stédile, gemem pelas ruas da cidade como zumbis que “não há provas contra Lula”. Nem mesmo a “prova” da rede hoteleira da cidade totalmente tomada por jornalistas do Brasil e do Mundo, nem mesmo a evidência da elite petista hospedada no Sheraton, enquanto a ralé se abriga em barracas de lona da chuva que cai ou o pedido de “prescrição de pena”, são suficientes.

Centenas de policiais militares foram transferidos do interior do Rio Grande do Sul para garantir a vida e o patrimônio dos porto-alegrenses.

Os números, as ações do Gabinete de Crise montado pelo Governo do Estado são de conhecimento público mas lamentável é o tom dado pela imprensa gaúcha (ela mesma rica em militantes do Partido) ao que acontece aqui – o Julgamento do TRF-4 é tratado como se fosse um GRENAL ou um show de uma grande banda de rock n’ roll – é o relativismo, a presunção de neutralidade, que enojam o cidadão que tem um mínimo conhecimento da História do Brasil a partir de 2003.

Ser “contra” ou a “favor” de Lula parece ser uma “questão de gosto” para imprensa local.

São onze horas da manhã do dia 24 de janeiro de 2018 - até este momento, os militantes petistas e da CUT não atacaram as forças que garantem a segurança e a continuidade do Julgamento.

Tudo em Porto Alegre é espera, é expectativa.

O tempo aqui parece parado no dia D. Depois de hoje, a História começa a andar outra vez no Brasil.


Milton Simon Pires, Médico, é editor do Ataque Aberto.

Nenhum comentário: